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Super-Homem # 10

Por Josa Jr.

A Kryptonita Azul
Parte II

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"Parece que minha última empreitada me trouxe mais lucros do que eu imaginava."

É madrugada em Metrópolis. Enquanto analisa os investimentos realizados no dia anterior, Lex Luthor aguarda ansiosamente pelo retorno de Bizarro número 1. Quando a criatura enfrentava o Super-Homem, Luthor designou uma de suas guarda-costas para monitorar a batalha. O empresário sabe como é perigoso confiar em Bizarro, pois a cópia imperfeita é facilmente ludibriada por palavras e pode se voltar contra seus aliados. Por via das dúvidas, Hope carregava consigo um aparelho que controla a mente do monstro, criando fortes dores em sua cabeça caso ele se torne perigoso.

No entanto, o empresário recebeu uma ótima notícia quando Hope telefonou avisando que a criatura estava de posse de um certo anel de kryptonita. Por muito tempo, Luthor tentou reaver sua jóia tão preciosa e, ironicamente, coube a um ser irracional como Bizarro lhe trazer de volta. Com um sinal, Lex pede para Mercy abrir uma das janelas da Torre Lexcorp. Minutos depois, Número 1 aparece e, sorrindo, entrega a pedra para o "amigo".

— Amiga Hope mandar Bizarro dar isso para Lex Luthor!

— Obrigado, meu maior amigo. — Luthor sorri ao perceber que o anel realmente é o original — Iniciais "L. L." gravadas por dentro. Excelente.

— E o que Bizarro número 1 fazer agora, Lex?

— Mate o Super-Homem. E todos os amigos dele. Rápido!

Próximo ao porto de Metrópolis, Super-Homem acaba de acordar. O homem de aço estava inconsciente graças ao ataque de Bizarro e aos efeitos da kryptonita, mas o barulho das pessoas ao redor e a fumaça de um incêndio o fizeram despertar. O herói abre os olhos e vê o Ás de Paus, bar de seu amigo Bibbo, em chamas. Rapidamente, ele se levanta e voa na direção do fogo.

Com seu sopro congelante, Super-Homem diminui boa parte dos focos de incêndio e alivia a dor de alguns dos queimados. Usando a supervelocidade, o herói retira os feridos e os entrega aos bombeiros, já presentes no local. Alguns batimentos cardíacos chamam a atenção de Kal-El e ele caminha na direção dos sons.

— Ajude-me...

"Rao! Três pessoas com graves queimaduras. Eles deviam estar perto das garrafas com líquidos inflamáveis, quando Bizarro explodiu o bar com seu sopro de calor. Nenhum vai resistir se não forem levados logo ao hospital. Preciso ser rápido e... não! Um dos corações parou! Por favor, Senhor, não deixe que os outros se percam também! Preciso de ajuda."

— Tragam paramédicos aqui!

Antes que a ajuda possa chegar, Bizarro número 1 reaparece no local e dispara mais uma dose de seu sopro. Só resta ao Super-Homem revidar a afronta com o sopro congelante. Assim que as chamas são extintas, a criatura avança na direção do Super-Homem. Rapidamente, o filho de Krypton deita-se no chão e Bizarro atravessa a parede do bar.

— Não!! — ao abaixar-se, Super-Homem vê, jogado entre os destroços, um velho boné de marinheiro. Clark mal pode conter sua dor — Bibbo!

Logo, sua visão de raios-x atravessa os corpos dos três queimados, na tentativa de reconhecer a fisionomia de Bibbo entre eles. Antes que seu exame possa ser mais minucioso, Super-Homem é interrompido novamente por Bizarro. Com um gancho no queixo de sua cópia, o herói a lança na estratosfera. Finalmente, os médicos chegam ao local e Kal-El pode voar atrás de seu adversário.

— Por favor, façam o possível para salvá-los. — fala Kal-El, enquanto alça vôo.

Em poucos segundos, Super-Homem já está a mais de 40 quilômetros acima da Terra, desferindo outro soco em Bizarro. O kryptoniano não contém seus golpes, furioso pelo ataque aos seus amigos. Porém, Bizarro é tão poderoso quanto o homem de aço, e resiste bem à investida do inimigo, contra-atacando quando possível.

— Desiste, Superômi! Bizarro não vai se cansar!

