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Liga da Justiça # 37

Por Robson Costa

Prólogo

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Três homens movimentam-se rapidamente pelos telhados de Gotham City. Já é quase de madrugada. Eles estão em mais um dos bairros abandonados da cidade, vítima de uma onda especulativa. Os poucos moradores são viciados, fugitivos, bandidos ou pessoas sem nenhuma possibilidade de futuro. Mesmo assim, os três se movimentam silenciosamente, não sendo percebidos por nenhum dos habitantes daqueles cortiços. O alvo deles é o único apartamento com luz acesa em um prédio abandonado. Eles pertencem à agência governamental chamada Xeque-Mate. Eles são os agentes de campo da organização, também conhecidos como Cavalos.

Enfim, eles estão perto do alvo. Os Cavalos não falam nada. Toda a comunicação é feita por sinais breves e rápidos o bastante para que não sejam percebidos por seus inimigos. O Cavalo líder da missão faz um leve balançar de cabeça e, no instante seguinte, os três agentes já estão dentro do apartamento alvo, que, para decepção deles, está vazio. Uma busca é feita rapidamente. Não encontram ninguém. Há poucos móveis, indicando que ali tinha sido usado como um esconderijo. No meio da sala, o único aposento iluminado, há apenas um laptop em cima de uma pequena mesa.

— Bispo! Líder de campo! Câmbio! — o Cavalo comunica-se com o responsável pela missão.

— Bispo na escuta! Câmbio!

— O esconderijo do nosso alvo está vazio. Ele deve ter fugido há pouco, pois encontramos um laptop ainda ligado! Câmbio!

— Verifiquem o que têm no winchester do laptop! Câmbio!

O líder do grupo faz um sinal para um dos agentes. Este aproxima-se do laptop e o tira do estado de espera em que estava. Na tela, surge, então, uma contagem regressiva, faltando apenas cinco segundos.

— Senhor! É uma armadilha! — grita o agente.

Uma explosão se segue. Os vizinhos saem dos prédios ao lado, assustados. A explosão não foi grande o suficiente, mas o bastante para causar o desmoronamento dos andares acima do apartamento. Em um prédio em frente, o Anarquia permite-se um sorriso por baixo da sua máscara. Ele conta com os uniformes usados pelos Cavalos tenham protegido-os da explosão, mas, caso contrário, eles são os guardiões do Estado. Um inimigo que ele combate.

Lonnie Machin dá de costas para a sua armadilha e prepara-se para partir, quando um tiro ricocheteia ao seu lado. O jovem vilão vira-se e vê os Cavalos vindo em sua direção. Anarquia corre pelo telhado, mas um dos agentes consegue derrubá-lo com um golpe de artes marciais. Quando ele se aproxima, Anarquia saca do seu taser e dá um choque no Cavalo. O agente tonteia, mas outro assume a frente e aplica uma voadora em Lonnie. Anarquia perde o equilíbrio e cai do telhado. Durante a queda, só tem tempo para girar o corpo e cair dentro de uma caçamba de lixo. Ela está cheia e a queda é amortecida.

Anarquia sai da caçamba. Ele sente dor do lado direito do seu corpo. Antes que perceba, está cercado pelos Cavalos.

— Muito bem! Renda-se, Anarquia! — exige o líder de campo.

— Uma explosão no meio da noite, mesmo em uma cidade como Gotham, não passa despercebida, vocês não acham?

Os Cavalos e Anarquia olham na direção da voz que fez a pergunta atrevida e reconhecem a Caçadora.

— Pelo jeito de vocês, já percebi que me reconheceram. Então que tal me explicarem o que está acontecendo por aqui?

O líder de campo dá uma única ordem:

— Sem participação de meta ou vigilantes.

No mesmo instante, os outros dois agentes avançam na direção de Helena Bertinelli. Os dois ativam lâminas acopladas no seu uniforme. Caçadora desvia do ataque e aplica um chute em um deles, que cai sobre os sacos de lixo do beco. O líder volta a sua atenção para o Anarquia. Mesmo com dores, Lonnie envolve o agente com a capa do seu uniforme. O Cavalo desvencilha-se, porém, acaba tornando-se alvo fácil do ataque do Anarquia com o seu taser. Ele desmaia.

— Aumentei a potência dele, para sobrepor a proteção do seu uniforme, Cavalo. — explica Anarquia.

