hyperfan  
 

Liga da Justiça # 15

Por Robson Costa

Negócios Entre Irmãos
Parte II — Assinatura do Contrato

:: Sobre o Autor

:: Edição Anterior
:: Próxima Edição
:: Voltar a Liga da Justiça
:: Outros Títulos

— Alguma pista sobre os outros, Oráculo? — pergunta Fóton ao holograma de Bárbara Gordon.

— Infelizmente, ainda não. Só temos o testemunho do Dr. Estranho, que reconheceu o Grão-Mestre.

— O Capitão América já lhe enviou os dados sobre ele?

— Sim, Mônica. Mas pelo que já coletei com os Vingadores e outras fontes, é muito irrisório o que consegui. Sei apenas que ele é um ancião, um ser que tem a idade do Universo e que nutre grande paixão por jogos.

— É muito pouco mesmo. E quanto ao Dr. Estranho?

— Ele está na sala ao lado.

— Vou ver se ele teve mais sucesso que nós.

Fóton dirige-se à sala indicada por Oráculo. Lá, ela encontra o mestre das artes místicas, de olhos fechados, flutuando em posição de lótus. Ela senta-se em uma cadeira perto e fica observando-o. Dr. Estranho percebe a presença da companheira de grupo. Ele abre os olhos e sai da posição em que estava.

— Alguma boa notícia? — indaga Fóton.

— Infelizmente, não. Enviei minha forma astral para várias dimensões paralelas à nossa, consultei outros místicos e seres mágicos, mas nenhum conseguiu localizá-los. E quanto às suas buscas?

— Também não foram muito produtivas. Apesar de poder viajar à velocidade da luz e visitar outros planetas, o Universo é muito grande para que eu o percorra. Oráculo também não conseguiu nada.

— Notícias de Eléktron e Aço?

— Ainda não se reportaram, mas também acho que eles terão o mesmo desempenho que nós.

— Não se desanime. Não se esqueça que eles formam a Liga da Justiça e mesmo que não consigamos encontrá-los, certamente eles conseguirão encontrar uma maneira de retornar.

— Que as suas palavras se concretizem, Doutor.

— Ai, minha cabeça! Eu já falei que esta história de teletransporte não é coisa de gente normal! — reclama Arqueiro Verde — Onde estamos? Uma hora lutávamos com um monstro saído de um filme B da década de 50 e agora estamos em uma prisão?!

— Também não sabemos, Oliver. — fala Aquaman — Alguma idéia, Batman?

— Não.

— Capitão Marvel, por que você não quebra estas barras? — pergunta Oliver Queen.

— É inútil, Arqueiro. — responde Flash — De alguma forma estamos com nossos poderes reduzidos. Minha velocidade diminuiu, assim como a do Marvel.

— E estou sem a minha superforça e a minha capacidade de voar. — fala Billy Batson.

— Também a minha força foi retirada. — fala Aquaman — E quanto a você e Batman, alguns dos seus apetrechos foram retirados?

De repente, os heróis escutam um barulho vindo de um corredor. Logo surge um estranho ser trazendo um molho de chaves. Ele possui em torno de um metro e meio. Os seus braços são tão grandes que tocam o chão e sua pele é cinza.

— Bom, vejo que todos acordaram! Tenho que avisar o Grão-Mestre para que os jogos comecem. — exclama o alienígena.

— Grão-Mestre?! Onde estamos? — pergunta Batman.

— Vocês estão no planeta Belthanar.

— E por que estamos aqui? — pergunta o Capitão Marvel.

— Ora porque vocês são os novos gladiadores dos nossos jogos. Foi o Grão-Mestre que os trouxe.

— Gladiadores?! Ô, coisinha feia! Que história é essa? — indaga o Arqueiro Verde.

— Nós, os belthanarianos, sempre tivemos paixão por lutas e jogos. Somos conhecidos por toda a galáxia por criarmos as disputas e os jogos mais emocionantes. Esta nossa fama atraiu o Grão-Mestre para cá. E, desde então, firmamos uma espécie de pacto. Ele nos traz os gladiadores para nossa diversão e nós montamos a arena.

