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Liga da Justiça # 21

Por Robson Costa

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Latvéria, país localizado na parte central da Europa, é uma nação fechada ao mundo globalizado, governada com mãos de ferro por Victor Von Doom. Para ocultar uma deformidade, o tirano utiliza uma armadura e uma máscara de ferro que cobre o seu rosto. Desde então, Doom adotou o nome de Dr. Destino. O país sempre teve as suas fronteiras fechadas, mas agora, neste período de globalização, mesmo Latvéria teve que se render à economia mundial. Neste momento, um grupo de empresários está visitando o pequeno país europeu, no intuito de instalar filiais de suas empresas. Esta viagem está sendo criticada por vários organismos internacionais, como a Anistia Internacional, e alguns heróis, como Reed Richards, líder do Quarteto Fantástico:

— Dr. Destino tem um histórico de violação aos direitos humanos, além de ser uma ameaça sempre presente à paz mundial, combatida por vários heróis como os Vingadores e o Quarteto Fantástico.

Apesar dos protestos de pessoas como Reed Richards, o primeiro grupo de empresários norte-americanos interessados em acordos com a Latvéria chega hoje ao país. Para a surpresa de muitos, o grupo está sendo liderado pelo milionário Bruce Wayne, presidente e herdeiro das poderosas Wayne Enterprises, que só enfrentam concorrência de outras mega-empresas como Lexcorp ou Stark Enterprises. Agora, as notícias sobre esportes...


Oliver Queen desliga a televisão e fica tentando imaginar qual será o plano do Batman. Ele levanta da poltrona e caminha até a janela da sua residência. Observa a lua e pensa na Liga. Ele conseguiu ficar, mas o clima não está bom. Por enquanto, ele está enganando Gyrich e a comissão. Mas até quando?

"Tenho que ter aquela conversa com o Super-Homem logo, pelo bem da Liga e da missão do Batman na Latvéria." — pensa.

Bruce Wayne coloca os seus óculos escuros e rapidamente percorre o corredor de desembarque, seguido de perto por Lucius Fox e Bárbara Gordon. Os três são saudados por um grupo de moradores e Wayne os cumprimenta, acenando para todos. Bárbara admira-se neste momento. Sabe que Bruce Wayne é o disfarce para a verdadeira identidade, Batman. Mas agora, vendo no seu papel de milionário despreocupado, Bárbara até poderia imaginar que é Batman o disfarce. No final do corredor, dois imensos robôs guardam a porta de entrada. Parecem ameaçadores, mas logo surge entre eles Sven Marik, assessor de Doom para tratar com os empresários que querem investir na Latvéria.

— Sentinelas! — ordena o assessor para os autômatos — Estes visitantes estão liberados de passar pelo scanner morfológico. Apenas dêem passagem para eles. Bom dia, senhor Wayne. Senhor Fox, prazer em conhecê-lo. Como foi a viagem?

— A mais agradável possível. O serviço de bordo Latverian Airlines é muito bom! — responde Bruce Wayne.

— Fico satisfeito com isso. Agora pegaremos a limusine que nos levará ao castelo de Victor Von Doom para que ele possa conhecê-los, e depois faremos uma visita a vários lugares, que achamos que são perfeitos para a implantação das suas empresas.

Enquanto entram na limusine, Fox olha para trás, respirando aliviado pela intervenção de Marik.

"Preocupou-se, J'onn?" — pergunta telepaticamente Batman.

"Sim, se tivessem me descoberto no aeroporto, nosso plano estaria totalmente comprometido."

No caminho, Bárbara nota uma aparente felicidade nos latverianos. Ela acha absurda a população se vestir como pessoas do século 19 enquanto no castelo de Doom há a mais inovadora tecnologia. Porém, mantém-se calada enquanto o carro percorre o caminho até o castelo. Na porta do castelo, está Bóris, secretário e braço direito do ditador.

— Bóris! Estes são Bruce Wayne, Lucius Fox e a secretária deles, Bárbara Gordon. — fala Sven — Poderia levá-los a audiência com o dr. Doom, enquanto recepciono os próximos visitantes no aeroporto?

— Senhores! Senhorita! Por aqui.

Os visitantes seguem Bóris por todo castelo. Portas maciças abrem-se automaticamente, dando passagem ao grupo. Por fim, eles chegam no salão principal do castelo. Sentado no trono, está Dr. Destino. O tirano faz um sinal e robôs surgem, trazendo bandejas contendo bebidas. Todos os visitantes se servem.

