hyperfan  
 

X-Men # 19

Por JB Uchôa

Fantasmas

:: Sobre o Autor

:: Edição Anterior
:: Próxima Edição
:: Voltar a X-Men
:: Outros Títulos

Mansão Xavier — Escola para Jovens Superdotados

A pequena garota de cabelos levemente rosados atende ao telefone e percorre a ampla sala de estar, passando esbaforida pelas grandes portas que dão acesso a área da piscina.

— Srta. Frost, telefone para a senhora!

— Obrigada, querida. — Emma Frost verte delicadamente a xícara de chá e atende ao telefone. Sua feição não modifica e não emite nenhuma palavra enquanto o interlocutor lhe passa informações. Com a mesma delicadeza que vertia a xícara de chá, Emma desliga o telefone e o coloca sobre a mesa.

— A senhora vai pro enterro do seu pai? — A telepata arqueia a sobrancelha e encara a garota.

— Claire, querida, você está desenvolvendo uma sutil telepatia?

— Não, Dona Emma, seu pai está aqui ao meu lado, pedindo que a senhora vá ao enterro dele.

Escritório de Charles Xavier

Ciclope permanece imóvel de fronte ao pequeno cubo que flutua a poucos centímetros acima da escrivaninha gerando uma conhecida imagem holográfica.

— Está tudo bem, Scott. Alguns recrutas são um pouco... humm... digamos, teimosos, mas está dando certo. Estou feliz.

— Sinto.. sua falta, Jean.

— Eu sei, Magrão. Não se preocupa, é por pouco tempo. Parte de mim sente-se feliz por estar ajudando no treinamento dos Lanternas Verdes, é como se eu... a Fênix ... pudesse me... se redimir por toda destruição e as vidas ceifadas em D'Bari...

— Jean, você sabe...

— Eu sei, Magrão! Ei, mais tarde eu tento me conectar mais a vontade... Entende? — A holografia da jovem ruiva pisca e manda um beijo para Scott Summers, que retribui timidamente.

BAMF!

Kurt!! — Ciclope apressa-se em abrir as janelas.

— Perdão, Scott! Eu não sabia que o estúdio estava fechado... hã... totalmente fechado.... — Noturno olha ao redor e nota a ausência de luz e as janelas e cortinas fechadas, exceto pelas que Ciclope já abriu — O que você estava fazendo aqui?

— Conversando com Jean ... hã ...a claridade atrapalha o monitor holográfico Shiar... — Scott Summers abotoa a camisa e coça levemente a cabeça.

— Você não precisa me dar desculpas, homem! — ri Noturno, com seu habitual bom humor — retiro o que eu perguntei!

— Não, Kurt... Eu...

— Na verdade, eu vim procurá-lo para alertar sobre as crianças que trouxemos de Genosha.

— Elas estão apresentando problemas? Algo com a adaptação? Saudades?

— Oh, não. Na verdade, elas nem falam nos pais, o que é um pouco preocupante, mas perfeitamente compreensível pelo pouco tempo que estão aqui e da forma como foram largadas lá. Apesar da pouca idade, creio que tem consciência que os pais os prenderam na casa para que morressem. — Kurt salta sobre uma poltrona próxima a lareira e olha as fotos de vários X-Men, inclusive dele próprio, sobre a base de granito — O que me intriga é que Claire...

— A de cabelos rosados?

— Sim, Claire, assim como Agatha, não havia demonstrado nenhum poder mutante, pelo menos visível, até o momento. Ontem ela me parou no corredor e disse "Sr. Wagner, o senhor poderia ficar comigo até eu dormir? Eu não gosto do fantasma do pai da srta. Frost".

— Fantasma? — Pergunta Scott, voltando a sentar-se na cadeira.

— Fantasma.

— Mas pelo que me consta o pai de Emma é vivo.

— Hoje Emma recebeu um telefonema e me disse que se ausentará por dois dias. Quando perguntei o motivo ela respondeu que era um assunto familiar.

— Isso não diz nada, Kurt.

— Não diria se Claire não tivesse me dito "espero que a srta. Frost vá logo para o enterro pra esse homem me deixar em paz.".

— Onde está Emma?

Terceiro quarto à direita, segundo andar da Mansão Xavier

Lince Negra está concentrada em frente ao computador vigiando com entusiasmo um leilão no e-bay, aguardando os últimos minutos de um lance quando ouve uma leve batida à porta.

— Pode entrar! — A jovem garota não se vira, continuando atenta ao computador.

— Seu quarto é um pardieiro, Katherine! — Emma Frost olha o grande volume de roupas em cima da cama e dezenas de livros soltos ao chão.

— Chama-se vida, Rainha Branca! — Kitty vira-se para a telepata, com a testa franzida. — O que quer aqui?

— Ora, ora Katherine, que arrogância, combina muito com seu sobrenome. (*) Vim lhe pedir um... favor.

— Você o que?? — Kitty vira-se rapidamente na cadeira e solta uma alta risada — você pode repetir?

— Vou me ausentar uns dois dias... Problemas familiares. Gostaria que você observasse as crianças para mim.

— Ora, ora... A poderosa dama do gelo tem problemas familiares? Não sabia que a Ninhada estava de volta.

— Muito engraçada, Pryde. Obrigada.

— Disponha, eu gosto dos pirralhos.

— Ah, Claire gosta de tomar um copo de leite morno antes de dormir. — Emma Frost vira-se e abre a porta.

— Nossa, preocupada com o leite da pequena! Não sabia que batia um coração pra quem tem um sobrenome tão gelado. (**) Você anda muito coração mole para quem foi a Rainha Branca do Clube do Inferno.

