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Mulher-Maravilha # 23

Por JB Uchôa

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Embaixada de Themiscyra, Nova York. Sentada com vestes gregas vermelhas, o cabelo em trança, Diana olha impacientemente para o telefone.

— Deusa, que demora! — Diana levanta-se abre o armário atrás de si, visualiza seu rosto no espelho, toca com a mão direita a tiara e fecha as portas novamente — Será que devo ir a Gateway?

— Diana? — Sílvia Roberts aparece junto à porta. Sorrindo, pede licença e entra na sala da embaixadora — Falei hoje com duas editoras. Querem que você escreva um livro sobre a Mulher-Maravilha.

— Algum pronunciamento, Sílvia? — Diana vira-se para a janela e contempla o Central Park — Você disse o que eu penso?

— Oh, sim, claro. Só achei divertido. O editor acha que o mundo não está pronto para uma visão tão... como foi que ele disse? — Sílvia passa a mão na franja — Feminista! Isso... uma visão feminista do mundo. — sorri, ironicamente.

— Sem dúvida, bastante divertido. — Diana olha para sua secretária — Me passe o e-mail. Mais divertido será ele ler a minha resposta. Por falar nisso... alguma resposta de Genebra?

— Parece que o encontro foi adiado. Problemas com a Markóvia, eu acho.

— Latvéria, Sílvia. Destino é o problema. — Diana entrega alguns papéis e uma pasta — Quero que me ligue com Clark Kent no Planeta Diário.

— Só o Planeta? O Clarim ou...

— É um favor pessoal que o sr. Kent me prometeu quando nos encontramos na ONU. — Diana sorri.

Residência das Sandsmark. Ártemis sai do quarto e bate levemente na porta do quarto de Cassie.

— Só um minuto!!! — Cassandra encobre o reluzente medalhão em formato de coração em uma blusa preta e coloca na mochila. Nervosa, abre a porta — Ah, é você!

— Sim, garota, sou eu. — Ártemis sorri — Vim me despedir.

Cassie fica olhando para a ruiva, segurando tão fortemente o trinco que o quebra.

— Ártemis... eu... eu....

— Você está pronta, menina. Você será uma grande amazona. Um pouco intensa demais, mas se souber colocar a razão acima de seu coração, poderá ser a maior heroína de sua geração. — Cassie a abraça forte. Ártemis se espanta, mas retribui o carinho.

— Desculpe, Ártemis, eu fui tão grosseira com você! — o cheiro adocicado de uma adônis enche seus pulmões.

— Você conhece essa flor? — pergunta Ártemis. Cassandra responde negativamente com a cabeça — É uma adônis, criança. Conhece a lenda?

— Sim. Adônis era um belo homem que morreu afogado no rio por vislumbrar sua beleza constantemente. — Cassie sorri e segura a flor delicadamente.

— Isso mesmo. Por isso, Persérfone criou a adônis no leio de morte dele. É uma flor escarlate de grande beleza, mas tem uma história triste.

— Eu sei, Ártemis.

— Nunca esqueça que nem sempre o que é belo será o melhor para você. — a Garota-Maravilha engole em seco as palavras de sua treinadora. Ártemis sabe que ela sofre de paixonite aguda pelo Superboy. Cassandra a abraça novamente, lágrimas escorrem dos seus olhos — Você sabe que se precisar de mim estarei aqui ou aonde você estiver.

— Obrigada. — Cassie levanta os braceletes à altura dos olhos e os cruza. Ártemis também faz o mesmo cumprimento que na Ilha Paraíso representa fé. Assim que Ártemis sai, a campanhia toca.

— Entrega para senhorita Cassandra Sandsmark.

— Sou eu. — o entregador repassa um buquê de rosas vermelhas. Cassie fecha a porta, cheira as flores e vê que o cartão está assinado como Tom Welling, o garoto mais popular e bonito de Gateway High — Uau! Tom me mandou flores!!! — novamente a campainha toca.

— Srta. Cassandra? — pergunta outro entregador — Flores para a senhorita. — outro buquê, maior que o de Tom, é entregue para Cassandra. A jovem heroína sorri e agradece.

Na embaixada de Themiscyra, Diana repassa o discurso que fará na ONU referente ao incidente do avião dias atrás. Procura ser serena e alertar para a preocupação em não levantar falsos testemunhos contra nações. Enquanto verifica o texto e faz correções, o telefone toca.

— Princesa Diana? — a Mulher-Maravilha reconhece a voz do outro lado da linha, estremece um pouco — É Lois Lane, Planeta Diário.

— Oi Lois, posso ajudar em alguma coisa? — Diana sorri e salva o documento no laptop.

— Não, nada. Jimmy, você vai sair comigo!!! — grita do outro lado da linha — Desculpe, tinha que garantir meu fotógrafo. Clark pediu para eu passar um texto para o seu e-mail e eu queria conversar contigo.

— Comigo? — Diana fica subitamente apreensiva. Nunca foi amiga de Lois, e realmente sempre teve uma animosidade entre elas — Eu só pedi pra Clark olhar o texto, pois eu...

— Não brinca! Hahahaha! — Lois Lane gargalha do outro lado da linha — Eu deixei a Mulher-Maravilha constrangida? Desculpe! Não é ciúme, Diana! Nem cuidado em demasia para com o meu marido. Claro que me incomoda o mundo inteiro achar que você e o Super-Homem têm um caso... mas e daí? É sobre uma informação que vi e sei que vai lhe interessar. — Diana enrubesce ao telefone — Soube que vão fechar o museu de Gateway City. A reforma sairia cara demais para o estado e não vai ter ajuda federal. Inclusive, existe uma organização que quer obrigar a Liga a criar fundos para cobrir estragos dos meta-humanos. Talvez um dos membros... digamos... mais abastados ou algum tesouro naufragado possa cobrir tais despesas.