— Espero que gostem do vinho latveriano. — diz Doom — Sempre foi o melhor da Europa, mas após a Segunda Guerra, várias de nossas parreiras foram destruídas e mudas roubadas pelos nazistas. Consegui recuperar algumas geneticamente e melhorá-las. O que acham?

— Estupendo! — fala Bruce Wayne — Percebo que os acordos que as minhas empresas e o seu país farão serão lucrativos para todos.

— Desculpe-me interrompê-los. — fala Fox — Mas, Bruce, lembra que comentei no vôo que temos que passar alguns fax e e-mails?

— Ha, ha! Desculpe o Lucius. Sempre preocupado com os negócios. Nunca descansa. Férias para ele são pior que castigo. Mas, de qualquer forma, será possível que haja uma sala para que a minha secretária possa fazer estes serviços?

— Não se preocupem. Bóris, leve a secretária do senhor Wayne aos seus aposentos. Lá há toda uma infraestrutura para que ela possa enviar fax e e-mails.

— Agradeço, Dr. Doom. Bárbara, cuide de tudo agora, OK?

Bruce pisca o olho disfarçadamente para Bárbara, que lhe responde. Ela então segue o braço direito de Doom por um outro corredor.

— Agora, senhores... — diz Doom — Levá-los-ei para conhecer o meu amado país.

Bruce e o Caçador de Marte, disfarçado de Lucius Fox, seguem o tirano por uma outra porta.

— Espero que esteja bem acomodada. O quarto foi preparado para atender às suas necessidades.

— Obrigada, Bóris. Está tudo muito agradável. Agora, se me disser licença, preciso fazer o que meu patrão solicitou.

— Sim, com licença. Qualquer coisa que precisar, basta pressionar a campainha.

Bóris sai e Bárbara respira aliviada. Ela abre a sua bolsa e pega um batom. No momento que abre, um flash preenche todo o quarto.

"Pronto! Agora, câmeras e microfones estão inutilizados." — pensa.

— Podem sair, rapazes.

Da bolsa, saem Eléktron e uma bola saltitante que logo toma a forma do Homem-Borracha.

— Está tudo limpo, Oráculo? — pergunta Ray Palmer.

— Sim. Temos algum tempo até que eles venham vistoriar a pane. Mas é o tempo necessário para que vocês possam se infiltrar.

Oráculo conecta o seu laptop à rede de computadores. Inicialmente, executa um programa que envia fax e e-mails para encobrir a verdadeira missão. Ela executa um programa espião, que, por fim, dá acesso aos computadores do castelo.

— Pronto! Agora vamos acessar as estruturas de ar condicionado e de telefonia.

— Excelente! — diz Palmer — Eu e O'Brien poderemos nos infiltrar facilmente. Estas tubulações percorrem todo o castelo.

— Irei reclamar com o morcego. Primeiro, me tira das minhas férias. Depois, me enfia em uma bolsa e, agora, em vez de fazer turismo pela Latvéria, vou percorrer tubulação de ar?! — reclama o Homem-Borracha.

— Cuidado que há algumas defesas! — mostra Bárbara Gordon, ignorando os protestos do colega.

— Muito bem! Então vamos lá.

Eléktron reduz mais o seu tamanho e entra pelo aparelho telefônico. Homem-Borracha altera a sua forma, afinando até poder passar por uma entrada de ar condicionado.

— Agora vamos instalar outros programas para continuar a pesquisa.

"J'onn! Já estamos infiltrados."

"Excelente, Bárbara. Também estou fazendo investigações telepáticas, mas até agora nada. Provavelmente Doom teve possuir defesas mentais. Qualquer coisa que descobrir, me avise."

Uma das coisas que Oliver Queen mais detesta são teletransportes. Todos já lhe falaram que ele se acostumaria, mas toda vez que tem que usar, enjoa e precisa esperar se recobrar.

— Passando mal de novo? — pergunta Flash.

— Sai daqui, vermelhinho. Posso estar mal, mas ainda consigo enfiar uma flecha no seu traseiro antes que você consiga sumir daqui.

Flash desaparece, rindo. Queen, já recuperado, dirige-se ao monitor. Hoje é seu dia de plantão. Quando chega na sala, só encontra Gyrich e o Super-Homem.

— Senhor Arqueiro, está dez minutos atrasado. — diz Gyrich.

