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Liga da Justiça # 45

Por Robson Costa

Batalha pelo Cubo Cósmico — Parte V
A Terra de Ontem (*)

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Uma revoada de pássaros assustados anuncia o surgimento do portal dimensional. Dele saem Donna Troy, a atual Mulher-Maravilha, Tempest e Wally West, o Flash.

— Donna, — fala Wally — cada vez mais reconheço que não há nome melhor para este lugar do que Ilha Paraíso.

Antes que a amazona pudesse responder, Garth faz uma observação:

— Desde quando o céu da ilha é verde?

Um alarme sonoro dispara, causando uma nova revoada.

— Provavelmente este céu verde é alguma medida de proteção de Zola — fala Donna. — Rapazes, tive uma idéia. Escondam-se. Será mais fácil explicar a minha presença na ilha do que a de vocês.

— Você tem certeza, Donna? — pergunta Wally, preocupado com a reação da amiga, após assistir no Limbo criado por Eléktron as alterações efetuadas por Arnim Zola nesta Terra.

Eléktron havia resgatado nove justiceiros das alterações que Arnim Zola, Pensador Louco e Dr. F.U. Turo fizeram ao dividirem o cubo cósmico e o planeta em três. Cada um governa o seu planeta, usando os poderes do seu cubo cósmico, sem que haja necessidade de disputa entre eles. Ray Palmer, preso no cubo cósmico, usou as forças do artefato e criou um limbo temporário. Lá ele explicou aos membros da Liga o que havia ocorrido. Os heróis se dividiram em três grupos, cada um partindo para uma das Terras, com a missão de recuperar o cubo cósmico e reunificar o planeta.

— Wally, confie em mim. Somos amigos desde a Turma Titã. Não vou por esta missão a perder.

O Flash concorda com a amiga e, após abraçá-la, some na mata. Garth avisa que encontrou um rio por perto.

— Vou segui-lo até o mar. Estarei esperando pelo seu sinal — e mergulha, despedindo da amiga.

Sozinha na floresta, Donna é cercada por um grupo. Logo ela reconhece todos os integrantes: Alan Scott, o primeiro Lanterna Verde, Jay Garrick, o primeiro Flash e Pantera, da Sociedade da Justiça da América. Voando acima deles, o primeiro Tocha Humana e Centelha. Liderando o grupo, Capitão América e o seu parceiro na Segunda Guerra, Bucky.

— Muito bem, senhorita, — fala Steve Rogers — quem é você? E por que está trajando um uniforme parecido com o que a rainha Hipólita usou durante a Guerra, quando se denominava Mulher-Maravilha? (**)

— Capitão, meu nome é Donna Troy. Sou amazona e filha da rainha Hipólita. O motivo pelo qual eu estou aqui e a razão dos meus trajes, eu os fornecerei quando estiver frente a frente com a minha mãe.

Os heróis ficaram desconcertados com a revelação. Joel Ciclone se recuperava da surpresa, quando algo chamou a sua atenção.

"Há algo ou alguém se movimentando em alta velocidade pela mata. Ninguém mais o percebeu, além de mim. Mas mesmo com a minha visão acostumada a supervelocidade, não consigo identificá-lo. Acho que os rapazes podem cuidar desta moça, enquanto investigo."

Jay Garrick parte velozmente para a mata sem que os seus amigos ou Donna Troy tenham percebido.

Wally West acompanha o encontro da sua amiga com os heróis da Segunda Guerra. Ele não se conformou em deixar Donna sozinha e ainda teme por alguma reação por parte dela. Enquanto escuta a conversa entre eles, Flash não percebe a aproximação de Joel Ciclone, até que ele toque o seu ombro. Flash vira assustado e dá de cara com o homem que iniciou a dinastia dos velocistas.

— Olá, meu, rapaz, — fala Garrick amistosamente — quem é você? Por acaso, está acompanhando essa moça misteriosa?