— E o que fez com os nossos poderes? — pergunta Batman.

— O Grão-Mestre possui uma série de aparelhos, que só ele controla. São estas máquinas que estão bloqueando os poderes dos seus amigos e que permite que nós nos entendamos. Mas agora chega de perguntas!

E, dizendo isso, o estranho carcereiro pega o molhe de chaves, escolhe uma delas e insere em uma espécie de fechadura em uma parede perto dele. Uma das paredes de dentro da jaula desaparece.

— Agora, vão! — ordena o alienígena.

— E caso não queiramos? — pergunta Flash.

— Tenha certeza que participar dos jogos é a melhor escolha.

— Venha, Wally! — fala Batman — Estamos sem os nossos poderes e equipamentos, em um planeta desconhecido. São muitas as variáveis a serem levadas em conta. Tenha certeza que se eles quisessem, já estaríamos mortos. — conclui, indicando com a cabeça o carcereiro.

Com uma certa relutância, o velocista acompanha os seus amigos para fora da jaula, saindo pela abertura criada pelo alienígena. Os justiceiros demoram um pouco para se acostumar com a luz exterior. Gritos e urros são ouvidos, até que uma voz já conhecida por eles ressoa por toda parte:

— Caros amigos belthanarianos, como lhes prometi: a Liga da Justiça do planeta Terra. — anuncia o Grão-Mestre.

Novos urros são ouvidos. O Ancião dirige-se para os heróis:

— Como vêem, a chegada de vocês era muito esperada e a prova por qual devem passar também é muito especial.

— Qual é o seu interesse nisso tudo, Grão-Mestre? — pergunta Batman.

— Apenas diversão, encapuzado. Se você tivesse a minha idade, saberia o tédio que é ser um ancião. Porém, graças aos meus amigos belthanarianos, agora tenho uma diversão. Vamos ao que interessa: na sua frente há um labirinto. A sua missão é atravessá-lo e chegar ao centro dele. Porém, como devem supor, há uma série de armadilhas e obstáculos para atrapalhá-los. Para que não usem de truques sujos, alguns de seus poderes foram reduzidos e alguns de seus apetrechos foram retirados.

— E se chegarmos ao centro do labirinto, o que ganhamos? — pergunta Aquaman.

— A volta para casa. Isso eu lhes garanto.

— Então, morcegão? O que você acha? — pergunta o Arqueiro Verde.

— Temos que contar com as habilidades que ainda temos. Flash perdeu a velocidade, mas ainda possui reflexos mais rápidos que uma pessoa normal. Marvel e Aquaman tiveram a força reduzida, quanto a nós, ainda possuo alguns batarangues e você, algumas flechas.

— Grande vantagem! — exclama Flash.

— O que precisamos é nos organizarmos. Toda a nossa ação deve ser bem coordenada para que tenhamos sucesso. Ninguém tome nenhuma atitude precipitada, sem me consultar. Entendeu, Oliver?

— OK, OK. Serei o seu aluno mais aplicado.

— Estamos prontos, Grão-Mestre. — avisa Batman.

O ser galáctico apenas sorri e pressiona um botão. A porta do labirinto se abre e, cautelosamente, os heróis vão entrando na construção. Quando o último encontra-se dentro do labirinto, o Grão-Mestre anuncia:

— Que o jogo tenha início!

O som das batidas reverbera por toda a nave.

— Não consigo quebrar esta prisão! — afirma Super-Homem — Não sei do que é feita esta jaula, mas está resistindo aos meus golpes mais fortes.

— Aos meus também. — diz a Mulher-Maravilha — E você, Jonn?

— Também é inútil e também não consigo atravessá-la.

— A minha espada e os meus poderes também foram inúteis. — fala Zauriel.

— Onde estamos? E por que alguém capturaria a nós quatro? E o que foi feito do resto da Liga? — pergunta Super-Homem.

— Eu possuo as respostas para todas as suas indagações, kryptoniano.

Os heróis olham para a direção que veio a voz e logo surge diante deles, o Colecionador.