— Obrigada, Katherine, vou tomar como um elogio. Tive bons momentos no Clube do Inferno — Emma torce a boca e vira-se novamente para a garota — E você tem o nariz muito afilado para uma garota judia.

— Ah, Cretina! — Diz Kitty, olhando para a porta que se fecha, novamente com a testa franzida — Praga, perdi o leilão! Vaca!

— Seu pai faleceu, Emma? — Ciclope toca o ombro da telepata, que se vira.

— Sim, Scott. Não que eu gostasse do velho, mas vou cumprir o papel familiar que esperam e me ver livre disso. — Os olhos de Emma Frost encontram-se com o do líder dos X-Men, ela enrubesce.

— Mesmo não gostando de seu pai, existem certas verdades que são absolutas. Não é perder um ente querido, mas o fim de uma geração, de uma dor... De uma mágoa.

— Obrigada, Scott.

— Kurt pode lhe acompanhar, se quiser.

— Obrigada, mas vou sozinha. — O táxi para de fronte aos portões da mansão, Emma Frost entra pela porta traseira. — Motorista, pegue minha mala com o homem de óculos vermelhos.

— Boa viagem, Emma. — Diz Scott entregando a mala ao motorista e acenando pela janela.

— Eu voltarei, Summers. Eu vou cumprir a promessa de educar essas crianças. — Scott deixa o carro desaparecer de vista, vira-se cabisbaixo para a porta onde se encontra a pequena Claire, de cabelos rosados e braços cruzados, olhando firmemente para ele.

— Porque o senhor não foi com ela, Sr. Summers?

Ciclope sorri e abaixa-se.

— Diga, Claire, você não gostaria de comer biscoitos e assistir televisão com Agatha? — A menina sorri e acena que sim com a cabeça.

— Posso lhe fazer companhia? — Wolverine esgueira-se pelo telhado e senta-se ao lado de Tempestade. — Quer uma cerva?

— Não, Logan, obrigada.

— Está bem gelada. — Com o dedo indicador, Wolverine abre o lacre e toma um grande gole.

— Fui deixar Yukio no aeroporto ontem. — Tempestade olha fixamente para o horizonte.

— Eu sei, tu ainda tem o cheiro dela. — O canadense olha para a lata de Budweiser e toma outro gole.

— Ela ... Falou das alianças. (***) — Ororo olha para o amigo, que continua olhando pro horizonte. — aquilo foi rude, Logan.

— Eu sei. — Wolverine olha para Ororo — mas sou chucro demais para perceber isso na hora.

Tempestade sorri e encosta a cabeça em seu ombro, ele afaga os longos cabelos da deusa dos ventos com a mão direita.

Sala de Perigo

A enorme Sentinela ergue-se na paisagem de uma desolada Nova York. Caminhando com passos lentos, mas firmes, o enorme robô caminha pelo quarteirão. Subitamente para e com um ruído olha para baixo.

— Entidade mutante: Colossus. Extermin... crzzzzzzzz — Antes que pudesse concluir a frase, um carro forte acerta a cabeça da Sentinela provocando avarias.

— Wonderbar, Piotr! — Grita Noturno, em sinal de aprovação. O mutante russo começa a socar a perna esquerda do imenso robô que logo toma ao chão. Colossus levanta uma viga e crava no peito do robô. Faíscas saem do peito da Sentinela que tenta erguer a mão, mas tomba em silêncio. Apenas o barulho de circuitos é ouvido.

— Warren! — Peter Rasputin desativa a forma orgânica e levanta a mão direita para o céu. O mutante conhecido como Anjo mergulha rumo ao russo e o leva consigo, guiando pelos céus de uma tenebrosa Nova York.

— Uau, sr. Kurt! — Os olhos de Chad brilham — eu vou poder brincar nessa sala um dia?

— Um dia, garoto, um dia... — Kurt Wagner desativa o programa e anuncia no microfone — Bom treino, pessoal.

— Excelente treino, Peter! — Grita Chad, eufórico. Colossus e Anjo acenam do solo. Deslizando através do teto, Kitty Pryde aterrisa sem fôlego no chão da Sala de Perigo.

— Katya! — Colossus corre em direção a ela, e Noturno se teleporta de encontro a garota.

— Meu Deus... Deixei Claire lá em cima!

— O que aconteceu, Katzen?

— Psylocke...

— Betsy?? — Warren aproxima-se de Kitty — você está pálida... o que tem Betsy?

— Parece loucura, Warren, mas quando entrei no quarto de Claire, ela estava conversando com Psylocke. (****) Eu entrei em pânico e cai.

Noturno olha para Warren e coloca gentilmente a mão com três dedos em seu ombro.

— Warren, acalme-se.

O mutante loiro olha para o amigo e cerra os dentes. Seus olhos olham para Kitty, que está ainda está sentada ao chão, abraçada com Colossus, que não tira os olhos de Warren. Seus olhos azuis marejam, ele dá dois passos para trás e abre as asas. Assim como rapidamente levantou Colossus no treinamento e alçou vôo, ele o faz sozinho.

— Katherine? — Pergunta o alemão coçando o queixo.

— Era ela, Kurt. Era Betsy.


:: Notas do Autor

(*) Pride em inglês significa orgulho. voltar ao texto

(**) Frost em inglês significa geada, gelado. voltar ao texto

(***) Você pode conferir sobre esses eventos citados na edição # 03 do Wolverine, aqui no Hyperfan. voltar ao texto

(****) Para quem não lembra, Psylocke morreu no Hyperfan em X-Men # 03, assassinada por Black Tom Cassidy. voltar ao texto



 
[ topo ]
 
Todos os nomes, conceitos e personagens são © e ® de seus proprietários. Todo o resto é propriedade hyperfan.