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Mulher-Maravilha # 22

Por JB Uchôa

A Grande Maçã

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A guerreira de Themiscyra anda pelas ruas solenemente, enrubesce quando ouve alguns assobios, mas continua seu passeio. A calça jeans, camisa justa amarela e os óculos escuros são capazes de esconder sua "identidade heróica", ainda mais em Nova York, onde todas as modelos e aspirantes a tal medem no mínimo 1,80m.

— Com licença, moça. Posso ler sua mão? — a velha senhora aparece na frente da princesa e abre um largo sorriso — Se a senhorita gostar da sorte pode me dar um agrado, se não gostar, tem minha bênção.

— Claro. — a Mulher-Maravilha estende delicadamente a palma da mão — Só espero que seja um bom futuro.

— Todos os futuros são bons, querida — a senhora arregala um olho e olha para a princesa — Vejo que sua alma é muito velha. Alma de guerreira!

— Continue, senhora. Estou gostando do que esta dizendo. — Diana sorri gentilmente.

— Mas vejo que você se sente muito sozinha... que a guerreira tem sido mais do que a mulher dentro de você. Vejo um lindo homem de cabelos negros e outro de cabelos dourados, mas todos já possuem alguém pra dividir a coroa. Mas existe alguém nas sombras...

— Mãe Gaia... — Diana retira os óculos escuros e sorri — Você está certa, senhora. Tenho sido mais a guerreira do que a mulher.

— Há muito peço às Nereidas para que pudesse vislumbrar o oceano em teus olhos. É como se eu olhasse de novo pro Egeu, filha. — Diana entrega 20 dólares para a mulher, mas ela recusa — Não, princesa! Essa velha dama honra teu nome grego. Siga apenas teu coração.

— Diana! Diana! — Tróia grita ao longe e Diana acena de volta, ao tornar-se vê a velha cigana indo embora — E então, como está Steve? (*)

— Steve está se recuperando, Donna. Espero que ele melhore um pouco mais para descansar na Ilha da cura, em Themiscyra. — Diana ainda vira-se de volta apenas para perceber que a cigana desaparecera em meio à multidão.

— E então, vamos às compras? — Donna sorri.

— Acho que vamos nos atrasar um pouco... — Diana aponta para o alto e pega o laço na bolsa.

Residência de Helena Sandsmark, mãe da Garota-Maravilha. Helena está apoiada em velhos livros e olha atentamente para páginas de um texto que diz "As duas vidas de Adônis".

— Engraçado, eu gostava tanto de mitologia! Quem diria que estaria eu aqui um dia envolvida com deuses, heróis e semideuses! — Helena suspira e ergue os óculos de grau. Passa a mão delicadamente no rosto e pressiona os dedos entre o nariz — Vamos lá, mais trabalho!

Chega!! — Cassandra bate a porta, que é aberta logo em seguida por Ártemis.

— Cassie, algum prob...? — tão logo termina a frase, o barulho do quarto da menina dá como resposta um baque estrondoso — Ártemis?

— Nada com que deva se preocupar, Helena. A jovem Cassandra é impetuosa, depois do treino ela ligou para um garoto e creio que não gostou do que ele disse. — Ártemis solta as madeixas ruivas e pega uma maçã na fruteira em cima da mesa.

— Cassandra está namorando? — Helena fecha um livro e retira os óculos de grau — E quem é esse garoto?

— Não, Helena, creio que ela não está namorando. — Ártemis senta-se de frente para a professora, morde a maçã e olha com determinada ironia para a preocupação da professora — Mas tenho certeza de que é porque ele não quer.

— Como assim?? Cassandra...

— Helena, ou o garoto não sabe que Cassie gosta dele ou ele apenas não corresponde.

— Oh, Deus... — Helena leva a mão à boca — Minha filha está crescendo! — Ártemis sorri — Que besteira a minha... se ela é capaz de salvar o mundo, por que não poderia saber lidar com um não?

A Mulher-Maravilha gira ao redor de si mesma e transforma suas roupas civis em seu uniforme.

— Droga, eu não posso fazer isso! — resmunga Donna com um sorriso, retirando a jaqueta e sua blusa e mostrando o uniforme de Tróia por baixo.

— Donna, eu tentarei suspender o avião por baixo, você retira a turbina em chamas! — enquanto Diana alça vôo rapidamente, Tróia entrega seus pertences para a lojista que estava atrás delas.

— Segura firme que eu volto!!

As duas heroínas alçam vôo, Diana reza baixinho para que Gaia a ajude a pousar o avião em segurança, Tróia chuta fortemente umas três vezes para que a turbina desprenda da asa e caia sem causar danos no meio do rio Leste. Enquanto a titã ajuda a Mulher-Maravilha a erguer o avião e equilibrar com a falta da turbina, ouve um estampido e sente seu ombro direito sangrando.

