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Mulher-Maravilha # 30

Por JB Uchôa

No Coração da Selva — Parte Final
The Savage Garden

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O grito de Cassandra ecoa pela pequena gruta, o grande homem loiro mostra que utilizou a faca para romper as amarras que prendiam uma Mulher-Maravilha desacordada. Kazar a segura pelos braços e se encaminha até os dois jovens heróis.

— Temos que sair com a maior rapidez daqui, os Metamorfos estão em maior número e estamos em ambiente fechado.

— Hã... nós meio que demos um jeito neles. — Cassandra coça a cabeça e dá um sorriso desconcertado — A gente só não acertou o cabeção.

— Imago é o mais perigoso, garota. — Kazar deita Diana no chão e verifica sua pulsação — Eu não diria que ela está apenas desacordada, mas parece induzida ao sono.

— Tipo um coma? — pergunta Superboy — Será que eu fiz isso? Eu a acertei várias vezes quando estava dominado por esse tal de Imago.

— Não creio, jovem. Acho que Imago a sugestionou ao sono, vendo que tinha uma oponente formidável. Por sorte, parece ter subestimado vocês. — Zabu aproxima-se da Mulher-Maravilha e cheira seus cabelos, pescoço, corpo e pés — Concorda comigo, garotão? — como em resposta, o descomunal dentes-de-sabre lambe o rosto de Diana seguidas vezes, fazendo com que desperte.

— Grande Hera!! — a amazona acaricia o pescoço do animal e sorri — Você deve ser Kazar, senhor da Terra Selvagem. — o homem de torso nu responde com um meneio de cabeça e oferece a mão para ajudá-la a se levantar — Meu nome é Diana, obrigada.

— Eu a conheço, Mulher-Maravilha. Apesar de possuirmos pouca tecnologia na Terra Selvagem, Tempestade nos garantiu arquivos com os maiores justiceiros do planeta para sabermos em quem poderíamos confiar.

— Só estão um pouco desatualizados — diz Cassie — Ninguém aqui sabe que eu sou a Garota-Maravilha!

— Se duvidar, no arquivo ainda consta Donna. — a piada do jovem garoto de aço ilumina um sorriso no rosto de Diana e provoca em Cassie uma careta.

— O tempo urge, Mulher-Maravilha. A pequena informou que deteve a maioria dos Metamorfos, mas é prudente que demos o fora daqui com a maior rapidez possível.

— Certamente. — responde a amazona, empunhando o laço dourado.

— Podemos nos abrigar com Cirel.

Themyscira

Nas margens da Ilha Paraíso, Hipólita joga um manto azulado sobre a cabeça de sua montaria, que reage com um movimento brusco de cabeça.

— Calma, menina, é só para fazermos a travessia. — a rainha das amazonas enlaça o pano, cobrindo assim os olhos do belo animal.

— Saindo na calada da noite sem a sua capitã da guarda, majestade? — Phillipus esgueira-se por fora das sombras e Hipólita a fita com ternura — Poderia me dizer o que está ocorrendo, minha rainha?

— Phillipus... — Hipólita amarra a égua no barco e pousa suavemente as mãos nos ombros da amazona — estou saindo em missão.

— Sozinha? Deveria levar algumas guerreiras consigo, posso me arrumar junto com Mala e Io antes do nascer do sol.

— Amada amiga, estou indo cumprir uma missão dos deuses. Devo ir sozinha. — Hipólita beija ternamente o rosto da companheira de batalhas, coloca sua montaria no barco e cruza os braços acima da cabeça, tocando seus braceletes um no outro — Chame Diana.

Phillipus mantém a cabeça erguida com o olhar fixo no horizonte até Hipólita sair de seu campo de visão. Phillipus baixa os braços e fita seu reflexo nos braceletes e com a mão direita enxuga as lágrimas que correm em sua face. Ela permanece ali parada, talvez orando que os deuses tragam a rainha de volta ou apareçam para ela e a mandem correr o mundo junto com Hipólita. Uma rainha, ela pensa, não deveria sair sozinha, mesmo sendo uma das maiores guerreiras de seu tempo.

A aurora de um novo dia na Ilha Paraíso se inicia com as matizes alaranjadas e vermelhas, anunciando a chegada do sol de Apolo. Os ventos cavalgam pela areia branca e brilhante, castigando suas pernas. Com o raiar de um novo dia, soam-se as trombetas e, finalmente, quando as matizes cor de fogo já desapareceram, e o astro-rei já não toca mais o mar, Phillipus se vira e caminha até os portões de Themyscira. É chegada a hora de dizer que pela primeira vez em séculos a Ilha Paraíso está sem sua rainha.

