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Liga da Justiça # 23

Por Robson Costa

Nova Era

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A Mulher-Maravilha caminha entre os destroços do exército de robôs do Dr. Destino. Todos os membros da Liga estão bem, apenas cansados. Do céu, ela divisa os heróis que saíram para deter os mísseis disparados por Savage. Super-Homem pousa a seu lado. De dentro do castelo, surgem Batman e Eléktron.

— Onde estão Destino e Savage? — pergunta Super-Homem.

— Estão presos no túnel por onde tentavam escapar. Destino está imobilizado em sua armadura e Savage está muito bem amarrado. — responde Batman.

Super-Homem abraça o colega. A Liga passou por privações, mas no final a amizade e o respeito que cada um dos integrantes tem levaram o grupo adiante. Mulher-Maravilha também partilha daquele abraço.

— Azulão — fala Arqueiro Verde — estou muito orgulhoso de você.

— Obrigado, Ollie, mas se não fosse o seu discurso e a nossa amizade, não despertaria da inércia que mergulhei.

— O que lhe despertou foi seu dom.

Lanterna Verde surge trazendo os dois vilões. Super-Homem, então, se aproxima de Victor Von Doom.

— Dr. Destino, precisamos conversar.

— O que deseja, herói? — fala com desprezo o tirano.

— Propor um acordo. Eu sei que atualmente você está buscando ser aceito na comunidade européia. É necessário que você seja visto como um líder e não como um tirano opressor. A minha proposta é a seguinte: entregue Savage e Pórtex à justiça russa para que paguem pelos seus crimes. Nós diremos que viemos aqui para auxiliá-lo contra eles. Ter sua imagem relacionada com um terrorista conhecido e caçado mundialmente não fará bem a sua imagem de líder mundial.

— E se me recusar?

— Você está imobilizado na sua armadura. Muitos de seus robôs estão destruídos. Você não tem como se defender ou atacar neste momento. Os seus atos passados são conhecidos e tenho certeza que a ONU ou a OTAN nos apoiariam no sentido de instalarmos aqui uma democracia e levá-lo a julgamento em Haia.

— Você está me ameaçando, Super-Homem? Você quer dizer que a minha permanência no trono da Latvéria depende do aval da Liga?!

— Este é o acordo, Destino. Aceita ou não?

— Muito bem. — Destino fala, após refletir um pouco — Como você quiser.

— Maldito! — grita Savage — Você me entregou aos cães! Miserável! Mald...— Kyle envolve a boca do vilão com uma mordaça criada por seu anel.

— Aço e Eléktron o ajudarão a colocar a sua armadura em funcionamento novamente. — fala Super-Homem.

Enquanto os dois heróis começam o seu trabalho na armadura do Dr. Destino, Batman aproxima-se de Super-Homem.

— Você não acha que este é um jogo perigoso? Um acordo com Dr. Destino, mantendo-o em liberdade...

— Bruce, eu também não gostei de fazer isso tanto quanto você, mas sei que, no momento, não há outra opção para Latvéria. É um país pequeno, mas bastante conturbado. Além do mais, há toda a tecnologia de Destino. Quem colocará as mãos nela? Quem administrará? ONU? OTAN? E se algum grupo terrorista tiver acesso a ela? Prefiro uma ameaça que conheço a um futuro incerto.

— Muito bem. Não concordo, mas aceito sua decisão. Além do mais, Destino pensará duas vezes antes de tentar alguma coisa novamente.

"Boa tarde! A principal notícia de hoje é a prisão do terrorista internacional Vandal Savage e de seu cúmplice, Pórtex, pela Liga da Justiça. O vilão tinha se escondido na Latvéria. O monarca do pequeno país europeu, Dr. Destino, entrou em contato com a equipe de super-heróis, que capturou o bandido. Dr. Destino entregou os dois prisioneiros à Rússia. O ato do monarca latveriano foi visto com muitos bons olhos por todos os líderes europeus. Com a visita de empresários que aconteceu esta semana e a prisão de Savage, há grandes expectativas que a Latvéria seja convidada a fazer parte da União Européia. O primeiro-ministro..."

