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Liga da Justiça # 32

Por Robson Costa

Guerra Atlântida x Poseidônis — Parte VI
Espólios

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— Muito bem, heróis! — fala a Saqueadora Submarina — Rendam-se agora ou irei enviar meus peixinhos fazerem o serviço sujo. O que vocês acham?

Não há resposta vinda do interior da prisão conhecida como Hades. Batman, Asa Noturna e Namorita invadiram o presídio atrás do titã Tempest, que estava sumido desde o caso Arjuna. Eles o encontraram, bem como os pais da Supermoça e a vilã, responsável pela segurança.

— OK! Foram vocês que pediram.

Saqueadora ordena telepaticamente que os peixes ataquem o interior do prédio. Os peixes se agrupam: tubarões, arraias, marlins, barracudas. Eles se preparam e avançam, incentivados pela telepatia da vilã. De repente, uma coluna de água surge do interior do presídio, assustando os peixes e os dispersando. Antes que possa reagir, a Saqueadora é surpreendida pelo ataque de Namorita, levando a vilã a nocaute.

— Muito bem, Namorita. — fala Batman — Amarre-a junto com os guardas que derrotamos antes.

— Certo.

— Asa, como está o Tempest?

— Estou melhorando, Batman. — responde Garth — Mas esta coluna exigiu muito de mim agora.

— Sem problemas. Descanse, por enquanto. Asa, traga o submarino para cá. No caminho, deixarei você na superfície junto com os Danvers. Leve-os para casa. Enquanto isso, eu, Namorita e Tempest tentaremos acabar com esta guerra.

— OK, Batman. Já estou indo.

Capitão Átomo usa seus poderes para estraçalhar a pedra jogada pela Supermoça. A presença dela ao lado de Namor não estava nos planos de ninguém. O que ela estaria fazendo aqui? Nathaniel dispara uma rajada que atinge a heroína, jogando-a alguns metros para trás. Porém ela se recupera rapidamente e retorna ao ataque. O Capitão Átomo não vê outra solução além de enfrentá-la cara a cara. Os dois heróis se chocam e utilizam a força para derrotar o outro. Palma com palma, eles usam de todas as forças que restam para vencer o adversário.

— Supermoça! Ugh! Não entendo. O que você está fazendo aqui?

— Capitão! Argh! Só peço que me desculpe.

— Desculpar? Por quê?

— Só estou lutando com você porque Namor seqüestrou os meus pais e está me obrigando a ser sua aliada.

Nathaniel Adams fica estupefato com a revelação e acaba abrindo a brecha para que a Supermoça o ataque com um soco. Ele é jogado longe. Antes que possa se levantar, Linda Danvers já está em cima dele e o imobiliza.

— Desculpe-me, Capitão. Mas é o único jeito.

A heroína prepara-se para o golpe final quando uma luz os atinge, chamando a atenção dos dois heróis. É o submarino de Batman.

— Supermoça! Aqui é Batman! — identifica-se o cavaleiro das trevas — Pare com esta luta. Os seus pais foram resgatados.

— O quê?!

— Então, Super-Homem? Qual é a sua resposta? — pergunta Aquaman.

— A minha resposta é não! Não farei pactos ou apostas para que a paz retorne e esta guerra sem sentido acabe.

— Muito bem. Que assim seja.

Aquaman pega um tridente, que lhe é entregue por um dos seus oficiais. Ele aponta para Clark Kent e dispara um raio. Super-Homem não tem tempo de reagir e é pego pela rajada. Um grito de dor ecoa por todos os lados.

— Isto é magia. — fala Aço.

Porém, antes que o herói possa ajudar o colega, ele é derrubado por um projétil de água endurecida lançado por Mera.

— Não se intrometam, justiceiros. — fala a esposa de Aquaman — Esta é uma disputa que deve ser resolvida apenas entre os dois.

— Meus pais? Eles estão salvos? — pergunta Supermoça.

— Sim. — responde Batman, pelo alto-falante do submarino — Acabei de deixá-los na superfície com a proteção do Asa Noturna.

— E eles estão bem?

— Sim, um pouco assustados, mas bem de saúde.

— Você não precisa mais ajudar Namor. — fala o Capitão Átomo — O motivo da chantagem acabou.

Linda Danvers, primeiro, chora de alívio por não ter tido tempo de cometer nenhuma atrocidade enquanto estava sendo chantageada. Mas, agora, uma onda de ira toma todo o seu corpo. Ela vê tudo em vermelho e, em sua mente, só há um pensamento: Namor. Ela então parte velozmente de volta para Atlântida.