Wally não responde e parte velozmente, sumindo na floresta.

— Mas que diabos?! Ele é muito rápido, mas ele não conhece a velocidade de Joel Ciclone — e o herói da Segunda Guerra parte em seu encalço.

Tempest nada ao largo da ilha de Themyscira, esperando pelo sinal de Donna. Enquanto isso, a sua mente retorna ao final da Guerra Atlântida-Poseidônis. A sua relação com Aquaman ficou estremecida, devido às decisões que ele tomou durante a guerra. Fez alianças perigosas e acordos escusos. Aquaman não estava procurando justiça, mas vingança por tudo que havia passado por causa dos delírios de Namor.

Envolvido nos seus pensamentos, Tempest não percebeu a aproximação de uma pessoa, até que esta se anunciou:

— Quem é você? Você não é atlante. O que faz aqui?

Garth se vira. Ele já havia reconhecido o tom autoritário da voz do, então, príncipe Namor. Tantos anos se passaram e o príncipe atlante que vê a sua frente, em nada difere do soberano deposto de Atlântida na sua Terra.

— Vamos, me responda. É você o responsável pelo alarme ter disparado?

Sem responder, Tempest usa de seus poderes e cria uma coluna de água que atinge Namor. O Príncipe Submarino é jogado longe, mas ele logo se recupera.

— Você tem muito que explicar. A sua atitude foi muito estranha e, provavelmente, deves ser um dos vários inimigos dos meus amigos Zola e Hipólita. Imperius Rex! — brada Namor.

Tempest dispara raios dos seus olhos, mas Namor desvia facilmente deles, atingindo o jovem titã com um forte golpe. Garth sente e só consegue invocar um redemoinho para afastar Namor dali. Ele vê o príncipe da Atlântida nadando no sentido contrário do redemoinho e o dispersando.

"Acho que teremos o segundo tempo da guerra." — pensa Garth, enquanto se prepara para o próximo ataque.

— Senhorita Troy, — retoma Capitão América, após a revelação da Mulher-Maravilha — nós somos amigos da rainha Hipólita. Lutamos ao seu lado na Guerra contra o Eixo e, agora, formamos a sua Guarda de Elite, para protegê-la e ao seu marido, o Dr. Arnim Zola. E, tenha certeza, ela nunca mencionou a existência de uma filha.

— Por favor, Capitão, — fala Pantera, aproximando-se de Donna Troy — você está acreditando nas histórias desta garota? Deve ser outra fã amalucada que Hipólita ganhou, desde o fim da Guerra e o seu casamento com Zola.

Sem que o boxeador pudesse perceber, Donna agarra o seu braço e o joga longe. O Lanterna Verde reage na mesma hora disparando rajadas do seu anel, porém Donna se defende com seu bracelete. Ela desvia uma das rajadas na direção do Centelha, que perde os sentidos, sendo resgatado pelo Tocha Humana. Capitão América lança o seu escudo na direção da amazona. Donna salta, desviando dele, mas o pega no ar. Donna, então, o lança de volta. Steve Rogers desvia, mas ela consegue o seu intento: o escudo rebate em uma palmeira e acerta o Lanterna Verde.

Bucky salta sobre Donna, que, com um simples movimento, faz que o parceiro do Capitão América caia de cara no chão. Donna o laça. Quando ela volta a sua atenção, apenas o Capitão América continua de pé.

— Então, Capitão? Acredita em mim agora?

— Tenho que reconhecer que as suas técnicas de luta são amazonas. Treinei muito com a Hipólita e aprendi alguns de seus movimentos. Digamos que você conseguiu que eu ficasse com uma ponta de dúvida. Irei levá-la para conversar com ela. Veremos se a reconhece. Agora você poderia me ajudar com os meus amigos?

— Com muito prazer.

Enquanto os membros da Guarda de Elite se recompõem, Alan Scott sente a falta do Joel Ciclone.

— Depois de toda esta confusão, notei que o Joel Ciclone não estava mais aqui. Onde será que ele foi?

