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Liga da Justiça # 18

Por Robson Costa

Trindade

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— Boa noite, B. Está ocupado?

— O que você acha, O? — fala Batman, enquanto desfere um direto no rosto do traficante que está perseguindo.

— Muito bem. Serei rápida, então. — diz Oráculo — Encontrei Savage e os mísseis russos.

— Parabéns, Oráculo. — Batman desvia do segundo bandido que tenta lhe acertar com uma barra de ferro, ao mesmo tempo em que o desarma e também o nocauteia — Transfira tudo para a Batcaverna e para o Batmóvel.

Bárbara Gordon sorri. Ela se surpreendeu com os cumprimentos de Bruce Wayne, porém, logo, a frieza ressurge. Ela tecla rapidamente os códigos necessários e, logo, as provas são transferidas, como Batman havia pedido.

— Então, o que você acha? — pergunta a hacker.

Batman imobiliza os dois bandidos com uma corda, enquanto um pequeno sinal luminoso cruza os céus para chamar a polícia. O herói entra no seu carro, afastando-se rapidamente da cena da luta. Ao mesmo tempo, através de comandos vocais, ele tem acesso aos documentos transferidos por Oráculo.

O computador de bordo do Batmóvel exibe, por meio de hologramas, mapas e fotos obtidas por Bárbara através de satélites espiões espalhados por todo globo. Em uma das fotos, Batman reconhece o vilão e o seu capanga Pórtex. Savage havia roubado dez mísseis da Rússia. Para isso, ele contou com a ajuda do grupo da Legião do Mal, capturando vários membros da Liga.

Graças a uma ação rápida comandada por Batman, o restante da Liga liberou os colegas e prendeu os vilões. Apenas Savage e Pórtex haviam escapado, levando consigo alguns dos mísseis roubados. Além disso, havia o fato de que um míssil havia atingido a cidade russa de Ninji-Novgorod. Foi graças à ação de Eléktron e Nuclear, que a região acabou livre da radiação. (*)

— E então, B? — Oráculo repete a pergunta.

— É ele mesmo. — responde Batman.

— E você viu quem está com ele na quarta foto?

Rapidamente, Batman acessa a pista e, mesmo com os anos de prática, se surpreende.

— Lógico. Apenas um canalha deste porte daria apoio a alguém como Vandal Savage.

— Cruzei informações envolvendo transporte de grandes cargas pela Europa e acabei chegando neles. Provavelmente Pórtex o teletransportou até um determinado ponto e, a partir daí, o amigo de Savage entrou em ação.

De repente, Batman freia o Batmóvel. À frente do Batmóvel, uma figura impassível. Não demonstra medo ou porque era extremamente corajosa ou, então, porque conhece as capacidades do veículo e do seu condutor.

— Que barulho foi esse, Batman? — pergunta uma aflita Oráculo.

— Não se preocupe, O. É apenas uma visita. Inesperada, mas amiga. Continuamos depois. Câmbio e desligo.

Oráculo perde contato com Batman. Tenta a comunicação novamente, mas ele não responde. Após todos estes anos, Bárbara odeia esta mania do Batman de interromper conversas bruscamente, mas sabe que não adianta reclamar.

— Boa noite, Diana. — fala Batman, enquanto desce do Batmóvel — Não é muito comum você vir a Gotham visitar os amigos.

— Boa noite, Bruce. — responde a Mulher-Maravilha, percebendo o tom irônico da pergunta do amigo. Diana admira aquele homem. Ele treinou corpo e mente para uma missão que até o próprio Héracles pensaria duas vezes — Eu vim aqui pela Liga da Justiça.

— Algum problema na base?

— Sim. Dois: você e Clark.

— Não sei do que você está falando.

— Você sabe muito bem. Aquela discussão entre vocês dois, após a missão do Eléktron e Nuclear na Rússia, causou muitos mais estragos ao grupo do que qualquer tentativa de um inimigo do grupo. A Liga ficou dividida.

— Apenas expus a minha opinião. O Super-Homem deveria ter parabenizado aos dois em vez de repreendê-los!