— Eu me chamo Colecionador. Desde os primórdios deste Universo, a minha paixão é coletar os espécimes mais raros para a minha coleção intergaláctica. E assim tenho feito toda a minha vida. Apenas a Terra é que me traz problemas e não tenho espécimes de lá. Mas apenas por enquanto...

— Então somos parte de uma espécie de zoológico espacial? — pergunta, irada, a Mulher-Maravilha.

— Por assim dizer, amazona. Vocês, membros da Liga da Justiça, são espécimes bastante raros: o último kryptoniano vivo, o último marciano vivo, um anjo e a princesa das amazonas. Além, é claro, do último remanescente da Tropa dos Lanternas Verdes.

— Kyle está aqui? E os outros? — pergunta Super-Homem.

— O Lanterna Verde também foi capturado junto com vocês. Quanto aos seus outros amigos, não tive interesse neles, por enquanto...

— E onde ele está? — pergunta o Caçador de Marte.

O ancião sorri e, então, estala os dedos. Do mesmo corredor de onde ele veio, surge Kyle Rayner, bastante machucado, empurrando um carrinho.

— Kyle?! Por Rao, o que você fez com ele? — pergunta Super-Homem, investindo contra o Colecionador, mas sendo detido pela jaula.

— Dele só me interessava o anel para minha coleção de armas galácticas. Apenas não quis despachá-lo de volta para a Terra e coloquei para alimentar os meus espécimes. Porém, parece que demorou em entender...

— Não se preocupem, amigos. Estou bem. — tranqüiliza Rayner.

— Bom, cumpra a sua obrigação e vá ao setor 4K. As feras valthusianas ainda não receberam comida hoje. E quando mais famintas elas ficam, mais incontroláveis.

O ancião sai do recinto, indo para outro setor da sua nave. Kyle prepara os pratos de seus amigos.

— Kyle! Por Hera! Você está bem mesmo? — pergunta a Mulher-Maravilha.

— Não se preocupe, princesa. Já estou um pouco melhor. "Aceitei" a proposta do Colecionador mais para encontrar uma forma de soltá-los.

— Obrigado, Kyle. — diz Zauriel — Mas já tem algum plano ou descobriu alguma coisa?

— Ainda não. Pelo que eu percebi, estas jaulas, onde vocês estão, produzem defesas e proteções automáticas para deter os seres que estão presos nelas.

— Então, é por este motivo que estamos em jaulas separadas e nenhum dos nossos poderes afeta nossas prisões. — conclui Jonn Jonzz.

— Exatamente. A única saída é uma ação vinda do exterior da jaula. — fala Super-Homem.

— Por isso que eu fiquei. Mas de qualquer forma, ainda há os nossos colegas que não foram capturados...

— O problema é que eles não têm idéia do que nos aconteceu e nem sabemos o que o Colecionador fez com eles. — fala a Mulher-Maravilha.

— Não vamos nos desesperar. Kyle, continue com as suas tarefas. Iremos encontrar uma maneira de sairmos daqui.

— Está certo, Super-Homem. Pronto, tomem a sua refeição. Apesar de tudo, o Colecionador trata bem os seus espécimes. Agora devo ir. Ainda há outros a serem alimentados.

Kyle afasta-se, levando o carrinho, deixando os seus colegas de grupo.

— Pode até ser que sejamos bem tratados. — fala Super-Homem, enquanto mexe com o talher a refeição servida por Kyle — Mas não somos objetos a serem expostos ou colecionados. O Colecionador não perde por esperar quando sairmos daqui.

A clava choca-se contra a parede do labirinto, enquanto Batman desvia-se. Batman olha, então, para o seu adversário. Tem pelo menos 3 metros de altura e quatro braços. O seu aspecto é humanóide. Não fala, apenas grunhe ou urra. Quando ele percebe que errou, solta um grunhido de raiva.

— Agora, Oliver! — ordena Batman.

