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Mulher-Maravilha # 12

Por JB Uchôa

Poderosa Afrodite - O Baixinho e a Maravilhosa

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"Meu nome é Wolverine, e Madripoor é o tipo de lugar que tem a minha cara! Cheira a sangue e cerveja. A civilização disfarça a sujeira que existe na cidade baixa mostrando o luxo dos Tigres Asiáticos. Os chefões daqui agem como a máfia, cada um respeitando a sua área, mas sempre de nariz colado na do outro. Aqui a moçada me conhece como Caolho, e de vez em quando é bom dar uma geral por estas bandas. Encontrei com a Drew ontem, ela me falou de um tráfico de escravas brancas. A pista levava a uma boate chamada Dança Demoníaca. A Drew é durona, mas aqui é barra-pesada demais pra garota. Até mesmo pra quem já foi a Mulher-Aranha."

Dois dias atrás, Torre de Vigilância da Liga da Justiça.

— Infelizmente não consegui descobrir nada, Diana. Mesmo tendo utilizado de telepatia, o chefe nunca se revelou pessoalmente para seus empregados, eles apenas o chamam de "Senhor". Quem quer que seja, levou em conta os telepatas. — Ajax fala compassadamente para a Mulher-Maravilha o que havia descoberto sobre o tráfico de escravas brancas, um pouco apreensivo, mas sempre sereno.

— Madripoor... Sei que é difícil lidar com a escória do mundo, principalmente quando as pessoas temem ser ajudadas. — mesmo decepcionada com a resposta do Caçador de Marte, Diana senta-se e tenta pensar com clareza. — Se ao menos eu pudesse localizar Tereza!

— Eu segui sua pista até um bar em Nevada. Lamento. Vamos repassar os dados? — com isso, Ajax tenta achar uma pista que possa ter passado despercebida por ele. — Talvez devêssemos ter pedido o auxílio do Batman.

— Talvez. — responde a amazona, com um sorriso — Mas acredito que nós dois podemos dar conta do recado. Tereza é uma mulher jovem, Ajax! Infelizmente nunca foi feliz no casamento, sempre era espancada pelo marido. Recentemente ele descobriu que ela estava escondida em minha fundação (*) e ameaçou a ela e aos filhos. Apavorada, ela deixou os filhos e fugiu. Soubemos que foi vista em bares, onde fazia limpeza e servia motoqueiros em troca de abrigo e comida. Sempre que era descoberta, desaparecia, e agora é impossível determinar seu paradeiro.

— A não ser... — Ajax respira pausadamente e torna a falar — ... que você repita seus passos. Seu rosto é bastante conhecido, Aço idealizou e projetou um holoprojetor que pode facilmente ser escondido, mudando sua aparência. — Com um toque das mãos do Caçador de Marte no console do computador, aparecem na tela dados que ele passa a digitar, formando o corpo de uma mulher. — Cabelos loiros, olhos verdes, medidas invejáveis, pele bronzeada... e pronto, teremos uma nova Mulher-Maravilha!

— Perfeito! — Exclama Diana. Ajax retira um chip e o esconde atrás do brinco de Diana. Instantaneamente o holoprojetor transforma a aparência da Mulher-Maravilha nas feições da mulher que Ajax idealizou no computador. — Grande Hera! Nem mesmo eu poderia me reconhecer no espelho!

No mesmo dia, a Mulher-Maravilha parte para Nevada, procura emprego no bar em que Tereza foi vista trabalhando pela última vez e passa a agir como mais uma garçonete que trabalha em troca de abrigo, sem família ou amigos. Ajax implantou uma sugestão mental, pela qual somente um telepata poderoso poderia descobrir que a mulher que atendia pelo nome de Marylin é a super-heroína conhecida mundialmente como Mulher-Maravilha. Os dias passam, e de repente Diana entra em um quarto escuro e apertado e acorda do outro lado do mundo.

Madripoor. A pequena ilha que vive no caos do luxo e da pobreza. Da luxúria e do pecado. Da corrupção e do tráfico.

