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Mulher-Maravilha # 34

Por JB Uchôa

Paraíso em Chamas — Parte III
A Dream Is a Wish Your Heart Makes

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Paraíso em Chamas
Por Lois Lane
(matéria publicada no jornal Planeta Diário — edição de hoje)

A Ilha Paraíso sempre atraiu a atenção de toda a humanidade. Seja por nós, mulheres, ou pelos homens. Por motivos bem diferentes, gostaria de ressaltar. O fato é que ter passado menos de quarenta e oito horas em Themyscira, para assistir à coroação da nova rainha, é uma dádiva que nem quem viveu na época de Cristo teve oportunidade.

O famoso jato invisível que a Mulher-Maravilha usa existe. Foi ele que fez o translado dos jornalistas americanos, juntamente com o coronel Steve Trevor e a capitã Etta Candy, da aeronáutica, para Atenas, na Grécia. Na capital grega, nos encontramos com os demais jornalistas de toda a parte do globo e convidados especiais da casa real themysciriana. Como por encanto, podíamos ver pelas margens do mar Egeu a Ilha Paraíso como uma imagem espectral, como se estivesse envolvida em brumas, contribuindo para o momento mágico da coroação de uma rainha de uma sociedade sagrada e secular. Uma grande embarcação surgiu entre as brumas e fizemos a travessia para a Ilha Paraíso.

Algumas revistas como a National Geographic já mostraram belíssimas fotos de Themyscira em suas páginas, mas acreditem: nada se compara a ver com os próprios olhos.

A capital themysciriana é de uma beleza inigualável, repleta de colunas gregas e imagens das deusas que criaram as amazonas. Guerreiras com enormes lanças e elmos são vistas por toda a cidade, assim como as amazonas, que continuaram seus afazeres normalmente, vestidas em túnicas gregas.

O Coliseu de Themyscira, que em nada deixa a desejar para o romano, abrigaria a cerimônia de coroação. Todas as guerreiras seculares acenderam tochas em uníssono para saudar sua princesa que se tornaria rainha. Todas as amazonas podem se considerar um pouco mães de Diana, que foi um presente dos deuses gregos para a antiga governante, Hipólita.

A capitã da guarda, Phillipus, iniciou a celebração, e os deuses sorriram no céu. A história parecia um conto de fadas... com direito a bruxa má. Uma energia púrpura irrompeu no ar e derrubou os deuses Hermes e Íris. Adentraram o Coliseu Circe e uma horda de guerreiros putrefatos.

(Continua)


Bosque de Themyscira

— Donna? — Superboy encontra a nova Mulher-Maravilha desacordada em meio a uma clareira.

— Por Réia... — balbucia Donna Troy, levando a mão à cabeça — não consegui me esquivar do ataque de Giganta! Superboy! — Donna levanta-se com rapidez e apóia-se no ombro do garoto de aço — Vamos ao palácio, existe alguém que pode nos ajudar!

— Quem? — ignorando a pergunta de Kon-El, a Mulher-Maravilha levanta vôo direto ao palácio, sendo seguida pelo garoto.

Olimpo

— O ser no ventre de Circe está amplificando os poderes dela. — determina Hebe, com a voz branda.

— Será que Circe está grávida de um deus? — Afrodite olha para Apolo de esguelha.

— De Ares?? — Apolo olha para Afrodite — Afinal, isso é bem a cara dele!

— Não, Apolo... essa criança será um novo deus. — Hebe descruza os braços — Talvez mais poderosa que Zeus.

— Talvez mais poderosa que todos nós juntos. — Atena senta-se e, com o indicador, coça levemente a cabeça da coruja que a acompanha — E essa criança terá que ser morta ou então trazida ao Olimpo!

Coliseu

— Por que a cara de espanto, Di? Essas coisas acontecem, você sabe o que se precisa fazer para isso, não sabe? — Circe levanta-se calmamente e acaricia a barriga.

— Você... agora eu entendo...

— Você não entende nada, sua vaca! — Circe esbofeteia a face de Diana, que bloqueia seus outros golpes com firmeza.

— É você que não compreende, Circe! O Universo tem uma lei básica chamada "ação e reação". — Diana esbofeteia duas vezes a face de Circe — Para cada ação, existe uma reação. — esbofeteia novamente e bloqueia outro golpe — Se você oferece apenas tristeza e violência, só receberá isso de volta.

— Vaca amazona! — enquanto Circe tenta deter Diana, as correntes que antes envolviam o Super-Homem se desfazem, deixando o kryptoniano livre.

