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Batman # 17

Por Leonardo Araújo

Na edição anterior: Bruce desperta em uma praia e sem memória. Como chegou lá? O que desencadeou a amnésia? Além disso, um grupo muito bem treinado e que dispõe de amplos recursos o persegue incansavelmente. Uma misteriosa ruiva vem em seu auxílio e luta ao seu lado. Ela pode ser a chave para descobrir o que aconteceu com o homem-morcego.

Identidade Wayne — Parte II
Jogos Mortais (*)

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A caminhada dura horas. Bruce pinga de suor: a mata é densa. Ele observa sua companheira desgastada. Parte do veneno a está minando. Seu ferimento ainda está avermelhado. Ele gostaria de perguntá-la sobre o que aconteceu no episódio que ela afirmou que motivou sua "solidariedade", mas o deslocamento silencioso é fundamental para o sucesso da fuga. Eles se aproximam de uma rodovia. Quando Bruce olha, sua companheira está bastante suada. Ele leva a mão à testa dela, cuja face não tem mais a expressão arrogante. Ela queima em febre e subitamente desmaia. Tomando-a nos braços, ele a leva até as margens da rodovia. A seguir, move algumas pedras, obstruindo a pista. Um sedan se aproxima e para diante das pedras na pista. O motorista é arrancado do carro.

— Desculpe, mas é uma emergência médica. — afirma o ladrão do automóvel.

— Não me mate! — implora o homem.

— Você tem celular?

— Pode levar tudo, celular, relógio...

— Ele pega aqui?

— Sim.

— Entregue-me! Seu dinheiro também.

O homem passa o celular a Bruce, que verifica que o mesmo tem sinal. A seguir, enquanto coloca a moça no carro, diz:

— Vou deixar seu celular um quilômetro à frente. Após eu sair, caminhe no sentido do meu deslocamento, pegue seu aparelho, que estará à margem da estrada com o extintor de incêndio, e peça ajuda. Entendeu?

— Sim. — responde o homem, em completa confusão.

Ditas as instruções, ele parte.

— Vamos lá, garota, agüente. — ele a olha — Você é muito bonita. Além disso, tem de me dizer seu nome e o que sabe sobre mim.

Ela esboça um sorriso e apaga novamente.

Bruce cumpre o prometido e deixa o celular à beira da estrada com o extintor como "sinalizador". Ele dirige mais 25 minutos até um posto. Precisa se livrar do carro, pois seus perseguidores podem interceptar o comunicado do motorista à polícia, o que implicaria na descrição do automóvel e um cerco ao casal.

Observa o movimento no posto. Há uma pequena pensão no fundo. Ele toma a pulsação da garota e percebe que está menos acelerada. Deixa o carro com a chave no contato para ser levado, pega um dos carros da pensão, pois o dono só perceberá no dia seguinte, põe a ruiva dentro e parte.

"Com certeza eles vão esperar que eu vá para a cidade." — verifica quanto tem em dinheiro. A soma é considerável. Para tentar ganhar tempo, ele pára bem antes da cidade. Estaciona num motel de beira de estrada e paga um quarto de casal.

— Precisa de ajuda com a moça? — pergunta o jovem atendente na recepção.

— Não, ela só bebeu um pouquinho. — ele responde, sorrindo.

Já são nove horas quando ele a leva para o quarto. A ruiva arde em febre. Ele a despe e a submete a um banho frio, observando que o ferimento parou de inchar. A seguir, enrola uma toalha nela e a leva para cama, onde a seca e cobre. O par de horas que se segue o vai tranqüilizando, enquanto a respiração dela, antes acelerada e curta, retoma a normalidade.

Quando ela desperta, o vê sentado ao seu lado, observando.

— Bem-vinda ao mundo dos vivos. — ele diz.

Agora, desarmada por completo da expressão severa que costumava apresentar, ela olha demoradamente pra ele. Ele fala:

— Pensei que não me diria quem você é e o que sabe de mim.

Ela sorri, levanta e, sem se incomodar com o fato de estar nua, dirige-se ao banheiro. Lá dentro, ela responde.

— Minha cabeça dói um pouco. Não lembra de nada mesmo?

— Do iate, agora sim. Um grupo de mulheres conversando com um homem alto e forte.

— Reconhece alguma delas?

— Eu diria que você está entre as mulheres, mas as imagens não são claras.

Ela, então, vem até a porta do banheiro e comenta:

— Éramos eu e minhas irmãs. Estávamos querendo pegar um arrogante, do mundo do patriarcado, que tentou nos intimar. Imagina... — diz, com desprezo.