— Eu soube, Lois. Agradeço a preocupação. Aliás, isso é uma entrevista?

— Em absoluto. — responde Lois, friamente — Eu diria se fosse.

— Desculpe, não quis ofendê-la. Só precaução. Se a Liga ou algum membro arcasse com isso, imediatamente choveriam pedidos para restaurações e danos causados por meta-humanos. Os Vingadores, a Liga, os X-Men e o Quarteto Fantástico devem possuir algum meio de ressarcir os prejuízos. Mas e quanto aos outros grupos que existem? E os vilões? Ficaríamos presos em um processo burocrático imenso. A função do governo é garantir segurança, se existem vilões que a própria polícia não da conta e existem grupos fora-da-lei ou com sanções diplomáticas que minimizam esse conflito... por que eles devem ser "culpados"? Os bens são públicos. No caso de bens particulares... cada caso é um caso. Garanto que nenhum cidadão perdeu um bem, pelo menos posso falar pela LJA.

— Eu sei. Só queria falar do grupo que tem se formado, já que descobri que existe alguém anti-metahumano no comando. Alguém com cacife, entende?

— Agradeço, Lois. Mande lembranças para Kal e agradeça a revisão.

— Mando sim. Vamos combinar de nos encontrarmos, talvez um "girls night"! — Diana encerra a ligação em meio a sorrisos. Em Metrópolis, Lois desliga, pega a bolsa e manda segurar o elevador — Vamos, Jimmy, hoje só volto com a primeira página!

Gateway City, residência de Helena Sandsmark. A jovem professora esbarra com dois entregadores de flores na porta de sua casa. Estranha, mas continua a subir os degraus do sobrado. Coloca a chave na porta e se depara com centenas de buquês espalhados pela casa!

Cassandra!!!! — grita, assustada. Cassie voa para o andar de baixo — Você pode me dizer que diabos está acontecendo aqui? O que você fez?

— Por que eu devo ter feito algo? É tão difícil um garoto gostar de mim e mandar flores? — Cassie voa novamente para seu quarto e tranca a porta — Por Zeus, eu tô ferrada!!

— Talvez Zeus esteja além de seus pedidos, pequenina. — em uma nuvem cor-de-rosa, aparece uma voluptuosa deusa, vestindo uma saia lilás e uma blusa frente única rosa-bebê. A única coisa que pode denunciar a divindade é o penteado grego e as jóias ricamente adornadas em seu pulso, antebraço e tornozeleira — Eu quero meu medalhão de volta, agora.

— Afrodite...

— Já vi que lembras do meu nome, pirralha.

— Que roupas são essas? — Cassie olha atônita para a deusa da beleza.

— Aquele período em que estivemos aqui me ensinou várias coisas. Inclusive a estar mais "na onda" dos mortais. Quero ser adorada, não é? Então eles têm que me reconhecer neles. Viva Armani! Viva CK! Viva Victoria's Secret!! — Afrodite passa os dedos sobre os lábios, deixando-os mais brilhosos — Me devolva o medalhão, Cassandra.

— Não posso, preciso dele. — Cassie senta na cama — Por favor.

— Huuuuuuuuuuum.... talvez eu possa ajudar você. — Afrodite senta ao lado da cama e escuta Cassie por horas.

Nova York, embaixada de Themiscyra. Ao terminar de revisar o texto, Diana pega o celular e o fita durante alguns instantes. Abre o flip e procura o nome de Helena.

— Diana? — Sílvia aparece na porta — Você vai dormir aqui ou na sua irmã?

— Aqui, Sílvia. Por favor, amanhã me cobre de perguntar se teremos novos moradores — Diana sorri e clica no send.

— OK! — Sílvia bate continência — Vou mandar preparar o quarto.

O telefone chama e desliga. Diana o fita novamente e fecha o flip. Instantaneamente, a foto de Helena aparece no visor seguido do toque polifônico de "Let it Be".

— Diana? Está tudo bem? — Helena parece apreensiva no outro lado da linha.

— Está sim, e você?

— Bem... posso ajudar em algo?

— Sim, Helena. Soube que o governo não vai custear a restauração do museu. Muitas alas serão fechadas e talvez ele não tenha a grandiosidade que sempre teve.

— É verdade, Diana. Algumas alas vão continuar, mas a parte que eu mais gostava foi destroçada pela Cisne de Prata. Confesso que perdi o encanto pelo trabalho. — Helena retira alguns buquês do sofá e se deita — Mas vamos esperar o outro dia, não é mesmo?

— Então... sempre tive vontade de abrir uma mostra na embaixada. Existe um salão que eu queria destinar a exposições. Não consigo imaginar outra pessoa em que pudesse confiar. — Helena emudece — Helena??

— Diana... eu ...

— Não precisa me responder agora. Saiba também que tomei a liberdade de encaminhar seu currículo através do professor Ray Palmer para a Universidade de Nova York e ele foi muito elogiado.

— Diana... eu ....

— Inclusive, Julia Kapatelis lhe recomendou ao reitor. — Diana suspira — Helena, quero você e Cassie comigo.

— Certo, Diana. Me dê alguns dias. — Helena desliga o celular e suspira — Deus...

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I'm leaving today
I want to be a part of it
New York, New York
These vegabond shoes
Are longing to stray
Right through the very heart of it
New York, New York
I wanna wake up in the city
That doesn't sleep
And find I'm king of the hill
Top of the heap




 
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