A batalha prossegue por vários minutos, mas Kal-El prefere mantê-la no céu, para que os prédios de Metrópolis não sejam danificados, nem o repouso dos cidadãos seja prejudicado.

— Veja, Bizarro! — Super-Homem aponta para um ponto qualquer do espaço — É a Supermoça Bizarro!

— Onde? — a criatura se distrai por um segundo. Isto é tempo suficiente para que o Super-Homem desfira outro golpe.

"Mais uma vez, tenho que me aproveitar da minha única vantagem contra Bizarro — a inteligência. Eu posso me utilizar de sua lógica distorcida, como fiz anteriormente (*). Mas... o que usar? Ele deve ter uma fraqueza, como... claro! Por que não tentar?"

O homem de aço deixa Bizarro número 1, ainda atordoado pelo último golpe, e voa em direção aos laboratórios S.T.A.R., em Metrópolis. Estilhaçando uma vidraça, Super-Homem entra em uma sala onde se encontra uma velha conhecida.

— Kitty, preciso de sua ajuda.

— De novo? — responde a doutora Kitty Faulkner, levantando-se da cadeira — Cadê seu traje? Quer outro?

— Meu traje foi destruído. Mas não é esta ajuda que quero.

O telefone toca na fazenda dos Kents. Preocupada com a possibilidade de uma notícia ruim, Martha desce rapidamente as escadas. Para sua surpresa, trata-se de Lois Lane, sua nora. A jornalista traz um terrível dilema consigo.

— Desculpa ligar essa hora, Martha. Mas é que meu sobrinho nasceu.

— Tudo bem, filha. — a sra. Kent vê que seu relógio aponta cinco da manhã — Eu ia acordar daqui a uma hora mesmo... mande lembranças nossas para Lucy e o bebê. Como ele se chama?

— Samuel. Mas não é sobre isso que eu gostaria de falar...

A sra. Kent sente que a esposa de seu filho realmente está preocupada e resolve desistir de sua última hora de sono.

— Qual o problema, Lois?

— Martha, o que você acha de eu e Clark termos filhos?

A doutora Kitty Faulkner estranha o pedido do Super-Homem, mas vai até a ala de geologia do imenso prédio dos laboratórios S.T.A.R. em Metrópolis. De dentro de uma câmara de vidro, ela retira a pedra opala que examinava até pouco tempo atrás (**) e a entrega para o herói.

— Tome cuidado com isso, hein?

— Não se preocupe. Vou fazer bom uso dela.

O herói sai do edifício e procura Bizarro com seus superpoderes. Desta vez, a criatura tenta destruir a estátua do Super-Homem, um dos pontos turísticos do parque Centenário. Cada vez mais impaciente com o adversário, Super-Homem o ataca pelas costas, deixando-o caído no chão.

— Bizarro, como pode ver, estou cada vez mais forte. — a criatura começa a se levantar, mas um chute do Super-Homem a impede — Sabe por quê?

— Superômi mentir! Bizarro é muito forte ainda!

— Não, Bizarro. Eu tenho isto! — o herói mostra uma brilhante pedra azulada para a criatura — A kryptonita azul!

— Mim nunca ouvir falar disso.

— Esta pedra é o contrário da kryptonita verde. Aquela pedra deixava Bizarro mais forte que o Super-Homem. Logo, essa aqui...

— ...deixa Bizarro número 1 mais fraco! — o monstro tenta levantar-se de novo, mas uma dose da visão de calor do Super-Homem o detém mais uma vez — Não pode ser! Lex não falou disso!

— Mas eu estou vencendo, percebe? Eu estou falando a verdade. — responde Kal-El, enquanto pensa — "Parece que o plano funcionou. A mente frágil de Bizarro realmente acredita que essa pedra azul o está tornando mais fraco."

— Mim vai buscar a outra pedra pra deter Superômi!

— Você não conseguirá voar, está fraco.

Bizarro começa a voar, mas logo cai no chão. O medo da opala o impede de andar. A cópia imperfeita do Super-Homem não sabe o que fazer diante da "ameaça", e simplesmente desmaia. Longe dali, escondida entre as árvores do parque, Hope observa tudo e informa seu patrão.

— Sr. L, Bizarro foi derrotado. — diz Hope — De alguma forma, o Super-Homem conseguiu uma pedra de kryptonita capaz de detê-lo. O que faremos?

— Ainda perde tempo perguntando? — responde Luthor, pelo rádio — Traga Bizarro e a pedra!