Terra Selvagem

Cassie Sandsmark desperta com as frestas de sol iluminando seu rosto, seu sono foi tranqüilo, se considerarmos toda a atividade do dia anterior. Ela olha pra Kon-El, que dorme ao seu lado, e lhe rouba um beijo.

— Bom dia, gatão.

— Bom dia! — responde o garoto, se espreguiçando — Que horas são?

— Não tenho nem idéia, mas acho que não deve ser tarde. Diana já se levantou, deveríamos fazer isso também. — Superboy levanta-se e veste sua camisa enquanto Cassandra passa a mão nos cabelos e os prende em um rabo-de-cavalo — Nossa, devo estar medonha.

— Você está linda!

— Imagino, meu cabelo sem ver uma escova faz dois dias. — Superboy a beija no rosto e saem da cabana — Uau, eu não tinha percebido ontem à noite como essa tribo é grande!

A Mulher-Maravilha encontra-se mais adiante, sentada em uma mesa junto a Kazar e Cirel.

— Agradeço uma vez mais a hospitalidade, Cirel.

— Não precisa agradecer, Mulher-Maravilha. Kazar tem razão em vocês partirem no meio da noite sem saber se seu transporte tinha sofrido avarias.

— O pouso foi forçado, mas creio que não tenha tido nenhum problema. Algo me angustia, devo partir imediatamente. Passei a noite sonhado com minha mãe e irmãs.

— Não será efeito dos poderes de Imago? — pergunta Kazar, enquanto parte uma fruta, oferecendo metade à princesa.

— Não, Kazar. Infelizmente não é. — Diana morde a fruta — Como é doce!

— Eu também quero um pedaço disso aí! — Superboy e Cassandra sentam-se à mesa e sorriem com um "bom dia" dito em uníssono.

— Peter adoraria conhecer os jovens. — diz Cirel, com seu tom de voz brando.

— Quem é Peter? — pergunta Cassandra, com a boca cheia.

— Peter é filho de Nereel e...

Rainha! Kazar! — Shakani interrompe a refeição dos convidados — Nereel e eu avistamos os Metamorfos, eles estão comandando um estouro de dinossauros por trás do pântano!

— Quanto tempo temos? — Kazar dá um curto assobio, chamando Zabu.

— Poucos minutos até que alcancem a tribo.

— Esvaziem as cabanas, eles irão destruir as casas! — Cirel levanta-se e, antes que possa sair, a Mulher-Maravilha segura sua mão — Vocês devem partir imediatamente, tudo aqui será destruído.

— Não, majestade, esvazie as cabanas por segurança, mas nós vamos conter esses animais! — Diana olha para a Garota-Maravilha e Superboy — Vocês sabem o que devem fazer?

— Sim, Di. — responde Cassie, torcendo a boca — Ajudar a retirar as pessoas para um local seguro.

— Não, Cassie. Você e Kon irão comigo para o campo de frente. — e, virando-se para Shakani e Kazar — Quantos animais são, garota?

— Centenas.

— Quais são os animais, Shakani? — Kazar faz menção para Cirel dar o aviso e evacuar a tribo.

— Brontossauros, t-rex e velociraptors. Dois t-rex, para ser mais exata.

— Os brontossauros são lentos, mas são capazes de causar maior estrago por conta de seu tamanho e peso. Os t-rex são mais ágeis, igualmente destrutivos, e os velociraptors...

— Velociraptors são aqueles bichos do Jurassic Park? — pergunta a Garota-Maravilha, mostrando os dentes e fazendo uma careta.

— São sim, Cassie. Os mais inteligentes. — responde Kon-El — Lembra que eles seguiram os meninos dentro da instalação?

— Kazar, — diz a Mulher-Maravilha, tocando sua mão no ombro do senhor da Terra Selvagem — qual você derrubaria primeiro?

— Os velociraptors.

Diana pede o laço de Cassandra e o entrega a Kazar.

— Esse laço é inquebrável. Será que você consegue conter os brontossauros?

— Talvez.

A Mulher-Maravilha passa o braço pela cintura de Kazar.

— Segure-se firme. Superboy, vamos comigo. Cassie,vá para o jato e ligue-o

— Como assim? Você não acha que eu seria mais útil junto de voc...

— No jato, Cassandra. Você vai ficar lá e me esperar.

Mesmo contrariada, a Garota-Maravilha voa em direção ao jato, enquanto Kazar, Mulher-Maravilha e Superboy voam em direção aos dinossauros. Kazar avista os animais e pede que Diana o solte sobre um dos brontossauros.

— Superboy, prepare o seu melhor soco, nós vamos derrubar os t-rex.