— Traz outra cerva! — O garçom atende prontamente o baixinho de cabelo espetado e tapa-olho. Em Madripoor, principalmente na cidade baixa, todo mundo não julga uma pessoa pela aparência, pois sempre se pode descobrir algo surpreendente.

Wolverine assiste ao show de strip-tease que ocorre no bar. Seu olfato aguçado sente cheiro de medo, e ele sabe que as mulheres ali são forçadas a dançar e saciar os homens da cidade alta. São escravas brancas, forçadas a servir. Oprimidas, condenadas a morrer no leito de um homem rico ou na sarjeta. Obrigadas a dançar, a despertar a libido masculina e saciar todos seus desejos. Subitamente, quando a mulher loira de quase um metro e oitenta entra, ele não sente o cheiro de medo nela. Ela é diferente. Ela dança sensualmente, livre, como nenhuma das mulheres anteriores fizeram. Ela é segura, indomável. Talvez por isso os gordos executivos babões contentem-se em apenas olhar. As narinas de Logan dilatam-se levemente e o cheiro de liberdade passa a se tornar mais familiar. Ele cerra o charuto na boca, aperta os olhos, levanta o tapa-olho e inclina o queixo para cima, como se procurasse ter certeza do que seus sentidos captaram. Quando um dos homens sentados nas mesas à frente levanta-se para colocar uma gorda gorjeta no sutiã da dançarina, Logan pula de sua mesa no fundo do bar para a frente, chutando as pernas da cadeira, levando o homem ao chão e subindo no palco.

— Acorda! — ele grita ferozmente para a dançarina.

Pensando que Wolverine iria atacar a dançarina, homens armados saem de uma porta nos fundos e começam a atirar a esmo, tentando atingir o mutante canadense, que se move rapidamente. O pânico é instaurado. Muitas pessoas pulam debaixo de suas mesas procurando abrigo, outras puxam suas armas e devolvem os tiros. Dançarinas seminuas correm pelo palco. O barman retira duas espingardas calibre doze e atira na porta, deixando claro à polícia local para não entrar ali. Os policiais que chegavam se retiram cabisbaixos. Em meio ao tiroteio, a dançarina loira pula do palco para as mesas e começa a desviar as balas com os próprios punhos. Ela chuta uma garrafa de whisky caro, acertando a nuca do barman e deixando-o desacordado. Em uma atitude rápida, mas extremamente detalhada, como se fosse em câmera lenta, ela leva a mão à orelha direita para desfazer a ilusão projetada por Ajax. A ilusão se esvai lentamente, de baixo para cima. Primeiro as botas vermelhas, passando pelo laço dourado e as vestes azuis estreladas, o vermelho e o WW dourado estilizado. Por último, os olhos verdes tornam-se azuis safira, a tiara dourada com uma estrela vermelha e os cabelos negros. Enquanto Wolverine nocauteia os atiradores e a multidão foge do estabelecimento, Diana puxa o laço e amarra o dono do bar, obrigando-o a revelar de onde traz as dançarinas.

— Eu não sei. Homens do Senhor trazem para mim. De dois em dois meses ele renova minhas meninas.

— Fala a verdade ou eu solto a terceira!! — Wolverine se aproxima e ejeta duas garras de seu punho, encaixando a cabeça do homem entre as lâminas.

— Pare. — Diana leva sua mão às garras do mutante e o faz retraí-las. — Esse homem está amarrado ao laço de Gaia, ele não pode mentir. — Uma baforada do charuto de Wolverine faz o homem desmaiar de medo.

— Frouxo! — ele vira-se para Diana — Ainda bem que te reconheci a tempo...

— Infelizmente, você quer dizer. — Diana mantém um ar sério — Eu estava disfarçada, procuro uma pessoa e iria libertar as outras mulheres.

— Vacilei, não sabia. Pensei que você estava sob um comando hipnótico. — responde mal-humorado o baixinho.

— Acho que agora estarão todos levantando suspeitas, tenho que pensar em outra maneira para descobrir o homem por trás do tráfico de escravas brancas.