Ele fica desconcertado com o desfile da ruiva até a cama. Ela senta na cama e deita. Seus pensamentos são: "Este homem tem cheiro de homem! Faz tempo que não me sinto atraída por um." Fingindo não ver a excitação dele, ela continua:

— Você luta muito bem. Nunca vi tamanha coragem e destreza em um homem.

Agora é Bruce quem vai ao banheiro. Liga o chuveiro no frio e inicia uma ducha, quem sabe o "ânimo" abaixa. Segundos depois, a bela mulher está na porta do box;

— Posso entrar?

Ele a puxa, beijando-a e percorrendo corpo perfeito da ruiva com as mãos. Ela muda o chuveiro para o quente... ele começa a morder-lhe o lóbulo da orelha, em seguda beijando-a pescoço abaixo. Ela suspira longamente. Ele ajoelha entre as pernas dela, beijando-a. Ela agora respira em lances curtos e rápidos...

Horas depois, com ele sobre ela e a ruiva enlaçando seu corpo, retomam a conversa.

— Faz muito tempo que eu não tinha tanto prazer, principalmente com um homem.

— Você é lésbica?

— O mundo do patriarcado de vocês rotula e discrimina tudo. Onde estou, só há mulheres. Ou nos satisfazemos sozinhas, ou umas com as outras. Algumas são abstinentes.

— E de onde você vem? — ele pergunta.

— Ilha Paraíso. Meu nome é Ártemis.

— Eu me apresentaria, se soubesse quem sou, mas não é o caso.

— Só o que sei é que Ra's Al Ghul ousou intimar Hipólita a se associar a ele ou o demônio tomaria e ilha para si. A rainha o ignorou. Eu e quatro de minhas irmãs, sem que Hipólita soubesse, fomos ao encontro dele. Ele havia marcado um pretenso encontro com a rainha e nós fomos no lugar dela. Ele tinha de pagar por tamanha ousadia.

— Os nomes não me soam estranhos, inclusive o seu, mas nada de concreto me vêm à mente. — ele senta na cama, com certa angustia pela ausência de memória. Ela o abraça por trás. Ele acaricia as pernas dela, que o envolvem.

— Você também me é conhecido, embora não saiba de onde. (**) Ele começou a falar num tom ameaçador e nós o fizemos engolir cada palavra. Ficou claro que ele queria usar as amazonas como uma força a seu favor.

— Você disse que eu as salvei.

— O covarde tinha preparado um grupo especial para capturar a rainha e invadir a ilha. Houve luta, e parte do arsenal dele começou a explodir. Você lutava ao nosso lado. Foi quando um caolho grisalho apontou a arma dele para uma sala. Você nos mandou correr. Era uma sala cheia de explosivos e certamente atacaríamos o caolho ao invés de sair se não fosse seu aviso. Tudo explodiu.

— Nada... não consigo formar qualquer seqüência de lembranças.

— Bem, depois que tudo explodiu, minhas irmãs pegaram nossas embarcações para voltar à ilha. Eu fiquei para procurar aquele que nos ajudou: você. Tinha uma dívida de honra e pretendia pagá-la. Para encurtar, a perseguição deles a você é o que me trouxe até aqui.

Ártemis, subitamente, pára de falar. Ambos se vestem com pressa. Eles percebem passos apressados na frente do quarto.

Do lado de fora, um grupo de seis homens se prepara para invadir o quarto. Eles arrombam a porta com violência, entrando no quarto e atirando estrelas laminadas em todas as direções. Dardos envenenados também rasgam o ar.

Ártemis quebra a janela de ventilação do banheiro durante a invasão deles ao quarto, o que possibilita que ambos saiam pela passagem improvisada, contornem por sobre o telhado e peguem de surpresa seus agressores, que ainda os procuravam no quarto.

A amazona, de posse de um bastão achado aos fundos do quarto, atinge dois oponentes simultaneamente na nuca, pondo-os fora de combate. Batman aproveita a surpresa do contra-ataque e usa todo sua velocidade e violência para fazer o ninja recuar na direção de Ártemis. Quando ele percebe e tenta se desviar do golpe dela, é atingido por ele com um potente cruzado no queixo, que o coloca também fora de combate.

A luta prossegue com os outros três, por vários minutos. Ora ele contra dois, ora ela. Bruce já observa nela um certo desgaste, pois ela não descansou muito e está recém recuperada de um envenenamento. Mas a força de vontade da amazona é determinante. Usando uma seqüência veloz de golpes, Ártemis consegue transpassar a defesa de um dos ninjas, levando-o a nocaute.