De repente, o monitor explode com o raio disparado por Doom. Ele nunca se sentiu tão humilhado, nem mesmo nas suas várias derrotas nas mãos do Quarteto Fantástico. Mas ele saberá esperar. No final, o que compensa ao vilão é saber que Savage estará encrencado com a justiça russa durante um bom tempo. Ele é um adversário aos seus planos de dominação mundial, já que almeja o mesmo objetivo.

Calmamente, o vilão saboreia o vinho servido por seus robôs.

Mefisto gargalha no Inferno. Ele observa Dr. Destino por um globo de cristal. Mais uma vez a tentativa do tirano em resgatar a sua mãe foi um fracasso. O demônio sabe que a alma do vilão já lhe pertence e que a reunião familiar acontecerá.

"Breve..." — ele pensa, e novamente gargalha.

— O quê?! — exclama surpreso Henry Peter Gyrich.

— É o que já lhe disse, agente. — fala Nick Fury — A Assembléia Geral dissolveu a comissão e devolveu a independência de ação à Liga da Justiça. A doutora Mei Li, o doutor Farah Ahmed e o doutor Boris Lievin já retornaram a suas atividades na ONU.

— Mas a ONU não pode fazer isso! Ela está errada...

— Gyrich, não discuta! Retorne à sua função na mansão dos Vingadores! A Liga é independente novamente!

Nick Fury deixa a sala, enquanto Gyrich esmurra a mesa com raiva.

— Bom, ainda tenho os Vingadores... — ele pensa.

Moscou

Capitão Átomo ressurge do seu salto quântico. Satisfeito, ele vê que seu ato salvou a cidade da hecatombe nuclear pretendida por Savage e Destino. Feliz, ele parte em direção ao teletransportador mais próximo para retornar à base lunar. Em instantes, ele chega. Nos corredores, encontra todos os membros.

— Capitão Átomo! — saúda o Arqueiro Verde — Parabéns pelo salvamento em Moscou e por ter expulso aqueles babacas da comissão.

— Parabéns! — cumprimenta Fóton.

No corredor, ele é cumprimentado e saudado por todos. Ao entrar na sala de reuniões, vê sentados à mesa Super-Homem, Mulher-Maravilha e Batman.

— Antes de mais nada, — ele se adianta — a liderança da equipe é sua novamente, Super-Homem. Nunca deveria ter sido tirada de você. Mas, agora, com licença, que eu irei pegar as minhas coisas e ir embora.

— Átomo, espere! — fala o Super-Homem — A ONU devolveu a independência de ação à Liga. Então nós fizemos uma reunião e todos votaram a favor em convidá-lo para integrar a equipe.

— Eu mesma indiquei o seu nome. — fala a Mulher-Maravilha.

— Então, aceita ou não? — pergunta Super-Homem.

— Claro que sim! — conclui radiante o Capitão Átomo.

Os três se levantam e cumprimentam o novo integrante. Logo os outros membros entram na sala e saúdam o novo companheiro.

— Agora, sim. — fala o Arqueiro Verde — Você entrou pela porta da frente, cara.

Mais tarde

— Muito bem. — fala o Super-Homem — Agradeço a presença de todos! Apenas Aquaman e Zauriel preferiram continuar afastados da equipe por razões particulares. Vocês todos ficaram envolvidos nos últimos casos ligados à Latvéria e a Savage e eu achei interessante convidá-los para verificar com quem podemos contar e quem pretende sair da Liga. Em primeiro lugar, Capitão Átomo foi convidado a tornar-se um membro e aceitou, então ele não se manifestará agora. Muito bem, podemos começar. Batman?

— Retorno à equipe, mas mantendo o perfil anterior: só participarei de missões em que minha presença for absolutamente necessária.

— Combinado. Mulher-Maravilha?

— Continuo na equipe.

— Lanterna Verde?

— Presente! Pode contar comigo!

— Flash?

— Continuo, Super-Homem.

— Arqueiro Verde?

— Ah, sem mim esta equipe não é a mesma coisa, Super. Pode contar comigo.

— Dr. Estranho?

— Não pretendo retornar, Super-Homem. Foi muito bom trabalhar com vocês, mas percebo que o mundo místico ainda não é bem aceito por todos. As ameaças que enfrento não são bem compreendidas. Mas estarei sempre à disposição da equipe.

