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Homem-Aranha # 41

Por Eduardo Regis, sobre um plot de Eduardo Regis e Conrad Pichler

Sofram, Criancinhas!

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O Homem-Aranha pressiona o pequeno dispositivo na palma de sua mão. O fio de teia atravessa o ar em uma velocidade incrível e atinge precisamente o pé esquerdo de um homem encapuzado que acabara de sair do local de um arrombamento. O Aranha não faz nada, apenas espera. O fio se tenciona e o homem cai de cara no chão.

— Ugh! Rapaz, essa doeu. Você vai ficar com gosto de sapato sujo na boca por uns dois meses!

O aracnídeo salta e pára ao lado do criminoso caído.

— Sabe... eu queria saber o que vocês pensam quando acordam. — prossegue o herói — "Ah, mas que bela manhã! Os pássaros cantam, o céu azul está um esplendor! O cheiro de torta de maçã da Sra. Smith está tão gostoso. Estou inspirado. Vou arrombar uma casa e roubar umas jóias para celebrar a vida e a natureza".

— Hummph... ai... ai... meu dente... — o meliante abre a boca, revelando um dente quebrado pela queda.

— Nossa senhora das aranhas saltadoras! O crime não compensa mesmo! Olha só pra você agora, está parecendo até uma...

Por debaixo da máscara, os olhos de Peter Parker saltam. Uma tempestade cognitiva assombrosa começa. Peter gira a cabeça em várias direções até que pára em uma. O Sentido de Aranha martela seu corpo impiedosamente. Nunca antes ele havia sido tomado tão violentamente por este instinto.

O Homem-Aranha salta deixando para trás um aliviado criminoso.

— Graças a Deus... — o arrombador pensa enquanto se levanta.

Os músculos de Peter se contraem. Ele dispara as teias em uma velocidade sobrenatural. Cada salto percorre um quarteirão, cada impulso deixa para trás um prédio. Seu coração bate em um ritmo mortal para um ser humano comum.

Peter Parker finalmente enxerga a fonte de todo o perigo. Sem parar para calcular, sem planejar. Ele simplesmente se joga contra uma janela e a atravessa. Os estilhaços não o incomodam e, como um projétil ou como uma furiosa força da natureza, ele se encontra com o inimigo. Ele o agarra e o levanta.

— Desgraçado! Desgraçado!

Mary Jane Watson Parker olha chocada ao ver o marido levantando o pediatra de sua filha pelo colarinho. Ela abraça a pequena May e se afasta.

Minutos antes:

Mary Jane chega ao consultório do pediatra de May. Há alguns dias atrás a secretária do médico havia ligado recomendando que a pequena May recebesse uma vacina e, é claro, Peter e Mary Jane se apressaram em marcar a consulta. (*)

O médico, muito gentil, abre a porta para as duas entrarem em seu consultório.

— Como estamos, mamãe?

— Ora, muito bem, doutor. Estamos gordinhas e felizes. — MJ exibe a filha para o médico.

— Estou vendo. Bem, embora esta consulta seja apenas para uma simples aplicação de vacina pensei em dar uma olhada na May. Pode ser?

— Claro. Seria ótimo.

— Muito bom. Vou fazer algumas perguntas. — o médico vira o monitor para si e se posiciona no teclado.

— Certo.

— Notou algum comportamento estranho na menina?

— Como assim?

— Choros mais frequentes. Indisposição. Sudorese excessiva. Qualquer coisa fora do normal. Deixe-me ser mais claro, precisamos ter certeza de que ela está bem para aplicarmos a vacina com segurança. Tudo bem?

— Claro. Bem... não há nada de errado com minha filha. Ela está muito bem.

— Alimentando-se direito?

— Sim. Muito, até. — MJ ri.

— Alguma erupção na pele? Marca que tenha ficado visível agora?

— Nada.

— Ótimo. Vou dar uma olhada nela e tirar um pouco de sangue. Pode ficar calma, mamãe. Não vai doer nada e vai ser só um pouquinho. Quero ter certeza de que está tudo correndo bem com essa garotinha linda.

— Doutor, tem alguma que possa estar errada? — MJ se levanta acompanhando o médico até a maca onde deve deitar sua filha.

— Bem, mamãe... aparentemente, não. Mas entenda: a medicina preventiva é a maior arma que nós temos. Se identificarmos potencial para qualquer problema agora poderemos tomar os cuidados necessários para evitá-los... — o médico estica os braços para pegar a pequena May quando a janela de seu consultório explode.

Agora:

— Homem-Aranha? — Mary Jane se pergunta, em voz alta.

— Vá embora daqui e leve a menina com você. — o aracnídeo levanta mais o médico — Eu e esse doente aqui vamos ter uma conversinha.

A secretária do médico abre a porta a fim de checar o que havia acontecido. A mulher leva um susto ao ver o aracnídeo e corre com o celular em mãos.

— Vou chamar a polícia!

— Muito bem, o que diabos você estava planejando fazer com a garotinha? — o Homem-Aranha bate com as costas do médico na parede. O doutor treme e desmaia em pânico. Do bolso de seu jaleco salta uma ampola.

O Homem-Aranha larga o médico e agarra a ampola ainda no ar. Ele a olha contra a luz. Um líquido transparente está armazenado no frasco. Há uma etiqueta onde se lê:

Vacina anti-meningite viral. Uso pediátrico. Fabricado por GrantFarma.

Osborn!

Peter agarra a ampola e faz como se fosse jogá-la contra a parede. No último instante, ele para e guarda o pequeno frasco no cinto embaixo do seu uniforme.