Isso provoca uma leve distração em um dos dois que lutavam com Batman, o que lhe custa a consciência, pois um chute o atinge em cheio na base do maxilar. Com somente um adversário, a dupla acaba com a luta, mas perderam quase meia hora na briga. Certamente outros grupos estarão chegando. Pelas contas iniciais, faltam pelo menos seis destes ninjas.

— A habilidade deles é incrível. Foram muito bem treinados. — observa um arfante lutador.

— Ra's contratou um mercenário para treinar estes, um tal de Exterminador. Dizem que ele é o melhor no que faz. Parece que ele também ensina muito bem. — ela afirma.

A dupla se recompõe e retoma sua fuga em direção a cidade. Usam a mesma tática da noite passada, parando em postos e trocando de carros até chegar a uma pequena cidade.

Durante o trajeto, eles decidem não ficar em nenhuma hospedaria, hotel, ou motel, pois poriam outros em risco. Ártemis está praticamente recuperada. Ambos querem confrontar seus adversários, mas a amnésia de Bruce é outra preocupação. Andam pela cidade, aleatoriamente, para ver se ele avista algo que o faça lembrar de alguma coisa, qualquer coisa.

Horas se passam nesta tentativa. Resolvem então comprar o almoço num lugar discreto, na periferia.

Enquanto esperam a comida, Bruce observa uma família de sem-tetos: um garoto e os pais. A imagem de outra família, bem melhor vestida, saindo de um cinema, se confunde com a cena que agora presencia.

— Ei, está tudo bem? — ela pergunta a um imóvel Wayne.

— Ahh, sim, desculpe. Me distraí. Algo confuso me veio à mente. Precisamos nos concentrar na nossa atual situação.

— Acha que vai levar muito tempo para nos rastrearem?

— Se continuarmos andando, vão. Mas vamos conduzí-los. Lembra daquele depósito fechado perto do primeiro supermercado que passamos?

— Sim.

— Vamos voltar ao depósito, comer por lá e deixar os pratos sujos. Vamos lá umas três ou quatro vezes durante essa tarde, deixando algumas pessoas nos verem. Eles nos acharão logo.

Quarenta minutos depois, eles estão comendo no depósito fechado. Neste, existe um escritório empoeirado, mas com certo conforto nas instalações internas. Ele termina a refeição e começa a observar o ambiente, afinal quer que as instalações lhe favoreçam na batalha.

Ártemis também observa o ambiente. O faz por alguns minutos e cruza o olhar com Bruce que, por estes minutos, permitiu se maravilhar com a linda ruiva que lhe acompanha. Ela quebra a tensão:

— Olha, o que aconteceu nesta noite...

Ele a silencia, tocando-lhe com um dedo nos lábios. Em seguida, o vigilante diz:

— Você é uma mulher muito linda. Deslumbrante. Confesso que estou muito atraído por você. Mas algo me impede de me aproximar mais.

— Claro, temos uma luta prestes a se desenrolar.

— Há algo mais, algo dentro de mim.

Ela o beija, ardentemente, e completa:

— Somos guerreiros. Vivemos um momento muito bom juntos. Guerreiros vivem o hoje, pois podem não ter o amanhã. — ela enfia a mão por dentro das roupas de Bruce...

Gotham City

É hora do almoço na escola particular Bob Kane. Tim Drake passa com sua bandeja pela mesa onde se encontra Darla Aquista, filha de um mafioso de Blüdhaven.

— Ei Tim, quer sentar com a gente? — pergunta a bela morena de olhos amendoados.

— Eu, Darla?

— É, você! Seu nome ainda é Tim, né? — Dennis Delmar e Sarah Robertson caem na gargalhada. Tim Drake sorri, desconcertado, e senta-se junto ao grupo.

— Estamos falando sobre Batman e Robin. — informa Dennis, levantando um exemplar da Gazeta de Gotham — Esse borrão é o Batman! Essa foto foi feita antes da explosão naquele conjunto de laboratórios no limite da cidade. (***)

— Mas o jornal da noite disse que a explosão foi devido a um vazamento de gás. — desconversa Tim.

— Vazamento de gás? — Sarah Robertson toma o jornal das mãos de Dennis — E como você explica essa foto do Batman?

— Hã... — Tim Drake pega o jornal nas mãos — A foto está muito embaçada para qualquer pessoa poder dizer com certeza de que seria o Batman ou a asa de um corvo.

— Você é muito engraçado, Tim! — Darla sorri enquanto mastiga suas batatas fritas — Eu acho que não existe um só Batman e nem um só Robin! São vários, tipo...

— Uma gangue? — pergunta Dennis, de olhos arregalados.

— Não, bobo. Um esquadrão! Um bat-esquadrão!

— Fala sério, Darla! — critica Dennis, em meio a risadas.