Enquanto isso, Caçadora continua a luta com o último agente. Ela dispara uma seta da sua besta, mas o agente se defende com a lâmina. Com um golpe, ele a joga contra uma das paredes. Anarquia aproveita, vem por trás e aplica um golpe com o taser no agente. Ele grita de dor por causa do choque e cai desacordado.

— Obrigado pela ajuda, Caçadora. — fala o Anarquia — Eu não saberia como sair da situação em que estava.

Helena aponta a besta armada na direção dele.

— Calminha aí, Anarquia. Eu conheço a sua fama e, se estes Cavalos do Xeque-Mate estavam atrás de você, é porque você não estava dando uma de bom samaritano.

— Eu entendo a sua atitude, mas me escute: descobri coisas sobre o governo americano que eles não permitiriam divulgar.

— E o que seria?

— Confie em mim. Me acompanhe até outro esconderijo e lhe mostrarei estas provas.

Caçadora analisa a situação. Ela é melhor lutadora que o Anarquia. Além do mais, ele ainda sente dores do lado direito do corpo. Não seria um adversário difícil de vencer.

— OK, Anarquia. Me mostre estas provas. Mas sem gracinhas!

Os dois recentes aliados partem na noite. Depois de algum tempo, escondendo-se nos becos, eles chegam ao outro esconderijo do Anarquia. O hacker digita a senha criptografada no laptop. Ele abre os arquivos gravados no winchester e passa o computador para a Caçadora. Helena lê e, aos poucos, suas feições vão se alterando, passando da passividade para um total assombro.

— Um cubo cósmico?! Eles querem desenvolver um cubo cósmico?!

— Exatamente, Caçadora! — fala o Anarquia, enquanto se trata da pancada da queda — Além de possuírem a capacidade de destruir o nosso planeta centenas de vezes com suas armas nucleares, o governo está investindo na criação de um artefato capaz de reestruturar toda a realidade! O cubo cósmico é muito poder, seja na mão de uma pessoa, de uma organização ou de um país! Imagine o caos nas relações exteriores se os países aliados aos Estados Unidos ou nossos inimigos descobrirem sobre isso.

— E-eu concordo com você! — diz assustada a Caçadora.

— Quando tive acesso a estes documentos, pensei em divulgar para a imprensa, mas, na verdade, a imprensa, a mídia, a internet, todas são ferramentas do governo. Eles desmentiriam, me desacreditariam, o que seria fácil, já que sou considerado um vilão, abafariam o caso e, no final, eles teriam o cubo cósmico. Achei melhor invadir o local onde o cubo está sendo desenvolvido e destruí-lo.

— Você não tem chances. Mas tive uma idéia melhor: mostrar isso para a Liga da Justiça.

— Hah! São outros pagos pelo sistema!

— Não, há pessoas que irão nos ouvir. Desta vez, confie em mim!

Seattle

No topo de um prédio, Caçadora espera pacientemente.

— Olá, Caçadora! — cumprimenta uma voz na escuridão, revelando aos poucos pertencer ao Arqueiro Verde — Me surpreendi quando recebi o comunicado de Oráculo, dizendo que você queria se encontrar comigo.

— Olá, Arqueiro. Vou direto ao ponto: eu e um "amigo" descobrimos um lance vindo de Washington. É coisa grande e achamos que talvez precisemos da ajuda de alguém.

— E você escolheu a mim, o do bloco da esquerda da Liga? Por que não contou para o morcegão? Ou Oráculo? Você não faz parte daquele grupo dela?

— Digamos que achamos melhor mostrar para alguém menos bam-bam-bam...

— OK! Deixe-me dar uma olhada.

Helena Bertinelli passa a pasta com as provas conseguidas pelo Anarquia a Oliver Queen. O Arqueiro analisa calmamente, mas logo o seu gênio explosivo se mostra:

— Um cubo cósmico?! Eles querem desenvolver um cubo cósmico?!

— Exatamente, Arqueiro Verde. — fala o Anarquia, saindo do esconderijo.

— Mas... o que significa isso, Caçadora? — pergunta Queen, já empunhando o seu arco com uma flecha.

— Arqueiro, foi o Anarquia que descobriu tudo. Ele estava sendo perseguido pelo Xeque-Mate e acabei cruzando o caminho deles. E, antes que pergunte, sim, eu acredito em tudo o que ele me mostrou e falou. E, pela sua reação, percebi que você também.

— Sim, eu acredito. O que tem nesta pasta é escândalo, na certa.

— A Caçadora me convenceu a mostrar estas provas para a Liga e ela achou que você acreditaria mais em mim. — fala o Anarquia.

— Vocês mostraram isso para mais alguém? — pergunta Queen.

