hyperfan  
 

Mulher-Maravilha # 40

Por JB Uchôa

Futuro Imperfeito — Parte III
A Estrela da Morte

:: Sobre o Autor

:: Edição Anterior
:: Próxima Edição
:: Voltar a Mulher-Maravilha
:: Outros Títulos

Século XXXI — Sede dos Planetas Unidos.

Faz pouco mais de meia hora que Donna Troy, a Mulher-Maravilha, está sentada junto com a Legião dos Super-Heróis ouvindo o que eles tem a dizer sobre o motivo de sua vinda ao futuro.

— Sim, consigo entender perfeitamente, Brainiac. — Donna espreguiça-se na cadeira feita de um material que desconhece — Não consigo compreender o motivo de me trazer aqui.

— Super-Homem já veio ao futuro algumas vezes, Mulher-Maravilha.

— Tenho certeza disso, Satúrnia. Pelo problema apontado e pela ótima ponderação e pesquisa de Colossal, também concluo que seja Starro.

— Obrigado. — o terráqueo Gim Allon sorri desconcertado — Eu fiz uma pesquisa minunciosa...

— Sem detalhes, Gim. — Balbucia Violeta sentada diminuta em seu ombro cutucando o lóbulo esquerdo de sua orelha.

— Nós não conhecemos Starro, Mulher-Maravilha. — Brainiac 5 olha atentamente para a amazona.

— Também não posso dizer que sou perita em estrelas do mar espaciais... mas vocês tem uma ótima biblioteca sobre minha época.

— Não podemos confiar totalmente nas informações da época heróica. — Satúrnia interrompe o comentário de Donna. — Pode haver exageros, claramente. Existem trechos onde alegam que Tempest reinou em Atlântida melhor que Aquaman, enquanto há outros relatos que o rei mais adorado pelos atlantes foi Aquaman, mas em Posêidonis.

— São dois reinos, Satúrnia. Se Tempest reinou em Atlântida, algo aconteceu com Namor...

— Basta! — Relâmpago bate a mão levemente energizada na mesa, fazendo com que todos que debruçam seus braços sobre ela recebam um pequeno choque.

— Controle o temperamento, Garth!

— Desculpe, Vésper. A questão é que nós precisamos de ajuda e você está aqui, Mulher-Maravilha. Há relatos de planetas inteiros dominados por Starro, organizando-se como um exército! Como vencê-los?

— Bem... — diz Donna erguendo a sobrancelha — ...derrotando a grande estrela.

Themyscira.

O dia já raiou há horas e Diana não compareceu ao salão para o café. Phillipus olha para a ampulheta no canto do grande salão e cochicha no ouvido da amazona perto de si. Aglaia arruma uma bandeja com frutas, mel, suco e um iogurte de damasco. A capitã da guarda de Themyscira segura a bandeja e dirige-se à suntuosa suíte real.

— Bom dia, minha rainha. — Phillipus coloca a bandeja delicadamente sobre a cama intacta e com os olhos percorre o quarto à procura de Diana.

— Bom dia, Phillipus. — Diana esgueira-se de fora da varanda e Phillipus leva a mão ao rosto para bloquear os brilhos que o sol reluz nos braceletes de prata da rainha de Themyscira, que caminha quarto adentro enxugando-se — Estou atrasada, desculpe.

— Sua cama ainda está...

— Eu não dormi essa noite, Phillipus. — Diana caminha nua até a poltrona e pega uma delicada túnica vermelha e a veste — Precisei espairecer no mar e buscar acalento e inspiração para uma decisão que irei tomar.

— Algum problema?

— Sim, teremos. — Diana pega um cacho de uvas e o leva delicadamente à boca — Convoque todas as amazonas ao Coliseu. As únicas que não deverão ir são as guardas de Circe e Dóris.

— Sim, minha Rainha. — Phillipus sai do quarto em passos apressados e Diana novamente olha para o horizonte pela sua varanda.

— Para o que exatamente devemos nos preparar, Palas?