— Por sua vez, as amazonas oferecem amor... e perdão. — Diana segura firme os braços da oponente. Vários heróis prestam atenção no rumo que a batalha vai tomar. Giganta recua um passo atrás, cerrando os dentes.

— Fique onde está, Doris. — o homem de aço plana à sua frente — Diana irá encerrar essa contenda.

— E com a autoridade de rainha de Themyscira, eu ofereço a você um abrigo para que tenha seu filho em paz.

O quê? Diana está louca? — Dinah Lance olha firme para o Arqueiro Verde — Ela tá oferecendo abrigo para essa assassina?

— Não seria a primeira vez que um governo abriga um assassino, passarinho! — Oliver dispara uma flecha que trespassa a mão da Mulher-Leopardo — É por isso que eu sou a favor da anarquia!

— Diana falou o que eu pensei que ela falou? — estica-se Ralph Dibny por trás dos dois heróis — Vamos tentar empurrar esses montes de ossos pra lá, onde o Flash fez uma barricada!

— Diana tem seus motivos e nós não devemos questioná-la. — Grande Barda estilhaça o crânio de um dos piratas que se aproximavam, que se desmonta ao chão e não se recompõe.

— Querida, acho que você encontrou um jeito mais divertido de acabar com essa loucura! — Scott Free plana por cima dos heróis — Ralph, estique-se ao máximo!

— É pra já, Scott!! — enquanto o Homem-Elástico estica-se até Barda Free, o Sr. Milagre pega impulso, voa direto ao corpo do amigo, esticando-o por quase todo o Coliseu, toca levemente no ombro e um grande estrondo abre um enorme tubo de explosão.

— Amazonas... retirada!!— sustentando ao máximo o corpo de Ralph Dibny, Scott Free observa as guerreiras amazonas saírem da área que o corpo do Homem-Elástico envolve, então quando Barda dá o sinal, ele salta por trás e solta Ralph, fazendo com que o amigo arremesse os oponentes para dentro do tubo de explosão. Barda segura Ralph e o Sr. Milagre toca novamente na caixa materna, encerrando a conexão com Apokolips.

— Dêem um alô a Darkseid, garotos! — Ralph Dibny estica a mão, acenando para Sue.

O palácio real de Themyscira possui grandes salões e quartos suntuosos. Donna Troy e Superboy percorrem os corredores, olhando atentamente em cada cômodo.

— O que exatamente nós estamos procurando?

— O que não, Superboy, quem! A única pessoa que rivaliza com Circe em nível de poder.

Coliseu

Aaaaaaaaaaa! — grita Jack Ryder, enquanto Etta Candy dispara contra o esqueleto que tentava adentrar a barricada que improvisaram — Você podia ter me acertado!

— Isso mesmo, podia.

— Pessoal, seria melhor se todos vocês ficassem sentados. A capitã Candy e eu vamos prezar a segurança de vocês. É importante que fiquem sentados, não tentem ver o que está acontecendo lá fora...

— Mas lá fora é onde está a notícia!

— Querida, mais que a notícia, lá fora é onde está a morte!

— Maldita Lois Lane, ela não esta aqui! — Jack Ryder senta-se o chão e coça a cabeça em sinal de revolta — Ela sempre tem a notícia!

— Essa coisa vai matar a minha filha! — grita Helena Sandsmark.

— "Essa coisa" é a minha filha, Helena! — responde Julia Kapatelis.

— Calma, senhoras, fiquem calmas. — pondera Sue Dibny — Não seria melhor se Ferdinand tentasse nos levar até a barricada do coronel Trevor?

— Eu não sei se Ferdinand conseguiria chegar até o outro lado do Coliseu protegendo nós todas. — Lois Lane olha para o alto e vê o Super-Homem lutando contra Giganta — Graças a Deus o Super-Homem se libertou de Circe, agora é questão de tempo até tudo acabar.

— Senhoras, atrás de mim! — Ferdinand se joga na frente das quatro mulheres enquanto o corpo de Ralph empurra grande parte dos mortos-vivos para dentro do tubo de explosão.

— O que foi isso? — pergunta Julia, que mal tem tempo de ver o borrão escarlate do uniforme do Homem-Elástico passar por trás das amazonas que correm em direção oposta.

— Meu marido. — diz uma sorridente Sue — Ele é um herói! Valeu, Ralph!!

— Eu já lhe expliquei que não peguei em lugar nenhum! Eu ganhei esses poderes de Zeus!

