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Liga da Justiça # 47

Por Robson Costa

Batalha pelo Cubo Cósmico — Parte VII
A Terra de Hoje

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O cheiro do ar ionizado não é muito agradável. Mas ele indica o que mais temia: os malditos super-heróis sobreviveram e conseguiram chegar à minha Terra, através de um portal dimensional. Aponto o cubo para o lugar onde surgiu a passagem, mas não obtenho resposta para o que pergunto: de onde eles vieram?

Poderia facilmente mandar ao cubo cósmico que retornasse no tempo para que pudesse descobrir, mas temo pela instabilidade de uma viagem temporal. Pelos meus cálculos, isto gera um grau de 15% de incerteza. Mas posso esperar. Quem veio pelo portal, logo se manifestará e, então, eu os pegarei. O cubo analisa o ar ao redor e me informa que bombas de fumaça foram usadas. Os invasores não queriam ser vistos ou reconhecidos. Neste momento, algo se choca com o campo de força invisível que me protege: uma lata de refrigerante.

— Saia daqui, seu nazista! — grita o atirador da lata.

Eu olho em sua direção. Ninguém o acompanha. É um protesto solitário. Eles não percebem o bem que fiz a eles. Este é um mundo perfeito. Não há crimes, não há doenças, não há desordem. Não há qualquer sinal de caos e não permito também que ocorra. O manifestante continua a gritar contra mim, quando de repente se silencia. Ele se contorce, segurando o abdômen. Uma dor atroz o consome. Ele olha para mim. Não consegue dizer nada: a dor não permite. Nos seus olhos, uma súplica, um pedido de perdão. Tarde demais. No instante seguinte, ele grita e explode. Seu corpo é desintegrado nos bilhões de átomos que o formavam. Ele não existe mais, bem como as suas idéias de caos. Os seus vizinhos e amigos olham estarrecidos para o lugar onde ele estava. A minha missão se encerrou aqui. Ao meu desejo, o cubo me teletransporta dali.

Estou de volta ao meu lar. Estou cansado. Poderia pedir ao cubo que retirasse o cansaço do meu corpo, mas ainda aprecio o prazer de mergulhar em uma banheira. Enquanto caminho, o cubo cósmico flutua ao meu redor, informando do que acontece na minha Terra. Não há surpresas, não há boas nem más notícias. Tudo transcorre dentro da mais absoluta tranqüilidade. Quando chego aos meus aposentos, o meu banho já está pronto, graças aos meus andróides. Entro na banheira e relaxo. O cubo pousa em um pedestal ali perto. Neste momento, relembro dos meus planos.

Havia um boato correndo no presídio sobre planos do governo americano em fabricar e utilizar o cubo cósmico como arma. A SHIELD havia invadido um esconderijo da IMA e conseguido os projetos iniciais do artefato. Não estava completo, mas nada que excelentes cientistas não pudessem preencher as lacunas. Era a oportunidade que eu precisava. Eu tinha o que eles procuravam: um cérebro. Fiz os contatos certos e, um belo dia, sou levado da minha cela para uma sala do presídio. Lá sou apresentado a Arnim Zola e F. U. Turo e, principalmente, ao homem que iria coordenar tudo: o agente especial Henry Peter Gyrich. Assim, durante vários meses, éramos teletransportados do presídio para o laboratório onde trabalhávamos no projeto do cubo cósmico.

O meu plano estava totalmente elaborado. Logo foi fácil cooptar Zola e Turo para ele. Mas eu precisava de Gyrich também. Sabia que ele era nacionalista demais para pensar em cogitar trair o seu país. Precisava apenas de um pequeno estímulo, que consegui graças ao meu Andróide Assombroso. Ele se desesperou quando lhe mostrei uma foto do seu filho ao lado da minha criação. E assim tudo transcorreu 85% do que havia planejado. A entrada da Liga da Justiça foi um incômodo mas já havia previsto a participação de um supergrupo de heróis.

Mas o que vinha à minha mente agora é "quem seriam os invasores"? O portal não tinha uma origem como se não tivesse existido ou não existisse mais. Com a entrada da Liga, era provável que alguns dos justiceiros seriam os invasores. Mas quem? Batman, Caçadora e Anarquia tinham sido imobilizados no esconderijo. Foram os primeiros a serem pegos pela energia do cubo. Super-Homem? Não, ele pensa mais com os músculos. A atual Mulher-Maravilha não tem a experiência da anterior. Flash e Arqueiro Verde? São uma piada. Talvez o Lanterna Verde. Será que o anel dele faz frente ao meu cubo cósmico? Algum membro mais ligado às ciências, como Eléktron ou mesmo o Aço. Fóton, talvez.

Pego o cubo. Seria tão simples! Bastaria pedir para me transformar em um deus. Tornar-me uno com o Universo. Mas eu perderia o contato com ele. Lembro de Thanos e do seu erro fatal. Eu aprendi com todos que o manipularam: Caveira Vermelha, Thanos, IMA. Todos se renderam ao poder que este pequeno pedaço de material translúcido concede. Eu não cometeria o mesmo erro, pois o meu maior dom é a minha mente analítica.

De repente, o cubo me alerta: um roubo em uma loja de roupas masculinas. São os invasores. Estão se disfarçando, se mesclando à população. São inteligentes. Mas, agora não posso permitir que a notícia de roubo se espalhe. Seria uma semente de caos! Assim ordeno que esta notícia não seja divulgada e o cubo me atende instantaneamente.

Já se passaram três dias deste a descoberta do portal, mas até agora nada aconteceu que indicasse a ação dos invasores. Começo a me convencer que o roubo da loja não tem nada a ver com eles.

