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Homem-Aranha # 23

Por Eduardo Regis, sobre um plot de Eduardo Regis e Conrad Pichler

Problemas de Família

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Nova York.

Não! Não é possível... não pode ser verda... — seguem barulhos de engasgos e gemidos sibilantes — Maaaataarrrr...

Ele sente o ódio aflorar. Cada membro de seu corpo formiga e, de repente, é como se todas as suas células se contraíssem e dessem um salto. Os olhos são cobertos por uma substância viscosa que se solidifica transparente, e o mundo ganha outra aparência. Os sons encontram outro sentido em seus ouvidos e seus berros ecoam pelas paredes do quarto. Um salto para o quintal o leva exatamente para onde queria ir.

Casa dos Parker.

Peter e M.J se entreolham.

— Ok, M.J. Eu sei muito bem o que está escrito neste pacote de fraldas!

— Não parece, gatão! Você colocou ao contrário! — M.J aponta para a pequena May e as duas parecem combinar um sorriso.

— Caramba! — Peter se ruboriza e tenta resolver o problema, mas é surpreendido por um contratempo.

— M.J! Irgh! Ela fez caquinha! — ele aperta o nariz e faz cara de nojo.

— Nada disso Sr.Parker, pode ir limpando! — M.J passa um tubo de pomada para seu marido e uns lenços.

Peter olha surpreso para o tubo de pomadas e cai na gargalhada.

— Que foi? Posso saber? — Mary Jane estica o pescoço para tentar ver do que seu marido tanto ri.

— Você me passou a pasta de dentes! — Peter suja a cara da esposa com o creme dental e da um salto para trás.

— Argh! Você me paga, seu ridículo! — M.J prepara um contra-ataque quando a pequena May abre o maior berreiro.

Peter e M.J se entreolham. Novamente.

— E agora? Não me ensinaram nada sobre isso no curso preparatório de pais super-heróis. — Peter olha para sua esposa com cara de dúvida.

— Ela deve estar com fome. — M.J a coloca no colo e oferece o peito. Porém, não surte efeito. Mesmo após inúmeras tentativas.

— Caramba, Mary. Ela não para de chorar. Vai ver ela tá querendo alguma coisa, um chocalho! -ele pega um chocalho e balança para a filha. Também não dá certo.

— Peter, só restou uma opção. Para acalmar as feras mais perigosas, só música! — M.J liga o rádio e uma canção de pop rock invade o quarto.

— Argh, prefiro apanhar do Electro a ouvir essa porcaria! -Peter muda a estação e cai numa rádio de notícias.

— Atenção! Boletim urgente do centro de Manhattan, onde, agora, o Lagarto está descontrolado atacando os cidadãos! A polícia já chega ao local, mas... — M.J puxa a tomada do rádio.

— Nem pensar, Peter Parker. — ela olha direto para seu marido. — O senhor vai ficar aqui e curtir sua filha, enquanto o Dr. Estranho ou o Robin resolvem aquele problema lá no centro!

— Mas o Robin mora em Gotham...

Peter Parker!

— Tá bom... Mas, M.J., não dá! O Doutor Connors pode estar com algum problema grave, e eu não posso permitir que ele machuque aquelas pessoas. — Peter tenta se explicar.

— E eu não vou permitir que ele machuque o pai da minha filha! Peter, isso não é mais sobre eu e você. Olhe para May, ela mal nasceu e já foi seqüestrada por mutantes! (*) Imagine o que pode acontecer se você continuar a sair por aí como o Homem-Aranha! — M.J responde exaltada.

— Você não pode estar sugerindo que eu... — Peter começa a falar, mas é interrompido.

— Eu não estou sugerindo nada, mas você devia considerar. — M.J fala.

— Bem, eu vou pensar sobre isso...mas enquanto eu não penso o Homem-Aranha continua protegendo vidas! — Peter beija a pequena May e corre para pegar o uniforme.

Centro de Manhattan.

O Lagarto ergue uma lata de lixo e joga contra um carro largado no meio da rua.

— Macacosssss, vocêsss corrompem vocêssss. Os répteis precissssam dominarr.— a criatura gira o corpo e derruba alguns policiais com suas gigantesca cauda.

— Ei, popozão! Eu sei que você se sente solitário lá no "Jurassic Park", mas precisava fazer isso? — o Aranha desce balançando na teia e atinge um chute na cara do lagarto.

— Araaaanha. Arraaanhaa deixarrr me em paaazzz, ou destruuuuo tudo! — o réptil humanóide segura o aracnídeo com suas garras e o joga contra o asfalto. O Aranha rodopia pela rua, rasgando parte de seu uniforme.

— Agora você me deixou muito chateado! Esse modelo era do Calvin Klein! — o Aranha olha para o estrago no seu uniforme e faz uma rede de teia sobre o Lagarto.

A rede parece funcionar e o Lagarto tenta desesperadamente se livrar do aprisionamento.