— É, sim, já teve até uma Batgirl! — Darla junta os dedos polegares com os indicadores e os vira, colocando sobre os olhos — Ela usava uma máscara e cabelos soltos. E tinha um visual bem retrô, belíssimo!

— Eu acho que só tem um Batman e ele é mutante, tipo com poder de superforça e fator de cura, e ele não envelhece.

— E o Robin, Dennis?

— Eu acho que o Robin são vários, sabia?

— Vários?

— É, sim. Ele deve ser dono do orfanato de Gotham e sempre que um Robin morre, ele escolhe outro Robin!

— Que loucura, Dennis! O que você acha, Tim? — pergunta Darla Aquista, com as mãos no queixo.

— Hã... eu? Eu acho que só existe um Robin. Que ele é um garoto normal, como nós, sabe? Só que ele treina muito e usa vários aparatos tecnológicos. — Tim Drake gesticula poucos as mãos enquanto olha para a cara de seus colegas de classe, que explodem em uma risada — Brincadeira, pessoal. Eu acho que o Robin é um tipo de Peter Pan, um garoto que se recusou a crescer e deve estar aí faz uns dez anos. Ou então é um pigmeu australiano!

— Sério mesmo, Tim? Teu pai já falou alguma coisa? Meu pai disse que viu o Robin uma vez e que ele usava uma cuequinha verde muito bicha. — questiona Dennis Delmar.

— Sei lá, acho que o Batman é um superagente da polícia de Gotham. Afinal não é ridículo alguém andar por aí vestido de morcego?

— Isso explica aquele bat-sinal que vez ou outra aparece de madrugada. Ele vem da central de polícia, né?

O pequeno grupo ri em concordância quando o sinal toca.

— Droga! — pragueja Darla — Aula de biologia com aquela bruxa!!!!

Longe de Gotham, Bruce a Ártemis botam o plano desenvolvido em ação. Eles percorrem as vizinhanças do depósito, sem qualquer intenção de se esconder. Perguntam aos andarilhos e sem-tetos se viram pessoas de fora, em pequenos grupos, na região, como quem busca informações gerais e nada mais.

Por vezes, retornam ao depósito, preparando o ambiente em detalhes. Vigas são soltas, passarelas e andaimes têm sua estrutura de sustentação fragilizadas. Chegam a ensaiar uma luta em conjunto, similar ao que fizeram quando o grupamento de mercenários armados tentaram detê-los.

As incursões externas continuam. Agora estão seguros de que se alguém os procurar, irá encontrar. No subsolo do armazém e da estrutura desgastada das instalações, Bruce tem uma idéia:

— Ártemis, desça aqui um instante.

— Há algo aqui embaixo que possa nos dar vantagem? — pergunta a amazona.

— Está vendo estes pilares de ferro fundido, os que sustentam os pisos?

— Sim. Pretende transformar os pilares em alguma espécie de arma?

— Uma armadilha. Ajude-me a remover alguns destes parafusos.

— Não parece ser difícil.

— Vamos selecionar uma área específica, um local que, quando a luta estiver em desenvolvimento no piso térreo, você possa derrubar o chão sob os pés deles, com um golpe em alguma coluna estratégica.

— Não vai ser muito rápido.

— Estarei lá em cima, aguardando-os e preparando parte dos dardos que peguei no último confronto. É possível que venhamos a precisar deles. Não se canse.

— Não gosto daquelas armas. Acha que eles têm chance contra nós dois recuperados?

— Se nós não os subestimarmos, eles não tem chance, mas somente se não os subestimarmos.

Dito isto, ambos começam a preparar a armadilha. Depois, o vigilante sobe, escolhe um dos cantos mais altos do antigo depósito e permanece preparando algumas zarabatanas. Por vezes, desce e esconde uma em algum ponto chave que julga poder alcançar no combate. Já passam das onze horas quando a ruiva sobe, bastante suada por sinal.


Na próxima edição: Bruce e Ártemis concluem a armadilha e atraem seus perseguidores para ela. O detetive finalmente recupera sua memória e a trama é revelada. O relacionamento que se formou na dupla interferirá de que modo na inevitável separação? Como isso irá repercutir no romance entre Bruce e Diana? Não deixe de acompanhar também as edições recentes da Mulher-Maravilha.


:: Notas do Autor

(*) Agradecimentos especiais ao JB Uchôa, que está contribuindo com um Robin mais ativo no HF (sem duplos sentidos, por favor!). voltar ao texto

(**) Em Mulher-Maravilha # 21. voltar ao texto

(***) Ver o arco "Fora de Controle" em Batman # 13 a # 15. voltar ao texto




 
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