Planetas Unidos.

— Já está pronta? — Lar Gand chega próximo da Mulher-Maravilha.

— Eu tive que chegar pronta. — sorri Donna ao olhar para os olhos azuis do daxamita — Creio que nós não fomos apresentados.

— Mon-El.

— El? — assusta-se Donna — Você é...

— Não. É uma homenagem ao Super-Homem. Mesmos poderes. Diferentes fraquezas. Um longo período na Zona Fantasma. Uma história bem comprida.

— Pelo jeito não terei tempo de ouví-la.

— Talvez não falte oportunidade. — Mon-El pisca o olho e sai de perto de Donna.

— Deuses... — pensa Donna — ele tava me paquerando?

— Vou na frente, Mulher-Maravilha. — Vésper abre as longas e alvas asas — Posso rastrear o grande Starro.

— Certamente. — Brainiac 5 aproxima-se juntamente com Satúrnia, Relâmpago e Colossal — Vésper poderá nos dar a localização exata do Grande Starro.

— Engraçado. — balbucia Donna — Parece engraçado quando fala o Grande Starro.

— Ele é grandão, não é? — Brinca Colossal.

— Não tanto. — sorri Donna.

— Você faz parecer fácil. — critica Brainiac.

— Ao contrário, verdoso. Se Starro está controlando milhares de pessoas, é bem possível que tenha uma guarda pessoal... numerosa.

— Mulher-Maravilha, — interrompe Satúrnia — coloque o anel da Legião, ele lhe protegerá no espaço.

— Obrigada. — Donna Troy abre a pequena caixa azulada e o anel cintila a sua frente. Reconhece o artefato das mãos do Gladiador Dourado — "Estou mesmo no futuro" — pensa. Com firmeza, o coloca em sua mão direita e lembra de Hal Jordan — Me digam, onde está a Tropa dos Lanternas Verdes?

— Não existe Tropa dos Lanternas Verdes. — responde Brainiac, secamente.

— Não existe há muito tempo. — completa Relâmpago.

Embaixada de Themyscira, Nova York.

Cassandra! — grita Helena andando pelos corredores da área residencial da Casa Themysciriana — Eu vou tirar seus poderes, garota! Tirar todos! Para sempre! Já! Agora!

— Helena? — Sílvia, esgueira-se com várias pastas pelo corredor estranhando o comportamento da curadora do museu.

— Você viu minha filha? — pergunta Helena, impaciente com as lentes dos óculos levemente embaçadas.

— Ela está lá embaixo com Ártemis. — Sílvia retribui com gentileza o sorriso hostil de Helena e abre caminho para que ela desça as escadas antes dela — E seja o que for eu não queria estar na pele de Cassandra.

Gabinete da embaixadora Ártemis de Bana-Mighdall.

Cassandra está sentada sobre a mesa de Ártemis com as mãos espalmadas, esgueirando-se para ver os papéis nas mãos de sua mentora.

— Eu não quero ter que fazer esse protocolo. — reclama Ártemis com veemência.

— Querer não é poder. — suspira a Garota-Maravilha — Você sabe disso.

— A frase devia ser poder é não querer. — sorri Ártemis.

Cassandra Anne Sandsmark! — Helena abre a porta com rispidez e um tom de voz alto.

— Por Neftis! Helena?

— Mamãe?

— Enlouqueceu, professora? — Ártemis levanta-se e trinca os dentes — Chegar em minha sala... assim?

— Ártemis? — Cassandra estranha a reação de Ártemis e olha curiosa para a embaixadora.

— Perdão, Ártemis — balbucia Helena — Eu me excedi, mas é porque...

— Com certeza a senhora se excedeu, professora. Agradeça aos deuses eu não ter uma adaga ou meu arco em mãos na hora em que abriu a porta.

— Ártemis? — questiona Cassie, com a voz assustada.

— Cassandra, preciso falar com você agora! — Helena Sandsmark volta o olhar para a heroína.

— Sobre? — pergunta Ártemis, com o ar esnobe.