— O que está acontecendo? — MJ se aproxima mais à vontade, uma vez que agora estão sozinhos no consultório e o médico está inconsciente.

— O bandido do Osborn está aprontando alguma! Aqui não é seguro, vai pra casa. Pega um táxi e não pára por nada. No caminho liga pra Felícia e pede para ela ficar de olho nos arredores. Faz isso.

Mary Jane sai correndo com a pequena May em seu colo.

Peter salta pela janela já ouvindo o som das sirenes. Ele pára em um telhado mais distante e tira a máscara para respirar. Somente agora a euforia e o estresse daquela manifestação do sentido de aranha estavam passando.

Peter estava tentando entender o que acontecera. O sentido só o avisava de perigos contra ele mesmo, agora a coisa parecia ter evoluído. O sentido o estava avisando de perigos contra sua filha. Em parte isso explicava muito do acontecido na maternidade. (**)

Havia uma parte de seus poderes que Peter jamais havia compreendido direito. O quanto realmente da aranha estava em Peter? Seriam só as manifestações físicas (poderes)? Ou ele havia ganhado também algo de primordial dos aracnídeos? Instinto ele já desconfiava. Agora ele sabia que isso ia além do que ele jamais pensou.

Ele havia ganhado uma conexão única com sua cria. Se impedindo de pensar mais sobre o acontecido, Peter se convence de que é hora de agir.

— Preciso dos laboratórios da Stark e a hora do almoço já acabou. — pensa.

Peter entra apressado no prédio da Stark. Enquanto espera o elevador as pessoas comentam.

— Acabei de ver na TV. O Homem-Aranha atacou um pediatra. É um louco de pedra mesmo.

— Ah! E tem gente que acha legal esses caras voando por aí. Outro dia o tal Lanterna Verde acertou um raio na minha varanda. Tive que fazer obra e quem pagou? Eu!

— Acho que vou de escada. — decide o herói, em pensamento.

Parker sobe as escadas e chega ao andar dos laboratórios. Ele bate no laboratório de virologia molecular.

— Alô, Paul?

Um jovem responde com a mão.

— Olá, Parker. E aí?

— Posso usar a sala de vocês essa tarde?

— Claro, Parker. Gina está correndo umas amostras, mas acho que vocês podem dividir o espaço.

— Valeu, Paul. Te devo essa, hein!

Parker veste o jaleco e pega a ampola da vacina.

— Vamos ver o que é esta porcaria. — pensa para si.

Longe dali e horas depois:

— Olá, doutor. Já soube das novidades? — Osborn abre a porta do galpão.

— Não. Eu trabalho, Norman. Não vejo o jornal. Tentar decifrar esta máquina é uma das coisas mais desafiadoras que já me apareceram.

— Fico feliz. Mas as notícias de hoje certamente são de seu interesse.

— O aracnídeo morreu? — Otto ri.

— Não.

— Então duvido.

— As vezes você me irrita, Otto. — Osborn senta-se em uma poltrona.

— Diga logo do que se trata! — o Doutor Octopus examina uma chapa de raio X aparentemente vazia — Tenho que ajustar a radioatividade para marcar esta chapa. Está difícil controlar o fluxo de partículas. Essas partículas anômalas estão descalibrando o aparelho.

— Problemas com o campo magnético?

— Na verdade, não. Acho que é uma questão de ajustar o ângulo do disparador de isótopos.

— Enfim. Parker impediu que o médico injetasse a solução experimental em sua filha.

Otto Octavius gentilmente pousa a chapa em uma mesa e se vira para Norman.

— Como?

— Simplesmente quebrou a janela do consultório na hora exata que o homem ia começar o exame físico na menina.

— O idiota do médico garantiu que somente a mulher acompanhava a filha.

— E foi assim. Parker estava a quilômetros de distância quando Mary Jane entrou no consultório. Ele foi visto por um dos meus agentes. Estava perseguindo um criminoso comum.

— Está me dizendo que Parker saiu do outro lado da cidade e salvou a filha sem qualquer indicação de que ela estivesse em perigo? — Otto cerra os olhos. Um dos seus tentáculos agarra uma garrafa de uísque.

— Aparentemente sim. É óbvio que há mais nessa história.

— É óbvio que há! Aquela picada alterou o maldito em um nível que jamais sonhamos. O DNA dele foi reprogramado de uma maneira nunca antes vista.

— É o melhor caso de hibridação humano-animal já ocorrido. — Norman conclui.

— E resultou em consequências inesperadas. Parker pressentiu o perigo pela filha ou a filha pressentiu o perigo e chamou Parker? — Otto enche um copo com a bebida.

— Eu não sei Otto. Não sei. Mas acho que isso veio bem a calhar...

Laboratórios Stark:

— Não acredito. Isso não é um vírus vacinal nem aqui nem na China. — Parker se espanta ao ver uma dada sequência de ácidos nucléicos passando pelo computador.

Peter se levanta e procura umas anotações.

— Droga! Eu não sei o que diabos é isso. Nunca vi nada parecido antes. Só tem uma coisa aqui que me parece familiar. — Peter aponta para uma sequência no genoma do vírus — Essa sequência... eu já vi isso uma vez. — Peter joga a sequência na base de dados da Stark e a resposta aparece.

— Deus! Essa sequência é muito similar ao vírus Legado.


:: Notas do Autor

(*) Como vimos em Homem-Aranha # 37. voltar ao texto

(**) Mais detalhes em Homem-Aranha # 21. voltar ao texto




 
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