— Mentirosa!!! — Harpia de Prata, outrora Vanessa Kapatelis, voa na direção de Cassandra, que levanta a espada, mas só resvala na asa da inimiga. Entretanto, as garras da Harpia de Prata ferem o braço de Cassie.

— Vagabunda! — Cassandra toca no braço ferido e empunha novamente a espada.

— Humm... — Vanessa leva a mão suja de sangue à boca e lambe suavemente os dedos — seu sangue tem um gosto... diferente?

Aproveitando que sua oponente está desatenta enquanto olha para a própria mão, Cassandra crava a espada no ombro de Vanessa, que urra de dor.

— Helena, sua filha vai matar a minha!

— Cassandra não faria isso, Julia, ela só está se defendendo! — Helena olha para Ferdinand, que olha atentamente para a briga das duas — Ferdinand?

— Cassandra deve fazer o que tem que ser feito, Helena. — Julia e Helena encaram o grande homem-touro com espanto — Ela é uma heroína, ela sabe o que deve ser feito.

— Você tem sangue imortal, sua cadela! Sangue imortal! — Cassandra solta a espada e encara a Harpia de Prata, que se ajoelha de dor. Com um único golpe, ela leva a oponente a nocaute.

— Ferdinand! Me ajude a amarrar Vanessa e a estancar esse sangue!

— Você sabe onde eu quero que você enfie seu perdão? — Circe joga Diana longe com apenas um gesto. Um rastro púrpura permanece levemente no ar enquanto a rainha de Themyscira cai ao solo. Como se tecesse uma teia com as mãos, Circe ergue uma barreira à sua frente, desviando os mísseis que Batman havia disparado do jipe.

— Maldição! — o cruzado de capa corre ao ver que Circe prepara um disparo contra o carro. O veículo explode e Batman mal tem tempo de se proteger.

— Você está bem? — pergunta Ártemis, em um tom seco.

— Não se preocupe comigo.

— Vou me lembrar disso na próxima vez que você estiver sem memória. (*)

— Esqueça o que aconteceu naquela semana, Ártemis.

— Algumas coisas eu faço questão de me lembrar, "Batman"!

— Bruce? — Diana aproxima-se enquanto rasga suas vestes, liberando suas pernas e braços do vestido — Circe está poderosa demais. Piedosa Atena, porque os deuses não fazem nada?

— Os deuses estão aquém de ajudar-nos, minha rainha.

— Ou não querem! — Batman responde em tom seco, enquanto com a espada solta a capa de Diana.

— Eles não conseguem, Batman! Os deuses nunca abandonariam Themyscira!

— Ajude o Super-Homem, ele ainda está fraco por conta da magia. — antes que Diana levante vôo, Donna Troy, Superboy e Helena Kosmatos surgem no céu.

— Diana, olhe! — Ártemis aponta para o trio.

As amazonas gritam em sinal de contentamento. Antes que Circe consiga olhar para cima, um grande vulto negro, meio mulher e meio fera, agarra a feiticeira. Giganta corre ao encontro de Circe. A grande sombra de Tisífone, a fúria vingadora dos assassinos, agarra Circe que parece explodir em uma bruma púrpura. Os guerreiros mortos-vivos perdem a força e Giganta é amarrada ao chão pelas amazonas. A Mulher-Leopardo esquiva-se de Canário Negro e Jessica Drew e parte Coliseu afora.

— O que foi isso? — pergunta Drew, enquanto tenta fazer mira para acertar a Mulher-Leopardo.

— Já ouviu dizer que gato escaldado tem medo de água fria? — Raplh Dibny baixa a arma de Jessica — Deixe a dra. Minerva ir. Acho que a Mulher-Aranha não iria querer uma morte covarde em seu currículo.

— Como? Como você sabe que eu fui a Mulher-Aranha?

— Eu sou um dos melhores detetives, Jessica Drew. A cara de bobo é só para enganar os mais afoitos, reconheceria você em qualquer disfarce. — Jessica sorri e estende a mão para Raplh, que a cumprimenta — Foi bom finalmente termos lutado lado a lado.

Palácio real de Themyscira — suíte real. Batman, Super-Homem, Flash, Diana, Donna e Homem-Elástico estão juntos.

— Eu acho que ainda não posso determinar o que aconteceu no Coliseu. — desabafa o homem de aço — Eu sentia como se Circe pudesse se alimentar de minha energia.

— De certa forma, Kal, é bem possível. — Diana senta-se em uma cadeira — Mas não foi por isso que os chamei aqui.

— Como não? — Flash está impaciente — Nós quase fomos massacrados por aquela bruxa! Não deveríamos tentar entender por que e como Circe ficou tão poderosa?