— Não, você é o primeiro. — fala Helena — Mas o que você sugere? Acho que Super-Homem, Batman ou a Mulher-Maravilha não levarão a sério as denúncias do Anarquia.

— Eu concordo com você, gata. O melhor é investigarmos a fundo isso e depois mostrar para os maiorais.

— Apenas nós três?! — pergunta Anarquia — Não faríamos frente a eles, mesmo agindo sorrateiramente.

— E quem disse que seria apenas nós três? — fala o Arqueiro Verde — Estou pensando em mais dois nomes e pelo menos mais um com conhecimento científico, para respaldar a denúncia.

— Mas quem? — pergunta a Caçadora — Eléktron e o Aço contariam tudo para os grandes...

— Eu sei quem pode nos ajudar com o conhecimento científico. — fala Anarquia — Você me ajudaria a convencê-lo, Caçadora?

— Pode contar comigo.

— Muito bem! Eu vou atrás dos outros. — fala Arqueiro — Nos encontramos aqui de novo, então.

Fawcett City

Uma limusine espera na porta da penitenciária estadual. Os portões se abrem e uma figura baixa, careca e um pouco corcunda aparece. Apesar do aspecto um tanto cômico, o motorista treme enquanto o Dr. Silvana se aproxima.

— Seu paspalho! — xinga o vilão — Por que não parou na frente do portão ou ao lado? Me fez atravessar a rua, correndo o risco de ser fotografado por algum paparazzo.

— Desculpe, senhor! — o motorista agradece que o seu patrão está sem a sua bengala — Mas fizemos tudo o que foi ordenado e sua saída está sendo a mais discreta possível.

— Que seja, seu idiota! — fala Thaddeus Silvana, entrando no carro — Vamos direto para a minha cobertura.

A limusine parte rápido, ignorando semáforos e placas de trânsito. De repente, o motorista freia o carro. Dr. Silvana é pego de surpresa e derrama o uísque que tomava.

— O que está acontecendo aqui? — pergunta.

— Desculpa, senhor, — fala o motorista — mas tem um encapuzado todo de vermelho na nossa frente.

Dr. Silvana abaixa o vidro que o separa do motorista e observa a figura mencionada pelo seu empregado. Ele não o reconhece, mas também não se importa.

— Passe por cima deste idiota! — ordena, enquanto levanta o vidro.

Antes que as ordens de Silvana pudessem ser cumpridas, a janela do lado do motorista é quebrada e ele é arrancado do carro. Um silêncio cai, assustando o único ocupante agora do veículo.

— Charles! Charles! — chama o Dr. Silvana.

As portas são abertas e o vilão vê surgir de um lado o Anarquia e do outro, a Caçadora, empunhando a sua besta.

— Olá, Doutor... — cumprimenta Helena Bertinelli — Nós temos um servicinho para o senhor.

Seattle

O teletransportador emite seu zumbido característico. O Arqueiro Verde aproxima-se do local. Ele nunca gostou de usar o aparelho. Ele sempre dizia a Canário Negro que sentia as tripas darem um nó. Após a conversa com a Caçadora e o Anarquia, Oliver Queen entrou em contato com a Torre da Liga e solicitou o auxílio de dois colegas de equipe. Fóton estava de plantão e atendeu ao pedido do Arqueiro. Neste momento, o teletransportador materializa Kyle Rayner, o Lanterna Verde, e Rex Mason, o Metamorfo.

— Fala, Queen! — cumprimenta Mason — Quanto tempo!

— Como vai, Rex?

— Qual é o problema, Oliver? — pergunta Kyle.

— Uma investigação minha com um negócio secreto do governo. É coisa grande, talvez trabalho para Liga...

— E, por que você só chamou a nós dois? — continua Kyle.

— Teremos que fazer uma ação meio James Bond, entendem? Na surdina. Sem os maiorais. Além disso, há mais três integrantes para esta missão.

— Chegamos, Arqueiro. — anuncia Caçadora.

— Olá, Caçadora. — cumprimenta o Lanterna Verde, mas ao ver surgir Anarquia e o Dr. Silvana logo atrás, sua atitude muda. Ele aponta o seu anel verde na direção dos dois vilões.

— O que está acontecendo por aqui? — exige Kyle Rayner.


Na próxima edição: Continua a busca ao cubo cósmico. Caçadora, Anarquia, Arqueiro Verde e os outros invadem o laboratório e enfrentam o Xeque-Mate e um aliado. Surge o Triunvirato.




 
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