— Concordo com você. Mas Clark tem sobre si o manto da liderança do grupo. Tem que responder por atos cometidos por todos nós do grupo. Esta discussão entre vocês dois gerou muito falatório. Sei que não fui muito presente nos últimos tempos com tudo que me aconteceu. E logo que eu volto a me dedicar a um pouco a mais a Liga, tivemos que enfrentar o Grão-Mestre e o Colecionador (**). Bruce, eu, você e o Clark somos referências a qualquer integrante da Liga. Eles têm muito respeito por nós.

— Nunca exigi respeito das pessoas. Eu inspiro medo, temor. Você e Clark inspiram respeito. São como deuses para eles e para as pessoas em geral. E, talvez, este esteja sendo o erro de Clark: ele não está incorporando um papel de líder, Diana, mas sim de um deus que não aceita que discordem da sua decisão. O problema é que Clark é um deus de pés de barro. Ele confia demais na humanidade em geral e não está preparado para traições e golpes sujos. Você e eu, não. Você é uma embaixadora da paz, mas também é uma guerreira. Está preparada para enfrentar tudo, inclusive as jogadas mais terríveis. Quanto a mim, sou o cavaleiro das trevas.

A Mulher-Maravilha escuta atentamente as palavras do seu companheiro e amigo. Por mais que tente discordar, ela sabe que há alguma razão nas palavras de Batman. Ela caminha, imersa nos seus pensamentos, rodeando o Batmóvel, enquanto Bruce Wayne a observa.

— Você está certo, Bruce. Super-Homem está se distanciando da humanidade e, talvez, seja nossa tarefa lembrá-lo disso. Somos uma trindade e, principalmente, a base na qual a Liga está firmada.

Batman sorri. Percebe que ganha mais uma aliada. Ele entra no Batmóvel e entrega à princesa amazona as provas enviadas por Oráculo, para que ela examine. Diana analisa estupefata os relatórios e as fotos conseguidas por Bárbara Gordon.

— Mas, isto é terrível. Se estes dois estiverem juntos, a Liga deve se manifestar imediatamente! — diz a Mulher-Maravilha.

— Concordo com você, por isso que eu irei convocar uma reunião urgente da Liga para passar estas informações.

— Não, Batman. Quem vai convocar uma reunião da Liga serei eu.

— Então, Mônica? Como você está? — pergunta Henry Irons a Fóton no momento em que ela chega a base lunar da Liga.

— Bem melhor. Precisava apenas descansar. As máquinas da nave do Grão-Mestre, ao mesmo tempo que retiravam a minha energia, de alguma forma me mantiveram num estado tal que não correria risco de vida. Você sabe do que se trata a reunião?

— Não sei. Chegou um comunicado da Mulher-Maravilha aqui e o J'onn, que estava de plantão, convocou os outros.

— E, você, não vai participar?

— Mônica, estou na reserva. Vim fazer alguns reparos que o Super-Homem solicitou e já estou de partida. Tenho que terminar um protótipo de uma armadura especial que projetei para a Wayne Enterprises. Com ela, um trabalhador comum, poderá fazer o seu serviço nos lugares mais inóspitos possíveis.

— OK, então, boa sorte. Ah, mais uma coisa, quem está aí?

— Já chegaram quase todos, menos a Mulher-Maravilha e o Batman.

Irons despede-se de Fóton e entra na cabine de teletransporte. Enquanto o cientista está sumindo aos poucos, é acompanhado pela sua colega que, dia após dia, interessa-se cada vez mais por ele. Mônica Rambeau dirige-se então à sala de reuniões. Lá estão todos os membros da Liga que conversam animadamente enquanto esperam a chegada de Batman e da princesa amazona.

Porém, Mônica percebe a formação de alguns grupos. No mesmo instante, ela se lembra da última reunião naquela sala e na discussão entre Batman e o Super-Homem. A luta que eles tiveram contra o Grão-Mestre e o Colecionador os uniu, mas foi apenas temporário. Flash, Lanterna Verde e Capitão Marvel conversam em um canto da sala, enquanto que em outro, Caçador de Marte, Dr. Estranho e Eléktron analisam um relatório da ONU.

Arqueiro Verde e Zauriel estão fazendo a manutenção das suas armas de combate. Aquaman está no monitor conversando com Vulko, que está em Poseidonis. O holograma da Oráculo plana sobre todos eles acima da mesa de reunião. Fóton apenas não localiza o Super-Homem. Provavelmente, ele está no quarto que todo membro efetivo da Liga tem na base. Os únicos que não possuem são o Batman — que gosta da sua independência — e Oráculo, que só se manifesta através de hologramas.

