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Mulher-Maravilha # 11

Por JB Uchôa

Nua e Crua

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A madrugada cai fria em Gateway City. Caesar Loyal está acostumado a passar pelas jaulas dos animais do zôo municipal. Hienas sempre risonhas, leopardos e tigres que o acompanham com seus olhares lânguidos, macacos barulhentos que repousam na noite fria em suas jaulas. Por diversas vezes, ele tentou se ver no lugar deles, por trás das grades. Não seria igual à prisão, onde cumprimos pena por algum delito moral ou ético, mas sim como um castigo por ter nascido diferente. Caesar treme com o pensamento, ele pensa que talvez, algum dia, ele esteja patrulhando jaulas de mutantes, que são seres humanos iguais a todos nós, ou talvez só um pouquinho diferentes... De repente seus pensamentos são interrompidos pelos uivos dos lobos e gritos dos babuínos, o tremer da terra faz parecer que um terremoto pode fazer desabar tudo. Em meio a caminhos estreitos, três elefantes e dois rinocerontes correm rumo aos portões fechados do zoológico, derrubando-os como se fossem de papel.

— Meu Deus!! Preciso avisar a central! — Antes que Caesar possa pegar o walkie talkie, garras rasgam suas costas, fazendo-o desmaiar de dor.

Pela manhã, o caos está instaurado na cidade. Mesmo com a maioria dos animais já presos, a polícia ordenou estado de sítio, até que todos animais estivessem na jaula. A Mulher-Maravilha e a Garota-Maravilha estão ajudando os policiais, garantindo que nem pessoas nem animais sejam feridos.

— Cassie! Não deixe nenhuma bala ferir um animal! — Diana dá as ordens enquanto segura um rinoceronte branco pelo chifre, detendo seu avanço.

— Já falei com a Sontoya, ela garantiu que as armas utilizadas têm só tranqüilizantes. — Enquanto Cassie voa baixo, impedindo uma manada de zebras e antílopes de serem atropelados na via expressa, a capitã de polícia Jane Sontoya dispara três dardos contra uma leoa.

Mulher-Maravilha!!! Um leopardo acaba de entrar no museu! — Grita Sontoya, apontando para as portas do museu de Gateway. Rápida como o vento, Diana voa, adentrando o museu à procura do felino.

— Helena? — A professora Sandsmark está desacordada e sangrando junto com a nova estagiária do museu, Natania, que está aterrorizada apontando para o alto da porta. Antes que a Mulher-Maravilha possa se virar, ela sente uma forte pancada nas costas e cai no assoalho.

— Morra, Amazona!! — As garras da Mulher-Leopardo tentam rasgar o rosto de Diana, mas são impedidas pelos braceletes de prata.

— Bárbara? Eu pensei que você...

— Estivesse morta? Presa? Louca? Não me amole, vadia! Eu quero seu sangue imortal! — As garras fazem o laço da verdade se soltar da cintura da princesa amazona. Apenas se esquivando do ataque com os braceletes, Diana tenta manter a inimiga longe de si, de Helena e de Natania.

— Você não pode ter conseguido tudo sozinha. Alguém ou algo está por trás de sua ascensão.

— Há! Precisou recorrer à “sabedoria de Atena” para uma idéia tão idiota? Claro que eu tive ajuda!

Desviando de um último golpe da Mulher-Leopardo, Diana não percebe a rajada de energia que é emitida em sua direção, até ser tarde demais.

— Estúpida como sempre — sussurra a autora do disparo de energia. — Circe está por trás da ascensão da Mulher-Leopardo, assim como de uma nova surpresa que reservei pra você. — Circe sorri e gesticula em direção a porta, que se tranca. — E você, loirinha, como se chama?

— Na-Natania. — ela responde, trêmula.

— Vejo que você já sofreu muito na vida, tem um passado que os outros considerariam negro, não é mesmo? Una-se a mim e terá poder!

— NUNCA! — Mesmo com medo, Natania sabe o que a Mulher-Maravilha e Helena Sandsmark fizeram por ela. Sair das ruas, trabalhar no museu de História antiga e ter a chance de um futuro melhor... ela nunca iria trair aquela que a considera sua salvadora.

— MÃE! Diana!! — Cassandra bate furiosa na porta, numa tentativa vã de abrí-la. Diana, o que está acontecendo?? Mãããe!! Abre a porta!!

— A pirralha! Deixe-me sangrá-la! — sugere a Mulher-Leopardo.

— Não... vamos embora. Não sei a verdadeira extensão dos poderes dela. Na verdade, ela pode ser bem útil. Pegue a professora e a mocinha chorona e traga conosco. — Novamente Circe gesticula e cria uma bruma rosa que as envolve.

— Deixe-me pegar a amazona.

— Não, Mulher-Leopardo! Deixe a princesa aí mesmo, sangrando no chão. Quero ver até onde vai a lealdade da Garota-Maravilha para com sua mentora, vendo a mãe em perigo. — Assim, as duas somem em meio às brumas com suas vítimas, deixando a Mulher-Maravilha desacordada. Tão logo elas somem, o encanto que protegia a porta dos poderosos murros da Garota-Maravilha também se desfaz. A porta vem abaixo.

— Ops! — Cassie leva a mão à boca com medo de Helena brigar com ela, mas quando vê Diana no chão esquece esses pensamentos e corre ao seu encontro. — Diana, acorda!!

Várias horas se passam, a Mulher-Maravilha se recupera do ataque de Circe, e se encontra na delegacia de polícia, junto com Jane Sontoya e Cassie.