— Mas onde ela está indo? — pergunta Capitão Átomo.

— Certamente para Atlântida. Ela está indo em busca de vingança. Rápido, Capitão, para o submarino. Só assim podemos tentar alcançá-la e impedí-la de cometer uma bobagem. Mas há mais uma coisa.

— O que, Batman? — pergunta Nathaniel Adams, já sabendo qual é a pergunta.

— Só gostaria de saber o que você está fazendo aqui e por que não respondeu aos chamados da Liga. Mas isto podemos ver depois.

O herói entra no submarino e eles partem atrás da Supermoça.

— Majestade! Majestade! — Krang entra no palácio real de Atlântida. O seu uniforme de gala está sujo e rasgado.

— O que significa isso? — pergunta Namor, indignado.

— Seus aliados foram derrotados pela Liga da Justiça. Eles são apenas quatro, mas estão devastando o nosso exército e aproximam rapidamente da cidade. O senhor tem que sair imediatamente.

— Não, Krang. Eu os derrotarei. Logo a minha arma secreta chegará e aí a Liga da Justiça e Poseidônis irão tremer.

De repente, uma parede do palácio vem abaixo e surge a Supermoça.

— Namor! Onde está você? — diz, irada, Linda Danvers.

O príncipe submarino, primeiro, sorri com a chegada da sua aliada, porém, logo percebe os olhos tomados de fúria da heroína. Ao avistar o seu alvo, Linda Danvers parte com toda a força e velocidade, jogando Namor contra uma das colunas do castelo. O príncipe se levanta tomado pelas dores do ataque, mas logo é alvo de uma série de socos desferidos pela heroína, não lhe dando tempo para reagir. Krang convoca um pelotão para atacar a Supermoça, porém antes que possam fazer algo, o grupo de Batman surge e ataca os soldados, desarmando-os. No mesmo instante, o grupo de Fóton também chega ao palácio, derrotando as últimas tropas atlantes. Capitão Átomo e Namorita conseguem separar a Supermoça de Namor e os imobilizar.

— Batman! Capitão Átomo! — fala Fóton — Estou feliz em vê-los. Quando você conseguiu entrar em contato com ele, Batman?

— Eu responderei esta pergunta depois. Kyle, preciso da sua ajuda.

— Fala, Batman.

— Leve a mim e ao Tempest para o meio da batalha. Tenho uma idéia para encerrar de vez com esta guerra. Fóton, continue com a missão de desarmar as tropas atlantes.

Kyle envolve a si, Batman e Tempest com um campo de força verde e partem para o meio da batalha.

Super-Homem está ajoelhado, tomado de dores insuportáveis, enquanto o ataque de Aquaman prossegue. Ele não entende o que levou um grande amigo a tomar tais atitudes. Não é apenas defesa do seu reino. Tudo não passa de uma vingança pessoal, que levou a alianças questionáveis, traições, manipulações. Clark Kent levanta os olhos e contempla aquele que ele já chamou de amigo continuar o ataque traiçoeiro contra ele. Kal-El busca, então, do interior do seu ser, forças que nem mesmo ele tinha conhecimento. Aos poucos, se levanta, frente à admiração de todos. Lentamente, se aproxima de Aquaman. Seus pés parecem estar acorrentados, mas pouco a pouco, ele caminha, soltando gritos de dor, até que consegue alcançar o tridente usado por Orin. Clark Kent toma-o das mãos de Aquaman e o destrói. Depois, pega o monarca de Poseidônis e o joga longe. Mera baixa a guarda e deixa os justiceiros se aproximarem. Aquaman tenta se levantar, mas se vê cercado pelos seus antigos amigos. Ele levanta os olhos e entende que tudo terminou:

— Suspendam o ataque! — ordena o rei de Poseidônis — Attuma! Vulko! Orm! A guerra acabou.

Kyle chega com os companheiros no centro da batalha. Mesmo com os esforços da Liga, a batalha continua sangrenta dos dois lados.

— Garth! Este é o único meio que temos para acabar com tudo isto. — fala Batman.

— Eu sei. Só peço que me ampare no final.

Tempest concentra-se. Kyle se espanta com o que vê. Surgem duas paredes de água, uma de cada lado do campo de batalha, separando os dois exércitos. Garth solta um grito de dor e as duas paredes avançam contra os exércitos, varrendo a todos, destruindo todas as embarcações de guerra. As paredes tornam-se verdadeiras ondas, engolindo tudo no caminho.

Garth solta um suspiro e cai, sendo amparado por Batman.

— Parabéns, Tempest. Agora a guerra acabou.