— Desculpe-me, agente. Uns traficantes em Seattle demoraram em perceber quem é que manda por lá. Tentarei ser mais pontual da próxima vez.

— Muito bem. Irei me retirar para os meus aposentos.

Gyrich sai. Arqueiro Verde olha na direção de Super-Homem. Desde que a comissão da ONU assumiu o controle, o kryptoniano nunca mais se recuperou. A missão na exposição contra o Quarteto Terrível era comentada por todos, principalmente pelo que foi dito.

— Azulão, quero ter uma conversa bem séria com você.

Super-Homem levanta a cabeça e olha nos olhos do colega.

— Eu sabia que tudo o que você estava fazendo era uma encenação.

— Eu sei que você desconfiava.

— Meus parabéns! Enganou a todos, principalmente o Gyrich.

— Obrigado, valeu o tempo que fiz um pouco de teatro. Mas este não é o assunto. É sobre você e a Liga.

— Desculpe-me, Queen. Mas isto também é um assunto encerrado. A Liga agora é da ONU e...

— Ora, cale a boca, azulão! Cara, quando você surgiu, era uma luz de esperança para todos nós. Lembro que muita gente lhe chamou de anjo. Você me inspirou e muito em me tornar o que sou. Todos lhe respeitam, inclusive a velha guarda, como o Pantera, o Joel Ciclone e outros.

— Arqueiro, agora os tempos são outros. Talvez o "escoteirão" aqui não tenha mais lugar.

— Errou novamente, cara. Você é mais necessário do que nunca. Isto que aconteceu não passa de conchavos e coisas pequenas. Infelizmente a humanidade é capaz de golpes tão baixos que acho que até ela duvida. Mas você e a Liga são maiores que isso. Quando o Batman me procurou, disse que a Liga estava muito poderosa e que precisava de um pouco de humanidade e que eu daria este olhar que faltava. Foi por isso que fiquei. Uma das coisas que mais admiro em você é esta capacidade de saber o que é certo e o que é errado. Isto é natural em você. É disto que a Liga precisa. Este é o seu dom: saber o que é mais importante! Pense nisso, azulão!

Arqueiro Verde retorna para o monitor, deixando o seu colega pensando em suas palavras.

— O jantar estava delicioso! — diz Bruce Wayne.

— Fico contente em saber que atendi gosto tão refinado. — fala Dr. Destino — E ainda mais com os acordos assinados.

— Ora, o seu país é muito bonito e as Wayne Enterprises estão satisfeitas em ajudar a Latvéria a ocupar o seu lugar neste novo mundo.

"J'onn! J'onn! Achei! Achei os mísseis!" — avisa telepaticamente o Homem-Borracha.

"Está certo, O'Brien. Avise Oráculo da localização."

— Algum problema, sr. Fox? — pergunta Doom.

— Hã?! Desculpe-me, dr. Doom. Uma pequena dor de cabeça repentina. A estafa e o stress de coordenar as empresas me causam isso. Mas irei para os meus aposentos tomar um comprimido.

— Mas antes de nos deixar, gostaria de lhes apresentar um dos meus ministros. Sr Wayne, sr. Fox, gostaria de lhes apresentar Vandal Savage, meu ministro de assuntos internacionais.

Vandal Savage adentra a sala de jantar. Batman e o Caçador de Marte se contêm para não demonstrar os sentimentos e cumprimentam cordialmente o vilão, como se não conhecessem.

— Onde o seu ministro estava que não nos acompanhou na admirável visita que fizemos? — pergunta Wayne.

— Estava ocupado em uma outra missão que o nosso regente havia me passado. E gostaria de lhe comunicar que também obtive sucesso nela.

— Excelente! Duas ótimas notícias na mesma noite até leva a desconfiar de alguma coisa. — diz Doom — Mas o momento agora é para comemorar! — e, no mesmo instante, robôs trazem mais vinho para os presentes.

— Senhores! Um brinde para a nova Latvéria! Saúde!

Eléktron e Homem-Borracha esperam a chegada dos seus colegas. Eléktron observa o seu colega assumir várias formas. "Para desenferrujar", como ele disse.

— Muito bem, onde estão?

A aparição repentina de Batman e J'onn J'ozz assusta O'Brien, que assume a forma de uma galinha. Eléktron também foi surpreendido, mas disfarça.

— Depois daquela porta. E como vocês fizeram para tirar o disfarce?