Arqueiro Verde dispara uma das suas flechas que atinge em cheio a palma de uma das mãos do monstro. Ele grita de dor e solta a clava. Marvel pega a clava e, usando da força que lhe restou, desfere um violento golpe. O monstro é jogado alguns metros para trás. Cai, mas logo começa a se levantar.

Batman retira de um de seus batarangues uma corda e joga uma das pontas para Flash e a outra para Aquaman. Os heróis esticam a corda e correm em direção do adversário. O monstro é pego de surpresa e derrubado de novo. Rapidamente, Flash envolve as pernas e os braços, imobilizando-o. Ele tenta se soltar, mas não consegue.

— Esta corda agüenta o monstrengo? — pergunta o Arqueiro Verde.

— Não se preocupe. Vamos, ainda temos muito que andar neste labirinto. — ordena Batman.

A platéia assiste admirada a exibição dos heróis terráqueos e, logo, explode em vibração. Grão-Mestre sorri, enquanto toma um copo de bebida.

— Diacho! Já enfrentamos de tudo neste labirinto. — fala Capitão Marvel — Gladiadores, monstro de quatro braços...

— Batman, você acha que somos apenas uma diversão para estes alienígenas ou tem algo mais por trás? — pergunta Aquaman.

— Arthur, há algo maior, mas ainda não percebi o quê. Por enquanto, continuamos com o joguinho do Grão-Mestre. Oliver, ainda tem flechas na sua aljava?

— Sim, Morcegão. Mas não muitas.

— Meus batarangues e outros apetrechos também estão acabando. Temos que otimizar o uso das suas flechas e dos meus equipamentos.

— Ainda bem que ainda temos um pouco da força do Aquaman e do Capitão Marvel e os meus reflexos. — fala Flash.

— Sim. Mas até quando?

De repente, um rugido é ouvido e, antes que nossos heróis se posicionem, uma rajada de fogo é disparada na direção deles. Os justiceiros jogam-se no chão, escapando por pouco. Um dragão surge, cuspindo labaredas.

— Isto é o que chamo de sair da frigideira para cair no fogo! — exclama Oliver Queen.

— É minha impressão ou está muito mais quente aqui, mesmo sem o dragão cuspir fogo? — pergunta o Capitão Marvel.

— Você está certo, Marvel. — fala Aquaman — Batman, já faz algum tempo que estou afastado da água e este calor está me afetando mais rápido do que a vocês.

— Sim. Liga, preparem-se. Marvel, tome. — fala Batman, jogando para o companheiro uma pequena cápsula.

Marvel pega a cápsula. Levanta e corre em direção ao dragão. Antes que o animal possa reagir, Marvel pula e joga para dentro da boca do monstro o objeto atirado por Batman. Logo uma espuma surge cobrindo toda a boca do dragão. O animal assusta-se e foge. Porém, acaba atingindo com a cauda o Capitão Marvel, que se choca ruidosamente contra a parede do labirinto.

— Capitão! — grita Flash, e antes dos seus companheiros pudessem reagir, o velocista já se encontra perto do herói caído.

— Como ele está? — pergunta Aquaman.

Flash toma o pulso e respira aliviado.

— Aparentemente, está tudo bem.

Capitão Marvel, aos poucos, abre os olhos. Passa a mão na cabeça, no local que bateu na parede.

— Diacho! Se não fosse por Aquiles e Atlas...

— Justiceiros! Vamos continuar! Ainda temos muito que andar. — fala Batman.

Aquaman e o Arqueiro Verde ajudam o Capitão Marvel a se erguer. Ele olha em direção de Batman e percebe um sorriso furtivo. Ele sabe que é a forma de parabenizá-lo. Os heróis continuam o percurso do labirinto, enquanto novamente a platéia explode em júbilo.

— Eles realmente são muito bons. — pensa Grão-Mestre — Mas veremos se são mesmo a lenda que dizem ser ao atingirem o centro do labirinto.

Um pequeno sorriso surge na face do ancião, enquanto continua tomando a bebida da sua taça.




 
[ topo ]
 
Todos os nomes, conceitos e personagens são © e ® de seus proprietários. Todo o resto é propriedade hyperfan.