— Mas, senhor...

— Agora!

A guarda-costas de Luthor salta do meio dos arbustos de forma silenciosa, usando técnicas de artes marciais aprendidas com sua colega, Mercy. Um ser humano seria incapaz de ouví-la, porém para o Super-Homem não há dificuldade em escutar rápidas batidas cardíacas se aproximando. Assim que a mulher salta sobre ele, esboçando um chute fatal, Kal-El apenas desfere um rápido golpe que a faz desmaiar.

— Desculpe, mas não tenho tempo para mais confrontos idiotas.

Rapidamente, Super-Homem retorna ao Beco do Suicídio. O herói deixa os corpos de Bizarro número 1 e Hope sobre um dos prédios, e voa até às equipes de paramédicos. Temendo o pior, o herói não pára de pensar nas vítimas do incêndio provocado pelo capanga de Luthor.

— Como estão aqueles três que resgatei?

Mas Super-Homem sempre soube que nem sempre as perguntas são respondidas do jeito que queremos.

— Eles... não agüentaram. Sinto muito, Super.

— Maldição! Onde está Hope, Mercy?

Há algumas horas, Lex Luthor tenta contatar a guarda-costas. Sem obter qualquer resposta, o empresário se enfurece. Luthor levanta-se de sua mesa, para descansar depois de mais uma noite em claro. Porém, antes que deixe seu escritório, ele ouve o som de vidros se partindo.

— Senhor...

Lex olha para trás e Hope está jogada no chão, desmaiada. Voando próximo ao prédio, ele vê o Super-Homem com os olhos emitindo uma ameaçadora luz vermelha, criada pela visão de calor. Poucas vezes, o presidente da Lexcorp viu seu inimigo tão fora de si — a ponto de lançar uma pessoa contra uma janela, mesmo que seja alguém resistente como a guarda-costas negra.

— Esse seu ódio por mim já trouxe mortes demais, Luthor. Quando você vai parar? Será que eu precisaria matá-lo?

Sem dizer mais nada, o filho de Krypton adentra a sala. Com um único golpe, ele destrói a mesa do escritório, e aproxima-se de seu maior inimigo. Luthor sinaliza para que Mercy não ataque o herói e retira do bolso uma pequena caixa de chumbo, contendo sua maior arma — o anel de kryptonita.

— É necessária apenas uma morte, Super-Homem. A sua.

— Argh!

O herói cai no chão, enfraquecido pela radiação. Sorrindo prazerosamente, Lex Luthor repete o gesto de anos atrás, quando expulsou o homem de aço de seu prédio, carregando-o pela capa.

— Você não... irá se esconder... atrás deste anel para... sempre, Luthor. Um dia você pagará... pelos seus crimes.

— Sei que esta pedrinha não é o suficiente para matá-lo, mas é o suficiente para lhe expulsar. Agora, suma daqui, alienígena!

O empresário caminha até a janela quebrada, lançando o filho de Krypton para fora do prédio. Super-Homem começa a cair, mas logo seu poder de vôo retorna e ele reaparece, a certa distância da Torre Lexcorp.

— Não há nada que possa me condenar, imbecil. — grita Luthor — Nada liga Bizarro número 1 a mim. Nada! Em compensação, eu tenho vídeos de sua invasão e vandalismo no prédio da Lexcorp. Tome cuidado, heroizinho.

Super-Homem prefere não se enfurecer mais e retira-se do local. Cada vez mais confiante de sua vitória final contra o kryptoniano, Lex Luthor guarda o anel. Hope aproxima-se de seu patrão, pedindo desculpas.

— Sr. Luthor, perdão...

— Não há necessidade disso, Hope. Eu sabia que você não era páreo para o Super-Homem. O alien venceu os embates físicos, como sempre. Porém, o importante é que fui o grande vitorioso deste último confronto. Recuperei a kryptonita e humilhei-o como nunca, em um de seus maiores momentos de ira e dor. Eu venci.

— Sim, senhor. — responde a guarda-costas.

— Que valor há em vencer algumas brigas, se no fim você é derrotado por uma mente superior à sua? — prossegue Luthor — A guerra apenas começou, minhas caras. A guerra apenas começou.


Na próxima edição: LOBO!


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Notas do Autor

(*) Em Super-Homem #6. voltar ao texto
(**) Na última edição.voltar ao texto



 
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