— Olá, Fóton. — cumprimenta o Dr. Estranho.

— Que clima, Doutor. O ar está até parado.

— Se você sentiu isso, imagine para um telepata como eu. — fala J'onn J'onzz — Antes da chegada da convocação da Mulher-Maravilha, o Super-Homem recebeu várias queixas da ONU.

— Mulher-Maravilha e Batman acabam de chegar. — anuncia Oráculo.

Cada um dos heróis encaminha para a sua cadeira. Super-Homem surge. Arqueiro Verde se surpreende com as feições do homem de aço. Os heróis olham, então, em direção ao corredor, de onde surgem os dois últimos integrantes.

— Até que enfim, hein, princesa! Já estávamos um pouco entediados em esperar a chegada de vocês dois. — diz Oliver Queen, ao mesmo tempo em que observa disfarçadamente o Super-Homem. O homem de aço respira profundamente e nada diz. Os outros heróis não percebem o estado dele, apenas o Arqueiro Verde.

— Desculpem-me todos. — começa a Mulher-Maravilha — Mas, porém, eu, Batman e Oráculo estávamos terminando de coletar provas e documentos para uma missão que, eu presumo, envolverá a todos nós. Batman, por favor.

O homem-morcego introduz um CD que trouxe em um dos consoles dos computadores da Liga. Tecla alguns comandos e o computador projeta sobre a mesa de reunião um holograma.

— Vandal Savage! — reconhece o Flash — Vocês descobriram o paradeiro dele!

— Sim, Wally. — diz Batman — Graças em muito aos esforços da Oráculo. Sabemos, com exatidão, onde ele e o seu comparsa, Pórtex, estão. — e, dizendo isso, Batman pressiona outro botão.

— Latvéria! — Fóton reconhece a nova holografia exibida por Batman — Então, isto quer dizer que...

— Dr. Destino e Savage estão unidos nesta trama. — diz a Mulher-Maravilha, enquanto Batman exibe a foto conseguida por Oráculo, através de satélites espiões, em que os dois vilões aparecem juntos

Um burburinho começa pela mesa de reunião. Expressões de incredulidade e de revolta são ouvidas. Batman e Mulher-Maravilha olham um para o outro. O seu intento é conseguido, basta apenas mostrar a estratégia.

— Não iremos invadir a Latvéria! — diz solenemente o Super-Homem.

— Como assim, azulão? — pergunta Queen, indignado.

— Super-Homem, as provas apresentadas por Diana e por Batman são extremamente fortes. — diz o Caçador de Marte, tentando argumentar com o colega kryptoniano. Porém, ele percebe telepaticamente que tudo o mais será inútil.

— A Latvéria é um dos países membros da ONU e o Dr. Destino é um renomado líder mundial. Não permitirei que a Liga ou membros efetivos dela se lancem em uma aventura que só trará complicações para o grupo. — fala o Super-Homem.

— Para o grupo ou para você? — pergunta irado Batman, recobrando-se da decisão do Super-Homem.

— Dr. Destino é um líder de um país, mas também é um ditador, um tirano e um ser que apenas se preocupa com o domínio do mundo. — tenta dialogar a Mulher-Maravilha.

— Estes dois canalhas possuem juntos dez mísseis nucleares russos que Savage roubou! — lembra Batman.

— Não! A Liga não invadirá a Latvéria atrás dos mísseis. As acusações que recaem sobre Doom não foram suficientemente provadas, Diana, apesar de que, pessoalmente, eu acredite nelas. Mas uma ação nossa significará, para os outros países, que nós estamos tentando impor a nossa vontade e verdade sobre eles. Além do mais, Oráculo, provavelmente você conseguiu estas provas de uma forma um tanto quanto ilegal.

Para alguns, parece que o holograma da hacker engole em seco.

— Super-Homem, não é bem assim...

— Não, Oráculo. Esta ação não será realizada por várias razões, incluindo aí, a forma que estas provas foram obtidas e...

— Não é possível sempre jogar limpo, Super-Homem. Às vezes, é necessário quebrar alguns ossos. — diz Batman.