— Ártemis? — balbucia Cassandra — O que você tá fazendo?

— Como? — retruca Helena.

— Sobre o que a senhora quer falar com Cassandra, que é tão urgente?

— É um assunto de mãe e filha.

— Se for sobre o cavalo alado... — interrompe Cassandra.

— Cavalo alado? — diz Helena, com espanto.

— Que pedi para Apolo me emprestar... para o dia da Mulher-Maravilha.

— Não é nada de cavalo alado. — Helena ajeita o óculos no rosto, buscando focar no que veio falar com sua filha.

— Cassandra está ocupada, Helena.

— É um assunto de mãe e filha, Ártemis.

— Cassandra é minha assessora, Helena. Assim que terminar com ela, peço para ela lhe procurar no museu. — Helena range os dentes com a resposta de Ártemis, mas entende. Inclina levemente a cabeça e fecha a porta.

— Ártemis, o que foi isso?

— Cassie, hoje recebi uma ligação de sua escola. — sorri Ártemis — Queria retribuir sua assessoria, mas com certeza só adiei seu funeral quando sua mãe souber de suas notas em história.

— Eu bombei em história? — esbraveja Cassandra.

— Em história.

— Não podia ser física, química ou inglês? — a pequena heroína arregala os olhos.

— Mas foi história.

— Zeus... posso ir embora pra Themyscira? Tipo, agora?

Asgard — salão real.

— Notaste que eles nos olham de esguelha? — pergunta Ganesha para Bast, abocanhando uma grande melancia.

— Notei que o loiro não tira os olhos de mim. — Bast serve-se de vinho.

— É Fandral, o galante.

— Deveras galante. — Bast sorri.

— Hummm. — grunhe Ganesha — Está sempre acompanhado de Hogun, o severo e Volstagg, o volumoso. Os três guerreiros de Asgard.

— O volumoso eu já sei quem é, mas o severo... com a quantidade de olhares ríspidos para nós fica difícil saber quem é.

— Eles nos vêem como ameaça. — pondera Ganesha.

— E por que não vêem a amazona?

— Ora, pois! Deixemos de olhares e cochichos! — Volstagg arranca uma grossa perna de peru da suntuosa mesa e chega perto de Ganesha e Bast — Confratenizemo-nos! Hogun, Fandral, Balder! Vinde conhecer valorosos guerreiros de outras paragens!

— Atchá, amigos! — sorri Ganesha.

— Balder... — balbucia Odin dirigindo a palavra ao asgardiano — onde está Loki?

— Não sei, majestade. Não vejo o príncipe há dias.

— Procure Loki, mas antes confraternize com nossos convidados. — Balder acena que sim com a cabeça e a inclina levemente. Do seu trono, Odin levanta uma taça de vinho, erguendo um brinde a Bast e Ganesha, que retribuem o gesto.

Hipólita adentra o salão, envolta em uma grande e pesada coberta de peles. Atrás de si caminham três moças com grandes cobertas e ao seu lado, Frigga. Todos no recinto se calam e observam, é raro a presença da deusa mãe em festas.

— Devemos partir logo, amigos.

— Justo agora, que estava começando a gostar de nossa missão? — Bast passa levemente o dedo na boca de Fandral e dirige-se a Hipólita.

— Obrigado pela hospitalidade, amigos. — Ganesha balança levemente a cabeça e recebe com cortesia os grossos cobertores — Tchalô!

Olimpo.

Atena está deitada em seu quarto e acaricia levemente a cabeça da coruja que lhe acompanha. Apolo chega em sua porta, com o torso nu, vestindo apenas uma calça jeans e pés descalços, senta-se ao seu lado.

— Já falei com as Musas, elas virão procurá-la.

— Obrigada, Apolo. Diga que eu as procurarei ao final da tarde.

— Não vai me contar o que irá falar com elas?

— Na hora certa, meu irmão.