Desde o ocorrido, deixei alguns dos meus andróides na região, mas os relatórios são sempre os mesmos: nada, tudo normal. Tudo no mais perfeito controle, como eu havia desejado ao cubo, no momento que pus os meus pés nesta Terra. Eliminei todos os super-heróis, supervilões, forças de ordem, políticos, tudo que poderia retornar ao caos. Acabei com o crime, as doenças, a violência. Não havia nenhum ditador em nenhum país do mundo. A ONU perdeu a razão de existir e a transformei na minha residência. Focos de rebelião surgiram, mas todos foram neutralizados. Logo a população percebeu que deveriam continuar cuidar das suas miseráveis vidas e não se meterem comigo. Por um breve momento, lembro do garoto que jogou a lata de refrigerante e da explosão que encerrou com sua existência.

Não precisava de armamento nuclear ou de qualquer tipo. Por isso, todos foram destruídos como as indústrias bélicas que poderiam fabricá-los. As maiores mentes científicas estavam em coma, para que ninguém me superasse. Esta é a minha Terra.

Um andróide se aproxima trazendo um copo de bebida. No momento em que ele me entregava o copo, ele explode. No mesmo instante, o cubo ergue um campo de força ao meu redor que me protege. O líquido escorre pelo campo e a raiva me toma. Cravado no corpo destruído do andróide, um objeto que logo reconheço: um maldito batarangue.

— Andróides! Façam uma varredura por todo o prédio! Os invasores estão aqui.

Os minutos passam, as horas também. Nada foi detectado, é o relatório. Uma rajada do cubo cósmico é a minha resposta e destruo todos os andróides envolvidos na busca. Mas me recomponho e logo ordeno a reconstrução de todos. Logo percebo que esta é a estratégia do Batman: fazer com que aja emocionalmente e perca o controle. Poderia usar o cubo para trazê-lo a minha presença, mas já que ele usar deste joguinho de gato e rato, tudo bem. Eu gosto de jogos.

O resto do dia transcorre normalmente. Não há mais sinais do ataque do Batman. Na verdade, fiquei curioso em saber como ele sobreviveu à divisão da Terra e do cubo, estando tão perto do evento. A noite chega e vou para os meus aposentos. O cubo me informa de um tufão na Ásia que eu ordeno se desfazer. No momento em que me deito, uma sombra toma forma.

— Então, Pensador Louco, como se sente hoje?

O cubo dispara uma rajada de força que destrói a parede onde a sombra estava projetada. Ordeno que as luzes se acendam. Mas Batman não estava mais ali. Eu tinha me encontrado poucas vezes com ele, mas reconheci a sua voz. E reconheço que o tom dela pode assustar os bandidos que Batman está acostumado a lidar, mas não a mim. Ao olhar para o meu travesseiro, vejo outro dos malditos batarangues sobre ele.

— Muito bem, Batman. Já se divertiu bastante com a situação. Não sei como você conseguiu chegar aqui, mas tenha certeza que será a sua última proeza.

A minha ordem, imagens de todos os andares e salas do prédio surgem à minha frente. Em uma imagem do terceiro andar, percebo uma sombra se movendo e, no mesmo instante, me teletransporto para o local.

— Acabou, Batman. — e uma rajada atinge o local onde estava a sombra. E só consigo um novo buraco na parede.

— Talvez você tenha que melhorar a sua pontaria, Pensador Louco.

De onde vem a voz? Eu ordeno ao cubo e ele me indica o local. Quando me aproximo, vejo um microfone. Logo percebo que, durante todo este tempo, ele esteve perto de mim. Ordeno ao cubo que destrua todos os microfones instalados e uma série de explosões ocorre por todo o prédio. Maldito, ele esteve perto de mim e agora mantém esta perseguição infantil.

Uma série de batarangues é jogada na minha direção. Um me acerta, mas os outros são detidos pelo escudo que convoco. Vejo uma sombra correr na direção do plenário. No outro instante, eu já estou lá. Ao meu sinal, todas as luzes são acesas, acabando com a proteção do Batman. Ele está na terceira fileira e joga uma bomba de fumaça. Porém, um vento espalha a fumaça. Mas ele já havia planejado a minha reação. Dispara uma corda para o teto do plenário e, balançando, passa sobre mim e chega ao palco principal para escapar por uma das portas laterais.

Eu sorrio. O jogo terminava agora. As portas somem e Batman é surpreendido. Ele volta na minha direção. Salta para me aplicar um golpe de artes marciais, mas só se choca com meu campo de força e cai.

Ele se levanta e tenta assumir a sua postura de amedrontar os seus adversários. A capa cobre todo o seu corpo.

— Muito bem, Pensador. O que será agora?

— Ordeno que o Batman deixe de existir.

O cubo brilha na minha mão e dispara uma rajada na direção do justiceiro. Ocorre uma explosão e no final, apenas a sua capa chamuscada sobra. Eu a pego e comemoro o troféu da minha vitória.

— Você não existe mais, Batman! Hahahahaha!

Homem-Borracha chega ao topo do edifício, onde o Arqueiro Verde está instalado. Oliver Queen está assistindo por um pequeno monitor a cena de comemoração do Pensador Louco.

— E aí, Arqueiro? — pergunta Eel O’Brien.

— Batman está morto. — é a resposta lacônica.


Na próxima edição: E agora? Com Batman morto, será que o mundo não retornará ao que era antes da divisão? Acompanhe nas próximas edições os esforços da equipe da Mulher-Maravilha e do Super-Homem para recuperarem o cubo cósmico.




 
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