— Ora, Alan, — fala Ted Grant, limpando a terra do seu uniforme — você conhece o Jay. Ele não consegue ficar parado em um canto. Quer apostar que ele já está lá no palácio nos esperando?

Wally continua correndo, fugindo da perseguição de Joel Ciclone.

"Não estou acostumado com as trilhas desta floresta e, por isso, não estou usando toda a minha velocidade. Jay leva vantagem sobre mim neste ponto."

Neste momento, Flash percebe uma trilha escondida e rapidamente muda a sua trajetória. Joel Ciclone não viu a manobra e continua pela mesma trilha. Wally segue pela nova trilha que o leva até uma caverna. Levado pela curiosidade, decide investigar. Ele nota que a caverna possui instalações elétricas e um gerador que fornece a energia necessária. Wally estranha, pois as amazonas ainda iluminavam as suas residências com tochas e lamparinas de óleo. Ele penetra cada vez mais fundo na caverna, até ouvir gemidos. Flash decide colocar os cuidados de lado e corre na direção do som. Ele o leva até uma jaula de madeira, onde um jovem maltrapilho e fraco está amarrado. Horrorizado com a situação do prisioneiro, Flash parte as grades da jaula com a sua velocidade e o desamarra.

— < Muito obrigado! >

— Eu não falo a sua língua. Você fala a minha?

— Amerricano?! Você é amerricano? — pergunta o esgotado jovem. — Você é como eu?

— Como você?! Olha, você está esgotado. Apenas me diga o seu nome.

— Erik... Lehnsherr — após dizer isto o jovem desmaia.

Flash se espanta com a revelação. Magneto, um dos terroristas mais procurados, estava desmaiado em seus braços, jovem, com a idade que teria ao final da Segunda Guerra. Mas quem teria deixado o mutante naquele estado?

— Muito bem, espertinho. Te encontrei! — fala Joel Ciclone, surgindo de repente — Mas o que é isso?

— Eu é que pergunto para você. Não sabia que os Invasores e a Sociedade da Justiça tratavam assim os seus prisioneiros!

— Rapaz, acredite: eu estou tão surpreso quanto você. Não conheço este coitado que está nos seus braços. Mas lhe garanto que a Guarda de Elite não é a responsável pelas condições dele.

Antes que pudesse responder a Jay Garrick, Flash vê uma luz vindo do fundo da caverna. Dela surge a figura de um cientista que pára espantado ao ver os dois heróis. Mas a surpresa maior é de Joel Ciclone, pois ele reconhece o homem que havia surgido:

— Mas o que?! Josef Mengele?! Vivo? Mas como?

— Majestade! A Guarda de Elite retornou.

— Ótimo, Philipus — responde Hipólita. — Eles estavam demorando demais em dar notícias do motivo do disparo do alarme.

O grupo de super-heróis segue pelos corredores do palácio até a sala do trono, onde Hipólita os aguardava.

— Bem vindos de volta, meus amigos — saúda a rainha amazona. — E, então o que causou o disparo do alarme criado pelo Lanterna Verde?

— Rainha Hipólita, a razão do alarme ter disparado — responde o Capitão América — foi a chegada desta jovem.

Donna Troy se adianta ao grupo e fica frente a frente a Hipólita.

— Donna!

As duas mulheres correm e se abraçam, deixando a todos os presentes atordoados.

— Então, a história dela é... — fala Ted Grant.

— Verdadeira. — completa o Tocha Humana.

— Donna, — fala Hipólita — o que você está fazendo usando o uniforme da Mulher-Maravilha?

— Isto é uma longa história, que depois lhe conto. O que importa de verdade é o que me trouxe aqui...

Trombetas soam pela sala do trono.

— O Rei Arnim Zola retornou de Nova York — anuncia uma amazona responsável pelo cerimonial.

— Então depois conversamos — fala Hipólita. — Agora venha conhecer o homem maravilhoso com quem me casei.