— Réia, quem poderia... — mal tem tempo de visualizar o próximo tiro e o defende com o bracelete, vira pra esquerda e voa ate abaixo do avião — Diana, o avião está sendo atacado!

— Você está sangrando, Donna! — a Mulher-Maravilha olha atentamente pro ferimento de sua irmã e segura o avião com mais força.

— Eu não vi o tiro, mas graças aos deuses foi só de raspão. Temos que entrar no avião, pode haver até vítimas lá dentro!

— Você consegue sustentar o avião? Irei ganhar altitude, depois entro por cima, já que o inimigo deve estar na cabine do piloto! — as duas seguram firme e impulsionam o avião para cima, tentando ganhar mais altitude e não encostar em nenhum dos enormes arranha-céus que existem em Nova York. Tróia sustenta o avião, inclinando levemente o bico para cima, enquanto Diana circunda por trás, garantindo que não será vista pelas janelas.

— Lorde Hermes, me ajude a ser rápida! — Diana anda lentamente em cima da aeronave, ajoelha e com as mãos abre um buraco na fuselagem acima do banheiro. Desce rapidamente, arranca a porta e impede que a descompressão cause maiores danos.

— < Mulher-Maravilha! Estamos lidando com um dos malditos super-heróis! Essa cadela merece queimar no mármore do inferno por estar em trajes escandalosos! > — o homem de barba rala e traços muçulmanos fala em uma língua antiga.

— < Parem, por favor! > — Diana estende as mãos para o alto, mostrando que está desarmada — < Vocês estão falando em aramaico, que é uma língua há muito esquecida. Me digam o que querem, prometa que deixará essas pessoas em paz e deixarei que seu país mande um representante... >

— < Cala-te, mulher!! > — Diana nota as pessoas aterrorizadas nas poltronas e vê um comissário de bordo caído no chão e sangrando muito, provavelmente já morto. O homem gesticula para o outro e falam tão rápido e baixo que ela não consegue compreendê-los. As quatro primeiras filas de poltronas estão vagas e as pessoas estão abaixadas nos corredores e nas cadeiras — < Eu vou fazer com que o mundo seja purificado! >

Não!! — mesmo sendo rápida o bastante, ela só consegue se pôr na frente das pessoas e erguer os braceletes feitos da inexpugnável Égide de Zeus. As bombas presas ao homem causam algum estrago, fazendo com que toda a cabine dos pilotos seja levada pela explosão.

Réia!!! — Tróia se esforça mais ainda para manter o avião no ar, mas começa a baixar altitude para que as pessoas lá dentro não sejam tragadas para fora. Dentro do avião a Mulher-Maravilha usa o laço e sua força para diminuir o buraco causado pela explosão e evitar que alguém seja expelido, tendo morte imediata. Ela nota que o avião está baixando suavemente e sabe que Tróia deve estar bem.

— J'onn... — Diana relata o ocorrido telepaticamente. Quando o avião é pousado por ela, Donna e o Caçador de Marte, que chegou quase imediatamente no local, várias pessoas já estão nas margens do rio Leste onde encosta na imensa aeronave e leva a mão ao rosto.

— Por Zeus, ele explodiu na minha frente! Por quê? — a guerreira dá lugar à mulher. Os olhos da princesa amazona marejam quando vê ambulâncias, carros de bombeiros e de resgate chegando ao local.

— Diana, você sabe que é difícil entender a humanidade. Embora estejamos acostumados a lutar contra grandes vilões, seres superpoderosos, grandes catástrofes naturais... não podemos esquecer que o mal maior a combater é o ódio, o preconceito, a ganância. — J'onn J'onzz encara a companheira de equipe firmemente — Talvez nós não façamos tanta diferença assim.

— Meu medo, John, é que esse tipo de ataque terrorista seja mais freqüente! E embora seja frustrante lidar com esse tipo de coisa... piedosa Hera, nós não podemos desistir!

— Garanto que ele não será um fato isolado, mas seria muito bom você usar seu cargo de embaixadora para averiguar o que pensam os líderes desse e de outros países.

Residência das Sandsmarks. Ártemis bate levemente na porta e entra.

— Eu não falei que alguém podia entrar! — Cassie cerra os olhos para a amazona, que apenas sorri.

— Cassandra... Cassie... — Ártemis se senta na cama — Por que você não diz o que sente pra ele?

— Vá embora, Ártemis! Eu não te dei o direito de se meter na minha vida! — Ártemis se levanta e abre a porta — Você esquece, pequenina, que eu estou aqui para treiná-la? Você não está com a cabeça em uma luta se seu coração estiver longe de você. Pense nisso. — a amazona fecha a porta e Cassie joga o travesseiro na porta.

— Vaca! O pior é que ela está certa. — a jovem heroína pega uma roupa e entra no banheiro — Eu já sei o que pode me ajudar!


:: Notas do Autor

(*) Steve Trevor foi gravemente ferido na edição anterior. voltar ao texto




 
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