— Nós tivemos algumas denúncias de pessoas desaparecidas. Três, para ser exata. Não podemos fazer nenhuma busca antes de 24 horas do desaparecimento.

— Três... com Helena e Natania são cinco. Você tem mais alguma pista, Sontoya? — A Mulher-Maravilha faz a pergunta buscando ser o mais racional possível em sua análise.

— Todos sumiram perto do zoológico. Todos. — Jane responde, cética.

— A Dra. Minerva e Circe esperam que a polícia ache que essas pessoas foram mortas por animais, mas com certeza elas foram seqüestradas para serem utilizadas em um ritual. Temos que achar, e rápido, a localização exata. Garota-Maravilha, quero que procure pela parte leste, enquanto eu vou fazer um reconhecimento pela floresta atrás do zoológico.

— Diana, e se minha... e se eles estiverem mortos? — Cassandra está aflita, pensando na possibilidade de encontrar Helena morta.

— Não pense nisso, criança. Ainda resta tempo, somente à noite pode ser feito o ritual da Urzkartaga.

— Ritual do quê? — Pergunta a capitã de polícia, curiosa.

— Depois, capitã. — Diana e Cassandra alçam vôo pela janela e dividem-se em pleno ar para lados opostos para iniciar a busca. A Mulher-Maravilha está preocupada, pois a lua já alcança a posição de nove horas.

Em uma área escondida no interior do bosque, um estranho idioma é entoado pela feiticeira Circe, enquanto sangra mais uma pessoa.

— Como você pode matar tão friamente? — Questiona Helena, irritada.

— Tenho fé de que a amazona nos encontrará. — diz Natania.

— E que venha voando para a morte! — Bárbara Minerva bebe o sangue que escorre da jugular do homem negro. Natania desmaia perto de Helena.

— Pobrezinha, queria que estivesse acordada no momento de sua morte. — Circe segura Natania pelos cabelos e prepara a faca que cortará sua garganta, levanta a lâmina que brilha sob a lua, e então, de repente, como um anjo salvador, surge a Mulher-Maravilha. Diana arremessa uma lança antiga que trespassa o ombro esquerdo da Mulher-Leopardo e a prende ao chão. Numa velocidade incrível, o laço da verdade enlaça o pescoço de Circe e Diana a puxa, prendendo-a pelo pescoço em um alto galho de uma árvore próxima.

— Fuja, Helena! — Grita Diana, enquanto quebra com uma espada as correntes que prendem Natania e a professora Sandsmark.

— Vagabunda! — Grita a Mulher-Leopardo, arrancando a lança com o braço direito. — Eu vou te fazer sangrar lentamente!

— Eu sou uma guerreira amazona, Mulher-Leopardo, e você não me pegará desprevenida novamente. Eu sei quem são meus inimigos.

Circe não consegue se desvencilhar do laço e começa a perder o fôlego. Enquanto isso, Helena, já afastada dali, reanima Natania e ambas correm pela floresta à procura de uma estrada para pedir ajuda. Um enorme leão africano aparece diante delas com um estrondoso rugido. Acostumado a ser alimentado diariamente pelos empregados do zoológico, o enorme felino com certeza não havia caçado nada, até agora.

— Professora Sandsmark, o que faremos? — Natania está aterrorizada, enquanto Helena levanta um pedaço de madeira grande o bastante para manter o leão afastado por alguns momentos.

— Quando eu gritar, minha criança, corra! — O rugido do leão faz com que Natania desmaie novamente. — Oh, Deus! Não podia ficar pior, podia?

— Claro que não, mamãe! — Ferozmente, Cassie segura o leão pela cauda e o atira contra um grande carvalho.

— Cassie! Filha! — As duas se abraçam e Helena chora, emocionada.

— Mãe, eu tive tanto medo! Mas viu como eu fui valente?

— Você sempre foi uma guerreira, Cassandra! Como todas as mulheres da família Sandsmark!

Quando a Garota-Maravilha chega ao local do ritual, encontra Diana dando uma surra na Mulher-Leopardo. A Dra. Bárbara Minerva mal tem tempo de usar suas garras, de tão rápidos os golpes que a Mulher-Maravilha desfere contra ela. Ainda presa na árvore, com o laço da verdade sufocando-a, Circe invoca novamente suas brumas e se teleporta, antes que Cassie possa alcançá-la. Com um último golpe, Diana leva sua odiada inimiga a nocaute.

No outro dia, Jane Sontoya mostra à Mulher-Maravilha fotos do carro blindado que levava a Mulher-Leopardo para o Arkham.

— Como pode ver, Mulher-Maravilha, o veículo foi completamente destruído. Talvez por algum raio de força.

— E os guardas? — Pergunta Diana, preocupada.

— Mortos. Curiosamente, a autópsia revelou que eles já estavam mortos antes de serem estripados pela Mulher-Leopardo.

— Qual foi a causa mortis?

— Algumas dilacerações cranianas internas, ou algo assim. Para ser mais precisa... deixe-me ver... — Jane remexe alguns papéis sobre sua mesa procurando a informação — os tímpanos estavam estourados... deixe-me ver o que mais...

— Tímpanos estourados? Então foi um raio sonoro que estilhaçou o carro! Por Zeus!! Então a surpresa que Circe reservou pra mim foi... a Cisne de Prata!

:: Notas do autor

É isso aí pessoal, todas as inimigas da Mulher-Maravilha de uma vez só!
Preencham o quadrinho aí embaixo e me diga o que você está achando dessa nova fase da Maravilhosa. Vale críticas, sugestões... tudo!
Um abraço e até mês que vem, onde comemoraremos um ano de edições com a participação especial do baixinho mais invocado do Hyperfan!



 
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