Os brontossauros são animais afáveis, mas estão em pânico. A pequena manada correndo seria capaz de destruir toda a Terra Selvagem em poucas horas. Kazar passa o laço prateado pela boca do animal, criando um arreio, e o puxa. O animal balança o enorme pescoço, fazendo com que Kazar se segure firme para não cair. Em poucos segundos, o animal reduz a marcha, permitindo que o homem loiro pegue impulso e salte para o animal ao lado, utilizando o laço da mesma forma, criando um arreio na boca do animal e mantendo a cabeça colada junto do outro brontossauro, fazendo com que diminuam ainda mais a marcha.

Mais adiante, a Mulher-Maravilha e Superboy voam para um ponto mais alto e preparam-se para pegar impulso.

— Temos que ser rápidos, Kon. Atinja o T-rex, certifique-se que ele está a nocaute e voe para o jato.

— Sim, senhora. Devo dizer algo a Cassandra?

— Certifique-se que os motores estão ligados, e se preparem.

Diana ergue a sobrancelha esquerda e sorri. Kon-El sorri de volta e eles se preparam, parecendo dois borrões vermelhos e azuis no ar. Eles descem, passando por alguns velociraptors, abrindo caminho, e quando estão próximos dos t-rex, mudam o curso do vôo para o alto, atingindo o queixo dos grandes répteis quase que simultaneamente. Os dois dinossauros soltam um largo urro de dor e caem por cima de dezenas de velociraptors, esmagando-os, diminuindo assim a larga vantagem que os Metamorfos teriam. Superboy acena para Diana e voa em direção ao jato invisível, enquanto a princesa amazona voa de encontro a Kazar e o ajuda a domar os sete brontossauros.

— São animais dóceis, Mulher-Maravilha, vamos tentar não machucá-los. A maior é a matriarca. Se ela parar, todos os outros também pararão. — Diana voa de encontro à enorme fêmea e acaricia sua cabeça, dizendo palavras doces, quase melodiosas. De repente, o animal pára, e conseqüentemente, todos os outros também.

A bordo do jato invisível, Cassandra segura firme o manche e dá a partida.

— Graças aos deuses, funciona! — a escotilha se abre e Superboy entra — Kon? Diana disse alguma coisa?

— Não, mas eu tenho uma vaga idéia do que ela pretende fazer.

— Será que vai dar certo?

— Se a Mulher-Maravilha fizer o que eu acho que vai... vai dar muito certo!

Enquanto Kazar retira o laço dos brontossauros e os guia calmamente de volta para os pântanos, Diana voa o mais rápido possível sobre os velociraptors, ganhando vantagem. Ainda são centenas de animais, que correm em direção à vila das Tribos Unidas da Terra Selvagem. No meio do percurso, encontra-se o jato invisível. A Mulher-Maravilha derruba uma enorme árvore, forçando os velociraptors a mudarem um pouco o percurso. Superboy plana um pouco acima da aeronave, observando as ações de Diana, e sorri.

— Prepare-se, Cassie! — ele grita — Diana vai fazer exatamente o que eu estava suspeitando!

A Mulher-Maravilha voa de encontro ao Superboy, olhando para baixo e verificando um pouco apreensiva a velocidade com que os velociraptors se movem. Kon-El acena para Diana um sinal de positivo com o polegar. A amazona nota que o garoto de aço já entendeu o que deve fazer.

Cassie, agora! — a Garota-Maravilha segura firme no manche e posiciona o assento. Puxa a alavanca para trás com força total. Os velociraptors correm em bando rumo às Tribos Unidas, rápidos como um enxame de abelhas. O jato invisível solta um longo ronco e começa a cuspir fogo de seus motores, incinerando grande parte dos mortíferos dinossauros. O calor das turbinas e o cheiro de carne queimada fazem com que os velociraptors voltem, abandonando o percurso que faziam em poucos instantes.

Cirel e sua tribo assistem à cena maravilhados do alto de uma colina e explodem em alegria exultante! De cima da matriarca da família de brontossauros, Kazar aplaude e levanta os braços. Cassie desliga os motores, sai do jato invisível e voa até Superboy, que encontra-se com a Mulher-Maravilha. Mais ao longe, Imago e os Metamorfos da Terra Selvagem assistem à vitória de seus inimigos. Diana, Superboy e a Garota-Maravilha permanecem planando, de braços cruzados, fitando Imago e os outros. O líder dos Metamorfos faz um sinal para os outros. Eles se viram e desaparecem nas costas do desfiladeiro. Os gritos de euforia das Tribos Unidas explode uma vez mais, ecoando por toda a Terra Selvagem.

— Conseguimos! — grita Cassandra, eufórica.

— Belo trabalho, meninos. — diz Diana, enquanto os abraça — Hora de ir para casa.

— Diana, — diz Superboy, empolgado — foi a melhor excursão que já fiz na minha vida!




 
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