— Bruce Wayne e Lucius Fox receberam uma ligação pedindo a presença deles com urgência em Paris, feita pela Oráculo, que também chamou um jatinho da Wayne Enterprises para vir nos pegar. Depois que decolamos e ficamos fora do espaço aéreo latveriano, pousamos o jatinho. Quem estava pilotando era Alfred. Eu e J'onn retornamos para o castelo, enquanto Oráculo está com Alfred nos passando as informações necessárias. — responde Batman.

— Ela está nos acompanhando através de uma microcâmera no capuz do Batman. — complementa o Caçador de Marte.

— Muito bem. Vamos! — fala Batman.

O quarteto de heróis avança então sorrateiramente, passando pelos guardas robôs de Destino até chegarem na porta indicada por Eléktron. O diminuto herói invade os sistemas de segurança e, seguindo as orientações passadas por Oráculo, destrava a porta. Os heróis entram. Do outro lado, estão num imenso galpão, onde os mísseis russos estão posicionados nos silos prontos para dispararem.

— Está tudo preparado para ser utilizado! O que eles pretendem? — pergunta J'onn J'onzz.

— Ainda não sei. Provavelmente esta era a missão que Savage falou. — responde Batman — Vamos para os controles.

Rapidamente os heróis percorrem o galpão até chegarem à sala de controle. Lá, perplexos, descobrem os destinos dos mísseis.

— Londres! Paris! Moscou! Tóquio! Los Angeles! — fala Eléktron.

— Este pessoal não viu "O Dia Seguinte"? — pergunta o Homem-Borracha, assumindo a forma do general Patton.

De repente, todas as luzes são acesas. Do alto de uma plataforma voadora, surgem Dr. Destino, Vandal Savage e Pórtex. Vários robôs aparecem de vários lugares.

— Liga da Justiça! Meus parabéns! Poucas pessoas conseguiram burlar o meu sistema de segurança. — fala Doom — Mas, hoje à noite, o assunto que me traz aqui é muito importante para mim.

— O que vocês pretendem fazer, disparando estes mísseis contra estas cidades? — pergunta Batman.

— Apenas uma reunião de família, Batman.

— Robôs, ataquem! — ordena o Dr. Destino.

Logo os robôs avançam contra os heróis. O Homem-Borracha expande o seu corpo para encobrir um grupo deles e fazer com que se choquem uns contra os outros. Batman desvia dos disparos de alguns, enquanto joga um batarangue especial explosivo. Eléktron salta de robô para robô, causando danos internos e curtos-circuitos. O Caçador de Marte destrói alguns com a sua superforça e outros com as suas rajadas oculares. Os vilões assistem impassíveis à luta. Savage, então, cochicha no ouvido de Doom. Batman observa a conversa entre eles, enquanto derruba outro robô.

— Esta luta já demorou demais! — fala Doom, apertando um dos botões da luva da sua armadura.

Naquele instante, dispositivos saem das paredes do galpão e disparam ondas de força contra os heróis. Primeiro, os poderes de todos são bloqueados. Depois, eles são tomados por dores fortíssimas, os incapacitando. Um a um vão caindo. Savage sorri, sendo acompanhado pelas gargalhadas metálicas do Dr. Destino.

Em quanto isso, do outro lado da fronteira, Oráculo e Alfred observam horrorizados o final da luta.

— E agora, senhorita Gordon? — pergunta Alfred — O que podemos fazer?

— Só há uma esperança para eles: a Liga da Justiça.

Oráculo acessa o seu laptop e envia uma mensagem de socorro para a equipe.

Nova York

Dr. Estranho adentra abruptamente a sala onde está o Globo de Agamotto. Há poucos instantes, o seu amuleto, o Olho de Agamotto o tinha avisado de um perigo. Invocando os poderes do Globo, ele observa o que está para acontecer.

— A Liga da Justiça tem que ser avisada sobre isso!

Base da Liga

Um sinal luminoso de socorro no monitor chama a atenção de Gyrich. Ele se aproxima e, aproveitando que nenhum herói se encontra no momento, acessa a mensagem.

— Liga! Aqui quem está falando é a Oráculo! Batman, Homem-Borracha, Eléktron e J'onn descobriram os mísseis russos, mas foram capturados pelo Dr. Destino e Savage. Eles estão precisando da ajuda de vocês. Venham o mais rápido possível!

Gyrich sorri e então apaga a mensagem dos registros.




 
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