Donna esconde um gesto de asco ao ouvir isso, mas ainda não era hora de revelar nada à sua mãe adotiva. Estranhamente, ela sente uma leve tonteira no momento que as portas da sala do trono são abertas para a entrada de Arnim Zola.

Zola adentra o enorme salão. Donna percebe que ele mantém o corpo artificial que usa deste o fim da Segunda Guerra, mas usa roupas reais e um cetro, com um globo translúcido na ponta. O vilão saúda os heróis, como se fossem grandes amigos, porém isto era verdade naquela Terra. Hipólita aproxima-se de Zola.

— Hoje, dois eventos tornaram este dia um dos mais felizes da minha vida. — fala a amazona.

— E quais seriam estes eventos? — pergunta Zola.

— Primeiro, o seu retorno a Themyscira. Segundo, a visita da minha filha, Donna.

Ao ouvir isso, Zola estremece e o seu rosto se contrai ao avistar a Mulher-Maravilha.

— Como vai, meu padrasto? — pergunta Donna, com um olhar irônico, aproximando-se do casal.

Neste momento, os alarmes disparam novamente. Philipus entra no salão correndo:

— Majestades! O Príncipe Namor os aguarda do lado de fora do palácio. Ele diz que é urgente.

Arnim Zola e Hipólita vão ao encontro do príncipe atlante, sendo seguidos pela Guarda de Elite e Donna Troy. Ao saírem, eles se deparam com Namor, trazendo amarrado e desfalecido Tempest.

— Zola! Hipólita! Capturei este espião de tocaia no mar em volta da Ilha.

Zola reconhece o prisioneiro de Namor, como Hipólita também.

— Mas, Donna, este não é Garth? — pergunta Hipólita. Donna não responde. Permanece calada e apenas abaixa os olhos.

— Veja, minha rainha, — fala Zola — parece que a sua "querida" filha estava escondendo segredos de você.

— Mas por que? Qual é a razão?

— Não percebes?! Ela está trabalhando para os nossos inimigos e provavelmente o seu objetivo era a minha morte ou até mesmo a sua.

— Não é verdade. Mas lhe garanto que vim em missão de justiça. Zola não é o homem que finge ser para você e para os outros heróis.

— E tem como provar isso? — pergunta Zola.

Donna não responde. Ela não tinha provas. Apenas o que Eléktron lhes mostrou no Limbo. Com o cubo cósmico, Zola poderia alterar a realidade da maneira que quisesse. Seria a sua palavra contra o do homem que era considerado o maior herói da Segunda Guerra.

— Aí está, minha rainha. Guarda de Elite, prendam esta traidora, juntamente com o seu comparsa. Amanhã, serão julgados por traição!

— Joel Ciclone ainda não retornou — lembra o Pantera.

— Então, há mais deles. Encontre-os — ordena Zola — e prenda-os. Todos são inimigos da Nova Ordem que estamos estabelecendo. Eles são inimigos da paz que tão duramente conquistamos.

Os membros da Guarda de Elite respondem aos gritos de "Viva Zola!". Donna sente o mal estar novamente. Então, ela vê que no globo do cetro de Zola está a Lança do Destino. Ela se sente fraca. Caminha na direção de Zola, mas um golpe nas suas costas, a leva ao chão. Sua visão vai escurecendo e a última coisa que vê é Hipólita abraçada a Zola, comemorando a prisão dos traidores.


Próxima edição: A Terra do amanhã.


:: Notas do Autor

(*) Esta história se passa antes das atuais edições da Mulher-Maravilha. Obrigado a JB Uchôa pelas sugestões.voltar ao texto

(**) Na passagem do John Byrne pela revista da Mulher-Maravilha, Hipólita foi condenada a voltar ao passado e lutar na Segunda Guerra, assumindo a identidade de Mulher-Maravilha. Nesta época, Diana havia morrido. voltar ao texto




 
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