— Obrigado, Dr. Estranho. Sinto pela sua saída, mas sei que você refletiu bastante.

Capitão Átomo sente-se culpado pela saída do mago supremo, mas, pelo olhar, ele vê que Stephen Strange o perdoou.

— Muito bem. Vamos continuar. Eléktron?

— Quero retornar, Super-Homem. E, tenha certeza, tentarei ser menos "atirado" nas minhas decisões.

— Obrigado, Ray. Fóton?

— Pode contar comigo, Super.

— Homem-Borracha?

— Azulão, ainda estou de férias. O morcegão ali me tirou delas, mas vou retornar e é já.

O'Brien transforma o seu uniforme em uma típica vestimenta de turista.

— Aloha para todos! — ele diz, e se teletransporta.

Os integrantes da mesa riem. Muitas vezes as brincadeiras do Homem-Borracha são enervantes, mas esta serviu para desanuviar o ambiente. Batman se permite um sorriso disfarçado.

— Muito bem. E você, Aço?

— Gostei de retornar à ativa e, se não atrapalhar com as minhas atividades nas empresas Wayne, pode contar comigo.

— Obrigado, Henry. Estou feliz com a sua volta. Oráculo?

— Super, vou acompanhar o Dr. Estranho e também sair da equipe. Acho que as minhas atividades não combinam com um grupo que sempre fica exposto. Trabalho melhor nas sombras. Mas estarei sempre disponível para a Liga fornecendo as informações que precisarem.

— Obrigado, Oráculo.

— Capitão Marvel?

— Pode contar comigo.

— J'onn?

— Eu não vou voltar, Super-Homem.

A frase pega de surpresa a todos.

— J'onn, mas você é um dos fundadores da equipe. — fala a Mulher-Maravilha — Sempre esteve presente em todas as formações...

— Eu sei, Diana. Para mim, a Liga da Justiça é a família que eu perdi em Marte. E todos vocês são mais que apenas colegas de equipe. Mas o que Gyrich falou quando me expulsou e as ideologias atuais proferidas por alguns países me fizeram concluir que continuo como um estranho. Não para vocês, meus amigos, mas talvez para a humanidade em geral. Os meus poderes, que sempre usei em prol de todos, agora são motivo de desconfiança. Por esta razão que sairei. Quando me sentir melhor, talvez eu volte.

— Saiba que sempre haverá uma vaga para você na Liga. — fala Batman.

Os heróis então se levantam e despedem-se dos colegas que estão saindo. Dr. Estranho e o Caçador de Marte deixam a sala em direção ao teletransportador pela última vez. O holograma de Oráculo some. Permanecem apenas os que irão continuar na equipe. Emocionado, Super-Homem enxuga algumas lágrimas e retorna à discussão:

— Muito bem. A despedida de tão valorosos e corajosos colegas nos deixa muito tristes, mas cada um deles possui suas próprias razões, concordemos ou não com elas. O próximo passo agora é escolhermos o novo líder da equipe.

— Super, neste caso — fala o Capitão Átomo — já havia conversado com todos e foi opinião unânime que a liderança deve ser sua.

Uma salva de palmas acontece neste instante. Emocionado, Super-Homem olha para Batman e Mulher-Maravilha, que o aplaudem.

— Muito obrigado a todos. Agradeço a indicação e a aceito. Sei que a minha liderança anterior... ou exatamente a falta dela... levou-nos a vários conflitos internos. Percebi que não temos que ser os "guardiões" ou "salvadores" da humanidade. Não somos deuses. Muitas pessoas nos idolatram, mas também há várias que nos temem ou desconfiam de nós. Tomei decisões erradas anteriormente, levado por um ideal de humanidade que eu criei. Percebo agora que todos somos falhos: a humanidade, nós, eu. Não temos que ser apenas ideais. Temos que ser parceiros da humanidade. Temos que ser fiéis a nós mesmos, o que eu não fui anteriormente. Critiquei muitos dos atos de alguns de vocês, mas, intimamente, eu mesmo os faria. Agora começa uma nova era para a Liga!

Uma nova salva de palmas acontece. Batman e o Arqueiro Verde trocam olhares entre si: a missão que Batman havia passado para Queen está concluída.




 
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