— Eu não trabalho desta forma, Batman. E a Liga também não trabalhará assim enquanto estiver sobre meu comando!

Antes que a discussão continue, Oráculo interrompe, informando sobre a chegada de pessoas na Base pelo teletransporte.

— Mas como?! — pergunta Aquaman — Pensei que apenas membros tivessem acesso.

— Entre as pessoas que chegaram, há um ex-membro da Liga e as outras cinco usaram do passaporte especial que o comitê de segurança da ONU possuem. — responde Oráculo.

Os heróis deixam a sala de reunião e rapidamente dirigem-se à sala de teletransporte. Chegando lá, dos seis visitantes mencionados por Oráculo, eles logo reconhecem três deles: Capitão Átomo, Nick Fury, chefe da SHIELD, e Henry Peter Gyrich, agente secreto e elo de ligação dos Vingadores com a Casa Branca.

— Boa noite, justiceiros. — adianta Nick Fury — Nós viemos para tratar de uma missão do comitê de segurança da ONU e aprovado pela assembléia geral. Se me permitem...

Nick insere um CD em um dos consoles da sala de teletransporte e surge a figura do secretário-geral da ONU.

— Liga da Justiça! Como secretário-geral da ONU, recebi várias reclamações de países membros sobre atos de integrantes do seu grupo. O nível de revolta e crítica foi tão grande que o comitê de segurança se reuniu em caráter de urgência e a sua decisão foi referendada pela assembléia geral. Então, lhes comunico a decisão. Primeiro: a partir deste instante, a independência da Liga da Justiça está revogada. Todos os seus atos e missões devem ser aprovados pela ONU. Para isto, foi criada uma comissão liderada pelo senhor Henry Peter Gyrich, indicado pelo governo dos Estados Unidos, e formado pelos seguintes diplomatas: o senhor Bóris Lievin, indicado pela Rússia, a senhora Mei Li, indicada pela República Popular da China, e o senhor Farah Ahmad, indicado pela Arábia Saudita. A Liga responderá a eles a partir deste momento. Segundo: Super-Homem deixa de ser líder do grupo, passando a liderança ao Capitão Átomo. Terceiro: o grupo irá passar por uma reformulação. A presença de certos integrantes está causando controvérsia. Nick Fury, como chefe da SHIELD, está acompanhando a comissão e servirá como elo de ligação entre ela e a Liga, neste momento de transição. O agente Gyrich e o Capitão Átomo assumem a partir de agora. Boa noite, justiceiros.

A imagem do secretário some. Os justiceiros estão estupefatos e sem ação.

— Eles podem fazer isso, morcegão? — pergunta o Arqueiro Verde.

— Infelizmente, sim. Está no nosso estatuto para que possamos funcionar com uma certa liberdade. — diz Batman — A ONU pode intervir no momento em que achar que a Liga está ultrapassando certos limites...

— Muito bem, Nick. — fala Gyrich — Eu assumo a partir de agora.

— Por que você foi escolhido? — pergunta Fóton — Pensei que você já estivesse envolvido com os Vingadores.

— Fui escolhido pelo meu excelente trabalho à frente deles, Fóton. A ONU solicitou ao presidente a indicação de um nome de alguém que trabalhe bem com meta-humanos e aqui estou. Muito bem, precisamos de um lugar para realizar a reunião e decidirmos quem fica e quem sai.

— Vocês podem usar a mesa de reuniões. — diz Lanterna Verde.

— Ótimo, rapaz. Super-Homem, precisaremos da sua presença para compor esta reunião de transição, assim como de você, Nick Fury. Depois que nos organizarmos, chamaremos um a um de vocês. Porém, como presidente da comissão, já iniciarei a reformulação do grupo. Há um de vocês que desde já está expulso do grupo.

— E quem é este membro? — pergunta o Capitão Marvel.

— Batman! — diz Gyrich, apontando para o cavaleiro das trevas — A partir deste momento você não é mais integrante da Liga da Justiça!


:: Notas do Autor

(*) Confira esses eventos nas edições da Liga da Justiça # 10 a # 13 do Hyperfan. voltar ao texto

(**) Confira o arco concluído na última edição. voltar ao texto




 
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