— Não me coloque em nenhuma tramóia, Atena. — Apolo levanta-se e dirige-se a saída — Há tempos venho notando seu semblante preocupado. Por amor fiz esse pedido às Musas em segredo, mas não traia minha confiança.

— Por quem me tomas, irmão?

— Você é a deusa da sabedoria, irmã. Não a da razão. — Apolo dá de costas e deixa Atena sozinha com seus pensamentos.

Coliseu de Themyscira.

Centenas de amazonas adentram o coliseu. Não se vê marcas da batalha ocorrida meses atrás, quando Circe invadiu a coroação da rainha Diana. (*) Phillipus abre caminho entre as amazonas indo até o palanque. Olha calmamente ao redor e não vê sinal de Diana. Subitamente vê uma amazona olhar para cima e apontar para o céu. Em seguida outra faz o mesmo gesto e mais outra, até que ela mesma olha para o céu e vê sua rainha chegando. Vestida com o uniforme da Mulher-Maravilha e a armadura dourada de águia, Diana aterrissa suavemente.

— Minhas irmãs! — diz a rainha de Themyscira, com uma voz serena, enquanto é aplaudida — Pedi que estivessem aqui reunidas para que juntas possamos determinar o que estar por vir. Esta noite a deusa Atena me procurou em segredo. — as amazonas continuam sorrindo para Diana. Phillipus vê o quanto a outrora princesa é amada por suas irmãs. Hipólita era adorada como Rainha, mas Diana tem uma aura diferente — Palas me confidenciou que as amazonas enfrentarão mais uma guerra.

— Diana? — Phillipus olha para a rainha com olhar de surpresa — Uma guerra?

— Eu não sei o que acontecerá, mas iremos nos preparar. Somos amazonas! — Diana brada com a espada em riste — A partir de hoje, toda amazona passará duas horas treinando além de seus afazeres! Phillipus, a guarda real e eu mesma iremos acompanhar cada uma de vocês.

A multidão aplaude Diana com paixão. Phillipus se pergunta se Diana sabe de mais alguma informação. Seria uma guerra com os deuses? Com homens? Com Darkseid?

— Por Themyscira! — grita uma amazona, cruzando os braceletes.

— Pelos deuses! — grita Diana.

— Por Themyscira! Pelos deuses! — ecoa por todo o coliseu o grito de fé de milhares de amazonas.

Século XXXI.

Espaço. A bordo de uma nave de médio porte estão a Legião dos Super-Heróis e a Mulher-Maravilha. Eles aguardam há horas contato de Vésper, que busca rastrear Starro.

— Ela não deveria já ter entrado em contato, Sonhadora? — questiona Camaleão.

— Dê um tempo mais. Em meu sonho, Vésper encontrava Starro e estava bem.

— Se ela disse que Vésper está bem, é porque está bem. — responde Astro.

— Eu não aguento vocês dois juntos se apoiando o tempo todo... — o durlaniano faz uma careta e volta a brincar com os dedos impacientemente.

— Legionários... — a grande tela se abre com Vésper — encontrei Starro. Ele encontra-se próximo da antiga localização de Krypton.

— Preparar dobra espacial. — berra Ultra-Rapaz, de posse dos controles.

— Controles OK. — informa o Transmutador.

— Preparem-se para saltar — grita Etérea — Apertem os cintos!

As estrelas de fronte aos heróis parecem ganhar velocidade e em um piscar de olhos vêem Vésper em frente a um planeta. A ameríndia voa de encontro à nave pedindo entrada.

— Vésper, teve algum problema?

— Não, Brainy... Starro nem parece me notar.

— Você chegou a pousar no planeta? — questiona Donna Troy, ao aproximar-se da legionária alada — Fez algum contato visual com ele?

— Pousar no planeta? — Vésper aponta para a imagem do planeta na janela da cabine — Starro é o planeta.


:: Notas do Autor

(*) Em Mulher-Maravilha # 33 e # 34. voltar ao texto




 
[ topo ]
 
Todos os nomes, conceitos e personagens são © e ® de seus proprietários. Todo o resto é propriedade hyperfan.