— Acredito que o Oráculo falará comigo sobre isso, Wally. A conexão com os deuses gregos foi rompida e ainda não foi reestabelecida, alguma coisa grande está acontecendo.

— A Mulher-Leopardo está desaparecida. Giganta encontra-se presa juntamente com a mulher alada que foi ferida pela Garota-Maravilha. — Batman continua suas ponderações em um tom seco — Felizmente, nenhum civil foi ferido, mas quantas amazonas foram mortas?

— Dezenas. — os olhos azul-safira de Diana marejam — Não é a primeira e não será a última vez em que amazonas morreram ao defender Themyscira. Viveram e morreram como guerreiras. A morte faz parte das amazonas, serão reverenciadas quando partirem.

— E devemos levar as prisioneiras conosco?

— Você sabe o que penso sobre isso, Batman. — Diana ergue-se e o fita com doçura, mas ao mesmo tempo com rigidez — Elas são prisioneiras de Themyscira, e ficarão aqui.

— Você é capaz de acolher Giganta e Bárbara Minerva para poder cuidar de Vanessa Kapatelis?

— Não foi para isso que os chamei aqui.

— Mas eu quero saber, Diana! Você está acolhendo criminosas procuradas! Assassinas!

— Elas são prisioneiras de Themyscira, Batman! Como rainha das amazonas, eu determino as leis que elas terão que responder em meu solo!

— Opa, opa, opa! — Ralph Dibny acena com sua mão entre o casal — Diana está certa, Batman. Se as autoridades americanas ou de qualquer país quiserem se responsabilizar por elas, terão que solicitar a extradição!

— Solicitar a quem, Ralph? Diana arcou com a coroa, mas não sabemos que rumo a embaixada de Themyscira vai tomar. Ela será atuante e implacável ou a nova embaixadora correrá o mundo pregando a paz?

— Isso você terá que perguntar à nova embaixadora, Bruce. — Diana torce a boca e olha para o Super-Homem. Como jornalista, Clark Kent tem a mesma curiosidade que Bruce, mas como amigo ele prefere calar.

— Então, Mulher-Maravilha, — Batman vira-se para Donna Troy — a senhora embaixadora poderia me dizer?

— Eu não sou a nova embaixadora, Batman. — Donna coloca as duas mãos na cintura e encara Bruce Wayne — Ártemis partiu juntamente com os outros.

— Ártemis??

— Sim, Bruce. Ártemis.

— O que você queria falar conosco, Diana? — Super-Homem busca focar a discussão no real motivo de Diana ter chamado seus amigos mais próximos para seu quarto.

— Eu gostaria, como membro sênior da Liga da Justiça, de indicar Donna para o meu lugar. Creio que com a ajuda e apoio da Liga, a Mulher-Maravilha poderá executar sua ajuda ao mundo.

Uau! Donna! — Wally parabeniza a amiga — Será fantástico estarmos juntos de novo.

— Não há problemas da minha parte, Diana. Seja bem-vinda, Donna!

— Eu me abstenho de qualquer voto. — dizendo isso, Batman abre as portas da suíte, esbarrando na Garota-Maravilha e em Superboy.

— Oooops! — Cassandra sorri desconcertadamente.

Paraíso em Chamas
Por Lois Lane
(matéria publicada no jornal Planeta Diário — edição de hoje — continuação)

Fomos todos protegidos pelos maiores heróis da Terra.

Embora muitas vezes eu me perguntasse se ali seria o meu fim, no meio da notícia, eu tinha certeza de que iríamos sobreviver. Não houve nenhuma baixa civil, as amazonas mortas em combate seriam reverenciadas e sepultadas no amanhecer do dia. Infelizmente, não pudemos ficar para prestar respeito a tão valorosas guerreiras. A rainha Diana solicitou que partíssemos imediatamente, pois a derrota de Circe poderia ter sido breve. A bordo da nau, a viagem foi tranqüila, apesar do silêncio entre os presentes, todos tínhamos certeza de uma coisa: a Mulher-Maravilha ainda estaria presente em nossas vidas.

A outrora Moça-Maravilha, Tróia dos Titãs, assume o manto de sua mentora. Longa vida à rainha! Boa sorte para a nova Mulher-Maravilha, a redação do Planeta Diário saúda a nova heroína.

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:: Notas do Autor

(*) Veja o encontro quente entre Batman e Ártemis no arco "Identidade Wayne" em Batman # 16 a # 18! voltar ao texto




 
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