O Homem-Aranha se vira para a multidão.

— Muito bem, parece que o amigão da vizinhança salvou o dia novamente! Lagarto enjaulado e oh-oh! Sentido de aranha avisando que é melhor... fuga pela esquerda! — o Aranha salta e se desvia de um ataque feroz do vilão.

— Que safado, ele se livrou das teias! Vocês viram isso? — o herói salta para um confronto direto e desfere três socos no inimigo — Um pelo uniforme, um pela teia, e um pra ver se conserto esse dente torto da frente!

— Pesssssoa arrraanha..Morrrrra! — o lagarto atinge suas garras no peito do aracnídeo, rasgando-o. — Vooocê nãaao poode contraaa ossss répteisssss.

— Au! au, au! Essa doeu pra caramba! — o Homem-Aranha coloca um chute no tronco do inimigo, jogando-o um pouco para longe.

O Lagarto salta e quebra a vitrine de uma loja de café.

— Ah não! Eu adoro o Starbuck´s! — o aracnídeo salta logo atrás do lagarto. Ao entrar na loja ele vê o réptil humanóide em cima do balcão, com uma funcionária do local em suas garras.

— Arranhaa. Maaato elaa. Saaai!! — o Lagarto ameaça a mulher com suas unhas. — Macacosss fraaacoss. Peeele rasssssga fáaacil.

"Ops! O Lagarto não tá pra brincadeira! Nunca o vi tão violento desse jeito!"

— Seguinte, lagartixa, larga a moça que eu te compro um lustra-escamas! — o Aranha prepara seus lançadores de teia.

— Nãooo. Sssssão vocêssss. Culpadosssss. Arraaanhaa ajuuudaa elesssss — o vilão aperta o pescoço da mulher. Algumas gotas de sangue escorrem.

— Ajuda ela, Aranha! — grita um homem acuado dentro da loja.

— Perái que não é fácil negociar com um iguana gigante! — o Homem-Aranha levanta os braços. — Ok, ok. Eu vou embora e você larga ela!

— Arrrraaanha não engaaana! — a criatura reptliana joga a mulher para cima do herói e salta para fora da loja. O Aranha segura a funcionária e a deita em cima de uma mesa.

— Desculpa, moça, sem tempo pro beijo do herói! — ele lança sua teia e sai para a rua ainda em tempo de ver o Lagarto escalando um prédio e entrando por uma janela.

O Aranha pensa em subir atrás do Lagarto, mas logo uma pessoa é jogada do prédio, quebrando a janela.

"Putz!"

O Homem-Aranha salta e pega o homem no ar, imediatamente ele lança sua teia para dentro da sala com a janela quebrada e entra com o homem em uma manobra acrobática impressionante.

— São e salvo. Qualquer coisa é só ligar pro disque-aranha e elogiar os serviços! — o herói atravessa a porta, já quebrada, da sala e dá de cara com o Lagarto destruindo uma outra sala cheia de computadores.

— Eu vou exigir um emprego no departamento de controle de pragas! — o cabeça-de-teia salta e acerta o Lagarto com um chute.

— Eeuuuuu maaaatooo homenssss! Todossss. — O Lagarto joga um computador e acerta em cheio a cabeça do herói, deixando-o tonto.

— Minha nossa senhora das aranhas aflitas, essa foi jogo sujo!— o Aranha salta para o teto e joga sua teia no lagarto, puxando-o.

O vilão corta a teia com suas garras e salta para cima do aracnídeo. Ele o agarra e joga-o contra o chão. Suas garras apertam o pescoço do aracnídeo.

— Ossss répteisss esssstão na Terrrraaa háa miiiilhaaaaresssss de anosssss. Fortesss, ressssisssstentessss. Nósss esssmagamossss arrrrraanhassssss. — O Lagarto faz mais força contra o pescoço do herói. O Homem-Aranha começa a ficar tonto. Num rápido contra-golpe , o aracnídeo puxa as garras do vilão com as mãos e dá uma cabeçada nele. O Lagarto se levanta meio tonto. O Aranha aproveita e acerta a cabeça dele com um gabinete de computador. O Lagarto agarra o Homem-Aranha e eles começam a rolar pela sala.

— Que parceiro de dança eu arrumei! — o Aranha fala enquanto eles giram em meio a luta.

A cauda do Lagarto atinge um monitor de computador, fazendo-o cair no chão. O monitor solta faíscas e começa a arder em chamas. Enquanto o Aranha e o Lagarto se digladiam, as chamas atingem uma lixeira e a fumaça ativa o sistema anti-incêndio da sala. O Aranha empurra o Lagarto, que cai sobre vários computadores, que se quebram. O Lagarto leva um choque, é o suficiente para distraí-lo e dar chance para o herói acertar um soco e desmaia-lo. Assim que o corpo do lagarto cai, o aracnídeo o agarra e sobe para o topo do prédio pelo lado de fora.