— Xá comigo, sou o melhor no que faço.

Diana sorri, incrédula. Depois de uma troca de informações rápida, ela despede-se e sai pela porta da frente, alçando vôo na penumbra fétida de Madripoor. Wolverine sai do bar quando sente um cheiro e vê uma sombra desaparecer nos becos. Sua boca se contrai num sorriso pelo canto dos lábios.

Algumas horas depois.

O homem de aparência oriental entra furioso, escancarando as portas de sua suíte, suas pernas dão passadas largas, mas param em frente à grande mesa de carvalho próxima à janela. O mutante mascarado gira na cadeira e acende um charuto.

— Oi, Shinobi. Acho que você sabe o que vim fazer aqui... xará!

Shinobi Shaw engole em seco e, com desdém, responde:

— Não sou vidente. Espero que você tenha algo realmente útil, ou então mando a segurança subir... ou quem sabe, eu mesmo retiro seu coração ainda pulsando do seu tórax!

— Como se cê pudesse. Cê não é homem como seu pai. É o seguinte: andei fazendo umas perguntas por aí e descobri as tuas tramóias. Eu procuro uma mulher em especial, e com ela pretendo levar todas as outras. — Wolverine utiliza uma das garras para ficar riscando sobre a mesa, fazendo um barulho irritante. Às vezes, solta uma baforada do charuto pelo canto da boca, mantendo o olhar fixo no inimigo. — E eu quero a guria agora!

— Não me faça rir!

— Hoje eu não tô de bom humor. — responde Wolverine, levantando-se da cadeira e esmurrando a mesa com uma das mãos. Com a outra ele põe o dedo indicador na cara de Shinobi, roçando-o no seu nariz — Fala agora, ou então reza pelos teus colhões!

— Mas o que você quer dizer com is...

SNIKT!

Em Boston, Julia Kapatelis está no aeroporto, esperando o vôo 437 da United Airlines. Ela espera que em breve também reencontre Vanessa, que está sumida há semanas. Julia pensou em pedir para Diana procurá-la, mas diante do caso das escravas brancas achou que poderia ser egoísmo demais fazer a Mulher-Maravilha rodar o mundo para procurar uma simples adolescente típica. Tão típica que deve estar com os amigos, se divertindo, aquém da lembrança de que tem uma mãe zelosa e preocupada. A última passageira desce de óculos escuros e o rosto semi-enrolado em um véu. Julia acena para ela.

— Tereza! Diana mandou encontrá-la, vou levá-la para seus filhos. Estão seguros aqui em Boston.

— Graças a Deus! Estava desesperada quando fugi! Como foi que a Mulher-Maravilha me encontrou?

— Ah, Tereza... Diana tem muitos amigos...

Longe dali, utilizando de encantos para observar Julia Kapatelis, Circe sorri satisfeita, enquanto termina de matar o último soldado.

— Temos mais sangue, Barbara. Agora que essa instalação e esses homens serviram aos meus propósitos, você pode realizar o ritual da Urzkartaga. (**)

— Somente o sangue imortal da amazona me garantirá o poder completo! — rosna a Mulher-Leopardo, enquanto rasga da jugular até o ventre o corpo do soldado morto por Circe, deixando o sangue escorrer para a planta.

— Tudo à sua hora, Barbara... agora que minha ave de rapina já está agindo (***), eu quero ver como a maldita amazona irá reagir! — As duas mulheres gargalham enquanto Circe observa dados em um monitor.


:: Notas do Autor

(*) Diana possui uma fundação com seu nome, onde luta pelos direitos civis e causas humanitárias, principalmente femininos. Alfabetização de adultos, localização e neutralização de minas terrestres, pesquisas de vacinas para a AIDS, conscientização sobre o aborto, ajuda a mulheres maltratadas pelos homens e combate a crimes ecológicos são alguns dos trabalhos realizados.

(**) Circe e a Mulher-Leopardo invadiram uma instalação secreta de pesquisas, como mostrado em Mulher-Maravilha #9.

(***) Na última edição.



 
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