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Mulher-Maravilha # 09

Por JB Uchôa

Alexandre

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Uma noite fria em Gateway. O vento gélido como as águas do Rio Estige lambem o rosto da princesa Diana. Ela acaba de vir de Boston, numa tentativa vã de falar com Vanessa Kapatelis. Júlia, sua grande amiga e mentora, está muito preocupada com a filha, que está sumida há semanas. Recentemente ela recebeu uma carta, mas alguns detalhes — ou quem sabe sua intuição de mãe — a fizeram ligar para a Mulher-Maravilha. O endereço do local onde Vanessa estaria acampada é falso, e Vanessa não voltou para a faculdade. Subitamente, a atenção de Diana se volta para um rapaz que está no vigésimo andar do Holiday Inn... do lado de fora da janela.

— Está meio frio aqui fora, não acha?

— Vá embora... — A Mulher-Maravilha se surpreende com a frieza do garoto. — Quero ficar sozinho.

— Pois eu gostaria de conversar com você, partilhar dessa visão quase mágica da lua — Diana aproxima-se e senta próximo ao garoto no parapeito da sacada. — Meu nome é Diana, e o seu?

— Alexandre. Mulher-Maravilha, quer sair de perto de mim? Dá pra me deixar só? EU QUERO MORRER EM PAZ! — A Mulher-Maravilha volta a planar em frente ao garoto, agora com as feições mais sérias.

— Você pretende mesmo pular?

— Você sabe o que é viver? Sabe o que é fracasso? Você, a srta. Super-Heroína-Perfeita? — As lágrimas rolam pelo rosto alvo de Alexandre. A boca trêmula, os pés afoitos que quase derrapam da sacada.

— Se eu sei o que é fracasso? Eu não pude impedir o extermínio de centenas de irmãs amazonas. Não pude salvar alguns amigos que perdi ao longo dos anos. Não sei onde está uma das pessoas que mais amo no mundo! E encontro você aqui, querendo desperdiçar o dom mais precioso, a vida!

Londres, em uma mansão quase esquecida.

— E então, feiticeira? — Resmunga a mulher nua, sentada entre tochas e peles de animais. — Eu não a convoquei para criar truques baratos.

— Acalme-se, tudo a seu tempo. Com os sacrifícios certos, essa será a última vez que você precisará da Urzkartaga! — A feiticeira gesticula sobre a poção com mãos suaves e jóias finas. — Basta que você aceite.

— O deus da planta exige tal oferecimento. Ele me dá o que preciso, e eu lhe dou o que ele precisa. Eu lhe darei o que você precisa, a cabeça da amazona em uma bandeja.

Duas gargalhadas ecoam por toda a mansão, chegando até a rua. Os passantes se benzem, pois há muito a mansão é tida como assombrada.

Ainda no hotel, a Mulher-Maravilha conta sua origem, como nasceu do barro sagrado de Themiscyra, moldado por sua mãe como ordem da deusa Atena. Do nascimento das amazonas, da humilhação sofrida nas mãos de Herácles, da morte de sua tia Antíopa, que saiu da segurança da cidade em busca de vingança. Fala de Diana Trevor, a valorosa guerreira americana que lutou ao lado das amazonas. Do exílio da Ilha Paraíso. De como foi difícil vir para o mundo dos homens. Conta das pessoas queridas como Júlia, Helena e Mindy Mayer. Dos amigos que fez, de sua família e de como ela se sente grata aos deuses por terem-na designado como campeã e lhe dado a incrível oportunidade de conhecer tanta gente maravilhosa. Mas a resposta do garoto não é nada agradável.

— Minha namorada me largou, levei um chute na bunda! Perdi o emprego, descobri que minha mãe está com câncer! E isso tudo no mesmo dia! Na semana seguinte o médico disse que o tumor tem 90% de chance de ser maligno, não consegui quitar minhas dívidas, tomaram meu carro... e descobri que Rose, minha ex-namorada, tá transando com o meu chefe!

— Gaia te deu a vida, a maior das dádivas! Vamos conversar, por favor! — O barulho de sirenes atrapalha a conversa, policiais, bombeiros e uma ambulância chegam ao local. — Entre comigo, Alexandre.

O jovem olha para os lados e para baixo. Pode reconhecer seus pais entre os carros de polícia.

— Entro depois de você.

A Mulher-Maravilha voa para dentro do quarto e estende a mão. Ele olha para ela por alguns instantes, os olhos marejados. Depois abre os braços e pula no ar, tentando abraçar a noite.

Não! Lorde Hermes, conceda-me a velocidade necessária! — Diana voa atrás do jovem que, acreditava ela, tinha desistido de tamanha loucura. Agora, mais do que antes, o vento sibila gélido em seus ouvidos. As mãos na frente, buscando alcançar o rapaz que misteriosamente chora e sorri. — Peguei!

— Maldita! Me larga! Me deixa morrer... não me deixa sofrer... por favor! — Soluçando, ele a abraça, e Diana desce suavemente até o chão com ele ao seu colo. Os pais de Alexandre e alguns paramédicos correm ao encontro do garoto. A Mulher-Maravilha o solta, observa-o ser atendido, conforta seus pais e espera a ambulância partir. Uma lágrima percorre o seu rosto enquanto faz uma prece.

— Bom trabalho, Mulher-Maravilha. — A capitã de polícia Jane Sontoya se aproxima, ainda com um curativo na cabeça, estendendo a mão. — Realmente pensei que o garoto já era. — Diana aperta a mão de Jane e a leva ao coração da capitã.

— Eu o salvei hoje, capitã. Quem garante que poderei salvá-lo amanhã? — Ela alça vôo em meio a noite, deixando Jane Sontoya imersa em pensamentos e lembranças. O barulho das sirenes se afasta lentamente, enquanto Diana volta para casa.

Nos monitores recém-instalados de um quartel-general abandonado, dados são processados numa velocidade fantástica.

— Houve uma desaceleração, senhor, mas já está estabilizando.

— Não posso perder esse espécime, soldado. O que houve de errado?

— A implantação do chip de memória foi rejeitada.

— Praga! Chamem algum maldito telepata!

— Vocês precisam de um pouco de magia, meus caros. — A mulher de cabelos púrpuras gesticula e estabiliza os instrumentos. Ela olha para o homem fardado com repugnância. — Se eu soubesse que você faria um trabalho incompetente, teria contratado um porco! — Novamente ela gesticula e um pequeno suíno corre pelos corredores.

— Senhora? O chip foi aceito pelo espécime! — Grita o soldado, confiante.

— Claro que foi, idiota! Eu sou Circe, a mim tudo é possível! — E ela desaparece em meio a brumas cor-de-rosa.

:: Notas do autor

E então, estão gostando da nova fase da Mulher-Maravilha? Pois escrevam nesse quadrinho aí embaixo,
facinho, facinho, com dúvidas, sugestões e críticas! Todas serão bem-vindas e respondidas! Um abraço!



 
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