O heroí larga o corpo do lagarto no topo do prédio. Imediatamente o Lagarto começa a reverter para a forma de Curt Connors.

"Ufa! Ainda bem. É bem melhor bater papo com um mamífero!"

Poucos instantes depois, Connors desperta e dá de cara com o aracnídeo andando de um lado para o outro.

— Aranha? O que aconteceu? — Connors repara em suas roupas rasgadas — O Lagarto de novo... — ele bota a mão na cabeça.

— Deixe-me ajudá-lo a levantar, Doutor — o aracnídeo estende a mão para o doutor.

— Obrigado. — Connors é levantado e ajeita suas roupas.

— Então, Doutor, no que posso ajudar? O que aconteceu pra você mudar de espécie de novo? Dessa vez o Lagarto estava muito violento, ameaçando vidas sem hesitar. — o Aranha pergunta.

— Billy... ele chegou da rua e saiu correndo para ir ao shopping. Apressado como sempre, jogou as roupas na cama. Quando eu fui guardá-las... vi um pacotinho de pérola. Eu me descontrolei e... bem... você já sabe.

— Pérola? Não acredito! Essa porcaria tá em todos os lugares. Já tive mais de um milhão de problemas por causa dessa droga! Isso não vai ficar assim Doutor! — o Aranha segura os ombros de Connors — Eu já perdi a conta das vezes nos ajudamos, e dessa vez não vai ser diferente. Deixa comigo, Doutor! Eu vou descobrir quem passou isso pro Billy e vou acabar com essa pérola de uma vez por todas! Vou chegar fundo nisso, e descobrir por vez o mistério por trás desse "Sr.Shell"!

— Não sei. Eu não sei. A vontade que eu tenho é de achar Billy agora mesmo e... mas que idéia do garoto! Pérola! — Connors abaixa a cabeça — A culpa deve ser minha, Billy não pode estar bem mesmo. Seu pai é uma criatura reptiliana, sempre ausente, perdido em um laboratório. Sua família foi destruída pela maldição do Lagarto.

As palavras de Connors atingem Peter com violência. O Homem-Aranha já causou muitos problemas para Peter Parker e para aqueles que ele ama, será que levar a diante o manto da aranha é sábio agora que ele é responsável por uma vida?

— Deixa com o amigão da vizinhança aqui! Enquanto isso eu te dou uma carona até a sua casa. Alguém pode querer te prender por atentado ao pudor! — o aracnídeo abraça Connors e se balança com ele até a casa do Doutor.

Algum tempo depois Peter entra em sua casa.

— M.J cheguei! — Peter grita ao bater a porta.

M.J desce as escadas com a pequena May no colo.

— Peter, eu fiquei sabendo de tudo pela televisão. O que aconteceu com Connors para ele se transformar no Lagarto de novo? — ela se senta no sofá.

— Ih, Mary. Curt achou pérola nas roupas de Billy. Eu não tô acreditando nisso! Essa tal de pérola tá conseguindo se espalhar por todos os lugares! Se já não me bastasse isso eu ainda tô preocupado com uma coisa lá do hospital. — Peter coça a cabeça.

— Hospital? — M.J arregala os olhos. — Mas, o problema lá já tá resolvido!

— Mais ou menos. Um dos Morlocks falou que um cara de seis braços matou alguns deles nos esgotos. Eu só conheço um cara com seis braços!

— O Octopus? — M.J pergunta.

— É. A última vez que eu soube dele ele tinha sido preso pela Mulher-Maravilha, mas isso não quer dizer muita coisa.

— É, Pete. O Octopus é esperto o suficiente pra sair de qualquer prisão. — M.J começa a amamentar a pequena May.

— Bem, deixa isso pra lá. Só sei que só vou colocar o uniforme de novo é amanhã! Hoje eu vou me dedicar as duas mulheres que eu mais amo nesse mundo! — Peter corre e beija M.J e a pequena May.

— Pete? Eu tô pra te perguntar uma coisa... — M.J bate com a mão no sofá, chamando Peter para se sentar. Ele se senta.

— O quê?

— O que realmente aconteceu praqueles mutantes terem pego a May?

— Ahn. Não sei. Acho que foi aleatório. — Peter se levanta.

— Ah não! Nem vem com essa... — M.J se enfurece.

— Ah, M.J.! Não sei, acho que é a velha sorte dos Parker.— Peter vai em direção a cozinha.

— Peter... Ainda tem outra coisa! Você vai realmente continuar a sair desse jeito por aí?

— Não vamos conversar sobre o que aconteceu no hospital ou sobre mais nada agora, você ainda está nervosa e está amamentando. Não quero que seu leite empedre. Lembre-se do que o médico falou! — Peter abre a geladeira, pega uma maçã e sobe as escadas.

"Você ainda não escapou dessa conversa, Sr.Parker."


:: Notas do Autor

(*) Em Homem-Aranha # 20, # 21 e # 22. voltar ao texto




 
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