As ondas continuam avançando, agora sem o controle de Garth. A direcionada para Atlântida chega ao palácio real, pegando a todos de surpresa, heróis e soldados. Com a força da onda, Namorita e Capitão Átomo acabam soltando Namor. O rei de Atlântida se deixa levar pela onda e assim escapa dos heróis. Após a passagem da onda, percebe-se o desaparecimento de Namor.

— Onde ele está? — pergunta, irada, a Supermoça.

— Agora isto não interessa, Supermoça. — fala Fóton — A guerra acabou. Namor foi derrotado. Isto é o que interessa.

— Não. — responde o Capitão Marvel — Agora é hora da divisão dos espólios.

Mesmo com suas forças também devastadas pela onda de Tempest, Aquaman avança até Atlântida e a toma. Os aliados de Namor são entregues à justiça de Poseidônis. Algum tempo depois, na ONU, é assinado um tratado de paz entre os dois reinos submarinos. Conforme o acordo, Attuma torna-se o novo regente de Atlântida, porém é obrigado a instituir um regime democrático no reino. Namorita é escolhida como líder do partido de oposição ao governo de Attuma.

Aquaman recebe as visitas do Mestre dos Oceanos e do Arraia Negra.

— Estamos partindo, meio-irmão. — fala Orm — Mais nada nos prende a você. A partir de agora, estamos novamente em campos opostos.

— Como desejar, Orm. — responde Aquaman.

Ele observa os aliados partirem e vê em um canto do palácio a presença de Tempest.

— Garth! — Aquaman caminha até ele e o abraça. Porém, não há retribuição do mesmo carinho do antigo companheiro de aventura.

— Arthur... estou me despedindo de você e retornando aos Titãs. E também terminando com a nossa amizade.

— Mas por que, Garth? Agora temos um período de paz, depois de um longo tempo...

— Mas conseguida a que sacrifícios e acordos espúrios, Arthur? Esta guerra só ocorreu por causa de interesses mesquinhos: seus e de Namor. Namor, em busca de uma grande Atlântida. E você, por causa de uma vingança pessoal. Eu não pertenço a esta nova Poseidônis e prefiro estar longe daqui, mas perto de pessoas mais corretas.

Aquaman sabe que não adianta argumentar. Ele baixa a cabeça. Garth parte silenciosamente, sem se despedir. Mera se aproxima e abraça o marido.

— Você sabia, Arthur. Sabia que pagaria um preço muito alto pelo que fez.

— Eu sei, Mera. Mas tenha certeza, faria tudo novamente para trazer a paz ao nosso reino.

Em algum ponto do oceano Pacífico

Namor descansa em meio a um recife de corais. Seus sonhos de conquista terminaram. Seu reino foi entregue ao seu maior inimigo. Foi considerado um traidor por amigos e parentes.

— Pai Netuno! Onde errei? — exclama o ex-rei de Atlântida, tomado por uma fúria desconcertante — Por que me abandonaste? Tudo o que fiz foi em tua glória! Por quê?

Ninguém lhe responde. Durante algum tempo, o recife é vítima do ataque de ira de Namor, até que ela cessa. Namor sabe que agora é um procurado novamente. Um renegado. Não tem mais reino. Não tem mais amigos. Não tem mais amores. Resignado, ele parte novamente. Não pode mais ficar em um lugar para não ser alvo de seus inimigos. Entrega o seu destino a Netuno e some nas profundezas do Pacífico.

Base da Liga, lua

— Aquaman enviou mensagem comunicando seu afastamento em definitivo da Liga da Justiça e pede também a retirada do seu nome como membro reserva da equipe, devido a conflitos de interesse entre Poseidônis e a equipe. — anuncia Super-Homem.

Os heróis escutam, calados, o comunicado. Aquaman já havia entrado em conflito várias vezes com cada um dos membros da equipe, mas sempre foi considerado um companheiro leal e fiel ao grupo. Um amigo. Agora o que a Liga da Justiça poderá esperar deste novo Aquaman?

— Muito bem. Vamos continuar o motivo principal da nossa reunião. Capitão Átomo, pode entrar.

A porta que dá acesso à sala de reuniões se abre e surge a figura prateada de Nathaniel Adams. Ele caminha até ficar perto da mesa de reuniões. Super-Homem bate com um martelo na mesa.

— Que inicie o julgamento do Capitão Átomo.


Na próxima edição: Capitão Átomo é julgado pelos companheiros por suas atitudes na guerra. A Liga não será a mesma depois disso. E novos integrantes unem-se ao grupo.




 
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